Jogos: The Bearer & the Last Flame – Análise
Um Soulslike de fantasia sombria cheio de ambição, The Bearer & the Last Flame desmorona com combate quebrado, problemas técnicos graves e design confuso.
Jogo: The Bearer & the Last Flame
Disponível para: PC, PlayStation 5
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Dark Reaper Studio
Editora: Meridiem Games
Há sempre um certo encanto em projetos indie ambiciosos. Quando um criador a solo tenta capturar a atmosfera opressiva dos primeiros Soulslike, queremos torcer por ele. Infelizmente, The Bearer & the Last Flame é daqueles casos em que essa boa vontade desaparece rapidamente. Desenvolvido quase inteiramente por Dark Reaper Studio, o jogo propõe uma peregrinação sombria por um mundo moribundo, onde um guerreiro solitário transporta a última chama através de terras dominadas por demónios. No papel, a ideia é excelente. Na prática, é um desastre.
A primeira coisa que salta à vista não é a história nem a direção artística. É a performance. Na PlayStation 5, o estado técnico é simplesmente inaceitável, screen tearing constante, quebras de fluidez severas e crashes que surgem com uma frequência preocupante. Mesmo sistemas com VRR mal conseguem disfarçar a instabilidade. No PC a situação também não é muito melhor, sobretudo para quem usa rato e teclado, os controlos são desajeitados e imprecisos ao ponto de um comando deixar de ser uma recomendação e passar a ser praticamente obrigatório.
Depois vem o combate, que deveria ser a espinha dorsal de qualquer Soulslike. Aqui parece estranhamente vazio. Os ataques não têm peso, as hitboxes comportam-se de forma imprevisível e as animações variam entre movimentos absurdamente lentos e golpes quase instantâneos. Num momento estás a gerir a stamina com cuidado, no seguinte a tua espada atravessa um inimigo como se estivesse a cortar ar. Isto não é a tensão deliberada de clássicos como Demon’s Souls. É inconsistência pura.
O mundo de Hyperborea ainda revela alguns lampejos de potencial. Castelos em ruínas, vales cobertos de nevoeiro e corredores iluminados por tochas criam ocasionalmente uma atmosfera eficaz. A narrativa ambiental, os NPCs crípticos e as pistas de lore espalhadas pelo cenário tentam claramente seguir a fórmula da FromSoftware. O problema é que até aqui surgem falhas. Os níveis são confusos em vez de intrigantes, os caminhos misturam-se e as primeiras áreas parecem um labirinto montado sem grande lógica espacial.
E depois há os bugs, muitos. Personagens podem subitamente descer para níveis negativos, armas à distância deixam simplesmente de disparar, a IA dos inimigos quebra-se a meio dos combates e alguns bosses podem ser derrotados com estratégias ridiculamente simples. Nada disto parece intencional.
Ambição merece respeito. Mas ambição por si só não chega para terminar um jogo. The Bearer & the Last Flame soa, sente-se e joga-se como um projeto inacabado, instável e mecanicamente frágil. Talvez futuros patches o salvem. Neste momento, é difícil recomendá-lo.
Nota: 3/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





