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Cinema: Crítica – Evil Dead Burn

O cineasta francês Sébastien Vaniček estreia o seu pesadelo cruel no novo Evil Dead Burn, com um filme extremamamente aterrador.

A ressurreição e subsequente modernização da saga Evil Dead, cujo primeiro filme estreou em 1981, tem sido uma autêntica montanha-russa. Ao longo dos últimos anos, surgiram três filmes standalone, sendo o primeiro lançado em 2013 e realizado por Fede Álvarez, que optou por retirar a componente cómica e apostar num terror mais grotesco. Essa abordagem acabou por resultar de forma eficaz, embora nem todos os espectadores tenham concordado com essa mudança de tom, que retirou o charme cómico dos filmes originais para algo completamente diferente. Depois chegou Evil Dead Rise: O Despertar, um filme que procurou fundir o drama e o trauma familiar com elementos do universo inicialmente criado por Sam Raimi. Agora, surge a estreia de Evil Dead Burn, que acrescenta uma nova história paralela à mitologia da saga, realizada pelo cineasta francês Sébastien Vaniček.

Seguimos a história de Alice (Souheila Yacoub), uma jovem que acabou de perder o marido num acidente de viação. Reunida no velório com a família do falecido, aquilo que deveria ser um momento de luto transforma-se rapidamente no pior dos pesadelos, quando a maldição dos Deadites desperta em busca de um objecto há muito perdido. Perante essa ameaça, as forças malignas farão tudo para descobrir onde esse objecto se encontra, mergulhando todos os presentes numa espiral de violência, medo e desespero.

Embora a experiência de Vaniček possa ser considerada discutível – sendo Vermines, sobre aranhas que infestam um bairro, a sua única outra longa-metragem -, o facto de também contribuir para o argumento revela claramente o seu entusiasmo pelo universo da saga. Essa participação demonstra vontade de criar um espaço próprio para Evil Dead dentro do seu imaginário cinematográfico. Infelizmente, essa contribuição assenta sobretudo numa crueldade excessiva que, ao longo de quase duas horas, se concentra numa violência constante que muito pouco acrescenta a uma narrativa superficial e indecisa quanto ao que realmente pretende ser.

Isto não significa que Vaniček falhe por completo. Há aspectos em que o realizador acerta de forma evidente: o tom do filme mantém-se constante, e visualmente tudo é apresentado com consistência. A isso junta-se ainda uma excelente banda sonora assinada pela dupla francesa Double Danger, que contribui para reforçar a atmosfera de tensão e desconforto. No entanto, continua a parecer que estamos perante um filme licenciado, no sentido em que bastaria retirar o nome de alguns elementos associados a Evil Dead para restar um qualquer filme de terror genérico, sem alterações narrativas de grande relevo. Assim, a sua contribuição para a saga acaba por se revelar limitada por uma história que parece apenas adaptada àquele universo, em vez de verdadeiramente nascer dele.

Por outro lado, a abordagem a temas traumáticos como a violência doméstica, a suspeita no seio familiar e os conflitos internos que atraem uma maldição até à porta de casa, sem que ninguém a tenha pedido, poderia ter sido abordada de uma forma mais coesa e emocionalmente complexa. Contudo, a obra parece mudar de intenções quando mais lhe convém, apenas para espremer os últimos minutos de sangue e gore pelo mero prazer do entretenimento. Essa hesitação enfraquece o impacto dramático e impede que as ideias mais interessantes sejam plenamente desenvolvidas, sobretudo nos momentos mais intensos.

Assim, Evil Dead Burn parece estar parcialmente no caminho certo para aquilo que se espera de uma saga que, desde a sua ressurreição, tenta virar a página em direcção a algo muito específico dentro do género. Ainda assim, é precisamente nesta combinação de excesso e superficialidade que o filme encontra a sua maior fragilidade, transformando a experiência num pesadelo com conteúdo limitado, deixando o espectador encurralado até ao fim dos créditos. Resta esperar que Evil Dead Wrath, já anunciado como uma prequela, consiga finalmente devolver a saga ao rumo certo.

Nota Final: 5/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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