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Cinema: Crítica – O Passageiro do Inferno

O norueguês André Øvredal está de regresso com o seu mais recente filme de terror, O Passageiro do Inferno, trazendo um mito de estradas para o grande ecrã.

Na década passada, o cineasta norueguês André Øvredal realizou três filmes, em pontos distintos do espectro do cinema de género, alguns dos filmes mais interessantes. Desde O Caçador de Trolls, um found-footage espectacular, ao obscuramente assustador A Autópsia de Jane Doe, e o acessível Histórias Assustadoras para Contar no Escuro – este com uma história escrita por Guillermo del Toro – seria apenas uma questão de tempo até que o realizador regressasse ao terror mais intenso, com O Passageiro do Inferno.

Tyler (Jacob Scipio) e Maddie (Lou Llobell) são um casal que decidiu mudar o rumo das suas vidas e viver uma aventura na caravana, pelas estradas norte-americanas. Após testemunharem um acidente de viação mortal, são confrontados com um demónio que os persegue, forçados a lidar com o mal e a explorar o mito do Passageiro do Inferno.

No papel, a ideia de explorar um mito das estradas e adaptá-lo para uma história de terror feita para cinema é positiva; mas, no caso da execução, existem vários problemas com a obra, desde a sua simplicidade em demasia, à ambiguidade sobre quem é este passageiro durante grande parte do filme, passando pela maioria do tempo a deixar mais perguntas no ar do que respostas, como também a expor a disfuncionalidade das regras que cria no seu universo.

Ainda que Øvredal seja um cineasta experiente com o terror folclórico, há também elementos de road movie que são bem-vindos à obra, deixando bem marcada uma tensão de que nenhum lugar é seguro, estabelecendo um nível de claustrofobia bastante elevado; optando por abordar o terror com uma sensação estranha, em vez de uma abordagem mais directa, como num slasher. No entanto, a premissa inclina-se demasiado para a fórmula de “entidade que persegue para todo o lado”, pelo que o efeito acaba por ser repetitivo.

Enquanto Scipio e Llobell são uma dupla imparável, como o casal que está disposto a enfrentar o mal, mesmo sem perceber exactamente o que está no caminho deles, é Joseph Lopez, como O Passageiro sem nome, que acaba por causar a melhor impressão, com uma presença aterradora, baseada em jumpscares e sustos superficiais, num filme com pouco conteúdo durante grande parte da sua duração.

Assim, O Passageiro do Inferno pode não reinventar o género, mas a sua tentativa de personificar um mito de estrada poderá ser interessante o suficiente para um serão casual na sala de cinema, como excelente companhia para pipocas e um refresco.

Nota Final: 5/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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