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Análise: Box Knight – Porrada no escritório

Box Knight transforma o escritório num dungeon crawler hilariante com combate beat ’em up e uma boa dose de sátira corporativa.

Box Knight

Jogo: Box Knight
Disponível para: PC
Versão testada: PC
Desenvolvedora: We Made A Thing Studios
Editora: We Made A Thing Studios

Box Knight

Há poucas coisas mais universais do que a sensação de estar preso num trabalho que nos suga a alma. Box Knight pega nessa frustração e transforma-a numa fantasia absurda, onde um escritório tóxico se torna um verdadeiro dungeon crawler povoado por funcionários mutantes, monstros grotescamente adoráveis e um CEO à espera de levar a devida tareia.

Desenvolvido pela australiana We Made A Thing Studios, este primeiro projeto da equipa apresenta uma premissa simples, mas suficientemente divertida para agarrar desde os primeiros minutos. Vestido com uma caixa de cartão, o nosso cavaleiro atravessa andar após andar de um edifício corporativo completamente corrompido. A sátira funciona melhor quando o jogo não tenta explicar demasiado. Os Drone Goblins, os diálogos dos sobreviventes e, sobretudo, o Hall of Legends, com os seus epitáfios passivo-agressivos para antigos funcionários, fazem mais pela personalidade do jogo do que qualquer grande exposição narrativa.

Box Knight

No combate, Box Knight revela ambições maiores. O sistema mistura beat ’em up clássico com estruturas roguelite, obrigando-nos a perceber rapidamente quais os inimigos que devemos eliminar primeiro. Curandeiros, adversários explosivos e ataques à distância criam situações que exigem alguma leitura do campo de batalha. Há ataques normais, golpes de impacto, especiais carregáveis, esquivas, dashes aéreos e execuções alimentadas pelo Buzz Meter. Funciona, é fluido e tem impacto, embora a fórmula comece a mostrar alguma repetição à medida que avançamos.

A geração procedural ajuda a prolongar a experiência, enquanto as melhorias temporárias permitem experimentar diferentes builds durante cada tentativa. Depois da morte, entram em cena os upgrades permanentes do Council of Janitors, criando aquela familiar sensação de “só mais uma run”. O sistema é competente, mas não possui a profundidade dos melhores roguelites do género.

Visualmente, é provavelmente onde Box Knight mais se destaca. A experiência em animação do estúdio é evidente, com personagens expressivas, movimentos bem definidos e uma estética de banda desenhada que combina na perfeição com o humor. As personalizações, desde capacetes de coelho a fatos de tubarão, banana ou koala, também ajudam a manter o tom irreverente.

Box Knight

Box Knight não reinventa o beat ’em up nem o roguelite, mas também nunca pretende fazê-lo. É uma experiência divertida, visualmente distinta e com uma premissa inteligente, embora fique aquém do necessário para se tornar memorável.

Nota: 6/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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