Análise: The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered – Perfeitamente Imperfeito
The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered chega à Nintendo Switch 2 com um mundo gigantesco, visuais renovados e alguns problemas técnicos.
Jogo: The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered
Disponível para: Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Bethesda, Virtuos
Editora: Bethesda
The Elder Scrolls IV: Oblivion está algures numa encruzilhada interessante, já que é um jogo que envelheceu bem, mas, ao mesmo tempo, parece pertencer a uma época que já não existe. Lançado originalmente em 2006, foi um dos títulos que ajudou a transformar The Elder Scrolls num fenómeno nos consoles, e esta versão Remastered procura recuperar essa magia através do Unreal Engine 5. Agora, na Nintendo Switch 2, a experiência ganha uma nova dimensão, a possibilidade de levar Cyrodiil para qualquer lado, embora com compromissos bastante evidentes.
A maior transformação está, sem surpresa, no departamento visual. Os modelos, ambientes, texturas e iluminação foram reconstruídos, mantendo a identidade do original, mas aproximando-a dos padrões modernos. É uma diferença enorme face ao jogo de 2006 e, mais impressionante ainda, a versão Switch 2 mantém funcionalidades exigentes como ray tracing, tanto em modo portátil como na televisão. A resolução aponta para 1080p com DLSS em modo dock e 900p em portátil, números bastante respeitáveis para uma experiência desta escala.
O problema está no desempenho. Oblivion Remastered aponta para os 30 fps, mas apresenta quebras, judder durante movimentos de câmara e problemas de frame pacing que tornam a experiência menos consistente do que deveria. Em determinadas zonas, sobretudo durante combates ou ao atravessar o mundo aberto, a fluidez sofre. No modo portátil, a imagem também perde alguma definição, enquanto o pop-in de objetos e os contornos serrilhados denunciam as limitações do hardware.
E depois existe a própria natureza de Oblivion. O Unreal Engine 5 moderniza a apresentação, mas continua sentado sobre uma estrutura criada em 2006. Isso significa que alguns dos velhos problemas continuam presentes, incluindo crashes, carregamentos intermináveis e comportamentos estranhos da Radiant AI. É simultaneamente frustrante e divertido ver NPCs a tomar decisões completamente absurdas, mas quando um crash nos obriga a regressar ao último save, a nostalgia perde rapidamente o encanto.
Felizmente, a jogabilidade continua a ser o grande trunfo. A versão Remastered incorpora várias melhorias inspiradas em Skyrim, como sprint, uma interface mais funcional, um mapa renovado e Clairvoyance. O combate também recebeu animações mais robustas e a perspetiva na terceira pessoa está bastante mais confortável. No entanto, algumas limitações permanecem, incluindo a possibilidade de utilizar apenas uma arma em simultâneo com uma magia equipada.
E é impossível falar de Oblivion sem falar do seu mundo. A história principal, envolvendo Uriel Septim, Martin Septim e os portais para Oblivion, continua competente, mas são as guildas que roubam o protagonismo. A Dark Brotherhood, a Thieves Guild, a Arena e a Mages Guild oferecem algumas das melhores missões da série. Com Knights of the Nine e Shivering Isles incluídos, há conteúdo para dezenas de horas, facilmente ultrapassando aquilo que muitos RPGs modernos conseguem oferecer.
No fundo, esta versão é quase um paradoxo. É uma forma fantástica de jogar Oblivion numa consola portátil, com uma escala que continua impressionante, mas também uma conversão tecnicamente instável. Quem procura a melhor versão possível continuará a encontrar no PC a plataforma mais completa, sobretudo pela comunidade de mods. Na Switch 2, porém, existe algo especial em sair de casa e simplesmente perder várias horas em Cyrodiil.
The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered não é uma remasterização perfeita, nem sequer uma das versões mais tecnicamente sólidas disponíveis. Mas continua a ser um RPG extraordinário, e a possibilidade de o transportar no bolso é uma vantagem difícil de ignorar.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





