Jogos: Splatoon Raiders – Análise
Splatoon Raiders reinventa a fórmula da série com uma campanha PvE e um sistema de progressão profundo, apesar de algumas falhas.
Jogo: Splatoon Raiders
Disponível para: Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Nintendo
Editora: Nintendo
Durante anos, Splatoon foi sinónimo de competição, tinta e partidas multijogador frenéticas. Com Splatoon Raiders, a Nintendo decide arriscar e leva a série para um território completamente diferente. O resultado é um RPG de ação focado exclusivamente em PvE que aproveita muitas das ideias introduzidas no modo Salmon Run e constrói, finalmente, uma aventura completa à sua volta. É uma mudança ousada, mas também uma das mais acertadas da história da franquia.
A campanha acompanha Shiver, Frye e Big Man numa caça ao tesouro pelas misteriosas Spirhalite Islands, numa tentativa de saldar a gigantesca dívida de Splatsville. O jogador assume o papel de um Mechanic, um Inkling ou Octoling sem identidade definida, responsável por pilotar a equipa e fabricar todo o equipamento necessário para sobreviver. A narrativa nunca procura ser particularmente profunda, optando antes por um tom leve e descontraído, embora existam momentos em que a premissa levanta algumas questões curiosas sobre a forma quase inconsequente como exploramos e combatemos uma civilização Salmonid inteligente. Felizmente, os pergaminhos espalhados pelos cenários oferecem uma dose generosa de lore para quem gosta de mergulhar no universo de Splatoon.
Se existe um elemento que define Splatoon Raiders é o ciclo constante entre combate, recolha de recursos e personalização. Cada missão dura apenas alguns minutos, tornando a progressão extremamente fluida. Quando algo corre mal, o jogo nunca castiga em excesso. Em vez disso, convida o jogador a regressar à base, melhorar equipamento, experimentar novas combinações e voltar mais preparado. É um loop inteligente, viciante e que raramente perde o ritmo.
A jogabilidade mantém intacta toda a fluidez característica da série. A movimentação continua incrivelmente rápida, nadar pela tinta permanece tão satisfatório como sempre e a resposta dos controlos é excelente. A Nintendo Switch 2 consegue ainda manter os 60 fotogramas por segundo praticamente inabaláveis, mesmo quando o ecrã está completamente inundado de inimigos, explosões e tinta. É uma demonstração técnica impressionante e que beneficia diretamente a precisão do combate.
O verdadeiro destaque encontra se na liberdade de construção das personagens. Os três tipos de Ink Tank alteram completamente a forma de jogar, seja privilegiando velocidade, poder ofensivo ou uma abordagem mais estratégica. A isto juntam se gadgets altamente personalizáveis, árvores de habilidades enormes e combinações capazes de transformar completamente qualquer missão. Experimentar builds diferentes torna se quase tão divertido como enfrentar os próprios níveis. Ainda assim, nem tudo é perfeito. Algumas armas, como os Rollers, parecem menos eficazes do que o restante arsenal e o sistema de criação precisava claramente de uma lista de materiais desejados para evitar consultas constantes aos menus.
Também o design das missões merece elogios. Há níveis lineares, mas existem igualmente masmorras com tempo limitado, desafios focados em puzzles, minas de risco elevado e salas claramente inspiradas nas Shrines de The Legend of Zelda: Breath of the Wild. O jogo consegue variar constantemente os objetivos sem perder coerência, enquanto os encontros cuidadosamente desenhados obrigam a analisar prioridades e a eliminar primeiro as maiores ameaças. Em cooperação para até quatro jogadores tudo continua divertido, embora o excesso de poder de fogo possa reduzir parte da criatividade exigida nos confrontos.
Nem todas as escolhas artísticas convencem. Apesar da direção visual manter o charme das personagens, os cenários repetem excessivamente os mesmos biomas e apresentam uma paleta surpreendentemente discreta para uma série conhecida pelas suas cores vibrantes. A banda sonora também desaponta, optando por composições experimentais que raramente ficam na memória, com a notável exceção do excelente tema do confronto final. Também a escassez de opções de roupa acaba por soar estranha numa franquia onde a moda sempre foi uma parte importante da identidade.
Splatoon Raiders prova que Splatoon consegue existir muito para além do multijogador competitivo. A campanha é consistente, a progressão recompensa constantemente a experimentação e o sistema de combate oferece profundidade suficiente para manter o interesse até ao fim e muito para lá dele graças ao conteúdo de endgame. Algumas decisões de apresentação e certos problemas de equilíbrio impedem que alcance a excelência absoluta, mas dificilmente escondem aquilo que realmente importa. Este é, muito provavelmente, o melhor modo para um jogador descobrir o universo de Splatoon sozinho e um dos exclusivos mais surpreendentes da Nintendo Switch 2.
Nota: 8,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






