Análise: Aggelos 2 – Metroidvania com sabor a anos 90
Aggelos 2 é um Metroidvania desafiante e cheio de segredos, que parece ter saltado diretamente dos anos 90.
Jogo: Aggelos 2
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: WONDERBOY BOBI
Editora: PQube
Aggelos 2 é um daqueles jogos que parece ter saído directamente de uma época em que os videojogos não tinham qualquer problema em atirar o jogador para o desconhecido. Desenvolvido a solo por François Perez, conhecido como Wonderboy Bobi, esta sequela directa do jogo de 2018 recupera influências de Wonder Boy e Ys para construir uma aventura de fantasia simples, acessível e bastante mais ambiciosa do que a sua premissa deixa inicialmente perceber.
Visualmente, Aggelos 2 é um pequeno mimo para quem cresceu com plataformas 2D nos anos 90. O pixel art em 16 bits está mais detalhado, os cenários apresentam maior variedade e a paleta cromática é muito mais rica do que no original. Não tenta reinventar a roda, mas percebe exactamente aquilo que quer ser, uma homenagem competente à era dos 16 bits, com identidade suficiente para não parecer apenas uma cópia.
A verdadeira evolução está, contudo, na jogabilidade. O combate abandona a abordagem mais lenta e centrada na espada do primeiro título e coloca nas mãos do protagonista uma pulseira capaz de disparar projécteis, numa solução que lembra imediatamente Mega Man. A espada passa para segundo plano, servindo sobretudo para destruir ataques inimigos. Também desaparece a tradicional compra de equipamento, substituída por melhorias directas para combate e magia, mantendo a experiência focada na acção.
Depois de uma primeira hora algo linear, Aggelos 2 abre-se num Metroidvania denso e surpreendentemente não linear. As asas, obtidas relativamente cedo, introduzem uma mecânica de voo limitada por energia que altera por completo a exploração. A existência de dois mundos paralelos, Light e Dark, ligados por portais, acrescenta outra camada ao design, sobretudo quando o jogador pode alternar instantaneamente entre formas para destruir determinados projécteis. Nos combates contra bosses, esta mecânica transforma-se num verdadeiro exercício de bullet hell.
A campanha dura cerca de sete horas até ao final mau, podendo chegar às onze para quem procura o verdadeiro desfecho. É uma duração muito bem gerida, sem gordura desnecessária, embora o jogo tenha algumas arestas difíceis de ignorar. O sistema de marcadores do mapa é limitado a apenas 20 posições, tornando a caça aos 100 ovos secretos numa tarefa pouco prática. Pior ainda, o verdadeiro final exige um backtracking praticamente às cegas até uma sala de transporte pouco memorável, seguido de um confronto final que recicla demasiado conteúdo.
Aggelos 2 é, por isso, uma experiência sólida, mas longe de ser perfeita. Tem charme, excelentes ideias de exploração e um ritmo económico que muitos Metroidvania modernos poderiam invejar. No entanto, algumas decisões de qualidade de vida e um endgame frustrante impedem-no de atingir o estatuto de clássico que claramente procura. Para fãs de aventuras retro e exploração sem guias, continua a ser uma proposta interessante, embora apenas moderadamente recomendável.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.




