Central Comics Forum
08 de Setembro de 2010, 02:30 *
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Autor Tópico: xcrita criativa  (Lida 539 vezes)
Manuel Alves
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« em: 06 de Fevereiro de 2010, 21:29 »

Resumidamente: eu acredito que é possível escrever qualquer coisa, com sentido, acerca de uma coisa qualquer, por mais disparatada que seja (para dizer isto de um modo assim a atirar para o bonitinho).

O desafio que eu deixo aqui, a quem entenda sentir-se desafiado (pelo menos a calar-me), é que se apresentem frases curtas, ou até uma simples palavra, para que eu, no espaço máximo de uma folha A4, crie uma pequena história a partir daí ou, pelo menos, crie um enredo que sirva de estrutura para uma pequena história. Quem quiser pode também deixar aqui uma imagem, se assim preferir.

Quem quiser apoiar esta (minha) teoria, está à vontade para desenvolver igualmente as ideias apresentadas por terceiros (ou quartos, ou quintos, ou uma catrefada deles). Parece-me um bom exercício criativo para todos os que andam por estas bandas e acalentam aspirações como contadores de histórias.

E é isto.

Eu ia chamar ao tópico "Ideias absurdas brilhantemente desenvolvidas" mas pareceu-me demasiado pretensioso (o que até nem é o caso do título que escolhi).
« Última modificação: 10 de Maro de 2010, 19:50 por x » Registado

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« Responder #1 em: 07 de Fevereiro de 2010, 00:11 »

Frase (título):
"A nobre arte em extinção dos lançadores de facas"

Posso dizer-te que o exame de Português do 9º ano que me calhou incidia sobre o livro "Viagens na Minha Terra"... nunca li esse livro, nem tenho intenção de o fazer.
Assim para passar o tempo veio-me este tema à cabeça (não, nessa altura não fumava nada...), e para além de conseguir encher as quatro páginas da folha de exame, ainda pedi mais uma.
A minha nota de exame foi "7"! Acho que o professor se divertiu à grande, porque embora eu não tenha respondido a nenhuma pergunta, tive essa nota!
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« Responder #2 em: 07 de Fevereiro de 2010, 02:05 »

Ora muito bem. Vi há pouco a tua sugestão e aqui vai uma página A4 de texto para o título:

"A nobre arte em extinção dos lançadores de facas"

    «“Nunca quis que isto acabasse assim...”, pensou o velho lançador de facas, enquanto olhava para as mãos. “Com vergonha…”, sussurrou, com uma expressão de injusto derrotado. Era o último de uma linhagem de atiradores sem mácula. As linhagens estão sempre condenadas ao fracasso do tempo, pois não possuem a graça da eternidade que lhes permita prosperar para sempre. Com ele morreria o orgulho da pontaria certeira, como um Robin dos Bosques velho que falhou o alvo por culpa de uma miopia insistente.
    O velho lançador de facas estava ajoelhado no meio do palco onde repetiu o mesmo número vezes e vezes sem conta. As cadeiras da audiência estavam vazias. Muitas estavam tombadas, como se uma assistência inteira tivesse saído à presa. Restavam apenas os fantasmas carrancudos de passadas assistências esgotadas que explodiam em aplausos merecedores de coisas nunca vistas. Agora, ele era a única alma viva que permanecia ali.
    “Artrite!”, disse o velho, com um sorriso familiar àqueles a quem o sarcasmo da vida passou a perna. Olhou o soalho do palco. O tempo em que o verniz daquelas tábuas reflectia com nitidez todo o espectáculo que testemunhava estava enterrado no passado. Provavelmente, já tinha morrido antes mesmo que o velho lançador de facas nascesse. Agora, as tábuas estavam descascadas pela humidade e pela falta de vontade de quem devia manter vivo o espelho do chão. Ao velho, não lhe apetecia sorrir. Passado o momento, já não.
    Talvez ele se devesse ter retirado anos antes. Talvez devesse ter feito um filho para o ensinar a lançar. Talvez assim não tivesse de continuar o espectáculo até se tornar incapaz de o representar. Talvez, desse modo, não tivesse de esperar até à velhice para encontrar um aprendiz digno dos segredos da arte de lançar.
    A arte em si limitava-se ao lançar. As facas eram secundárias. Era tudo calculado. A assistente era gentilmente amarrada à roda que girava e, quando as senhoras da audiência começavam a virar os rostos com receio, e a tapar os olhos para não verem, o lançador sabia que aí residia a arte. Era a arte de criar a ilusão do perigo. As facas apenas respondiam ao gesto da mão. E a mão era treinada para não falhar. A roda tinha um ritmo certo para rodar. Por isso é que ele até lançava as facas com os olhos vendados, com uma precisão digna de perícia de cirurgião. Estava tudo na cabeça do lançador. Ele contava o tempo até ao momento certo e lançava. Bastava-lhe lançar a faca sempre em linha recta e a lâmina acertava onde tinha de acertar. E acertava. Se fosse fisicamente possível, sem risco significativo, até de costas ele acertaria.
    Durante todo o espectáculo a audiência sofria. No fim, a roda parava, a assistente pisava o palco, olhava para as facas que lhe desenhavam a silhueta e sorria. Em apoteose, levantava-se a sala em coro. Todo homem, mulher e criança aplaudia. O eco do sucesso permanecia na sala até ao momento em que a última pessoa saía.
    O velho lançador de facas desviou os olhos cansados para a porta da sala de espectáculos. E que grandioso espectáculo era aquele! O fim, não de uma era, mas de uma sucessão delas; gerações que pariram gerações. Depois dele, não mais.
    O olhar voltou a cair-lhe nas mãos. Os olhos deviam estar demasiado cansados, pois não reconheciam aquelas mãos como sendo suas. Não pertenciam àquele corpo. Não foram aquelas mãos sempre certeiras que levaram à ruína de tudo o que conseguiram até então. O velho lançador de facas gostaria de acreditar que era apenas um sonho, ou uma dolorosa alucinação.
    O velho subiu o rosto derrotado e olhou, em frente, com uma expressão vazia para última faca que lançou. Se ele fosse um assassino, teria atingido o alvo na perfeição. O corpo da sua assistente parecia um espantalho que pendia da roda com um ar pateta, assim, com uma faca espetada no coração.»

FIM

Tudo tem uma história.  Wink
« Última modificação: 07 de Fevereiro de 2010, 02:10 por Man. » Registado

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« Responder #3 em: 07 de Fevereiro de 2010, 15:45 »

Tenho de reconhecer que foste rápido e imaginativo!
 Contente

A minha abordagem nesse exame tinha sido a atirar para o cómico/irónico. Tu foste mais para a vida do desgraçado lançador de facas...

Foi um  bom trabalho, sobretudo pela rapidez com que postaste o texto! Parabéns  Wink
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« Responder #4 em: 07 de Fevereiro de 2010, 17:46 »

Escrever é fácil; bem ou mal, todos o podem fazer; mais difícil poderá ser tornar a escrita interessante para quem lê.

Venham mais cinco.  Grin
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« Responder #5 em: 07 de Fevereiro de 2010, 21:34 »

Aqui vai: "Já fui amigo de um homem de 3 cabeças."

Força aí xD quero ver o que é que sai dessa cabeça...
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Manuel Alves
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« Responder #6 em: 07 de Fevereiro de 2010, 23:32 »

Hah! Aqui está a pequena história para o título:

"Já fui amigo de um homem de 3 cabeças."

    «Diz-se que não escolhemos a família. Por outro lado, escolhemos os amigos. Ou, pelo menos, assim pensamos. Às vezes, são os amigos que nos escolhem. Outras vezes, não escolhemos os amigos nem somos escolhidos por eles; as circunstâncias é que se encarregam disso. E, quando morremos, as circunstâncias encarregam-se de um sem-número de coisas. Particularmente, encarregam-se de nos apresentar realidades absurdas onde o próprio conceito de realidade se desafia a si mesmo.
    Tinha morrido há cerca de uns cinco minutos. Pensava eu. Quando não temos a certeza de quanto tempo passou desde um acontecimento impreciso no nosso passado imediato, dizer que passaram cinco minutos é sempre uma boa estimativa. Como sabia que tinha morrido? Bem, o facto de estar deitado num caixão era um respeitável indício.
    Volta e meia, alguém vinha espreitar para dentro do caixão com uma expressão de condolências. Não me imaginava tão estimado. Hah! A morte pode roubar-nos a vida mas deixa-nos o sarcasmo.
    Mais um decidiu espreitar no caixão. Não me lembrava dele. Outro. Também não o reconhecia. Mais uma cabeça espreitou ao lado das outras. Não me lembrava de nenhum dos três rostos. O rosto da direita sorriu, com uma visível satisfação. O rosto da esquerda tinha uma expressão triste, como se fosse o único que sofria com a minha morte. O rosto do meio era desprovido de qualquer emoção.
    As três cabeças inclinaram-se mais sobre o caixão e, se eu não estivesse já morto, um ataque cardíaco não estaria completamente fora de questão. As três cabeças pertenciam ao mesmo corpo. Decididamente, não conhecia aquela pessoa.
    O rosto da esquerda começou a chorar sangue. O do meio continuou inexpressivo. O da direita subiu o canto da boca num sorriso psicótico. Num instante, deitou as mãos à lapela do meu impecável fato de morto e saltou para cima de mim. O fundo do caixão abriu-se e caímos os dois, ou os quatro, ou o que fizesse mais sentido, se é que algo podia fazer sentido. Foi como se caíssemos numa sepultura cavada de fresco, mas sem fundo, para lá das raízes mais velhas e apodrecidas.
    As paredes acabaram-se e fomos cuspidos pelo tecto cavernoso daquilo que parecia o útero ardente da terra. Bati com as costas no chão como um peso morto. O tipo das três cabeças saiu de cima de mim e agarrou-me por um tornozelo. Arrastou-me como se eu fosse um saco de batatas para a margem de um rio de água inquinada. O cheiro dava vontade de vomitar as tripas.
    Lembro-me de balbuciar uma pergunta idiota. “Quem és tu?” O rosto sem expressão disse: “O meu nome é Cérbero.” Sem grande esforço, atirou-me para uma barcaça onde já esperavam o barqueiro, outros dois tipos vestidos de mortos como eu, mais três mulheres vestidas como as famílias entenderam que as deviam exibir nos caixões, e uma miudinha enfiada num pijama todo rasgado e ensanguentado.
    A miudinha estava cheia de ferimentos e dois golpes profundos tinham-lhe sulcado os pulsos até romper as veias. Lembro-me de ter feito mais uma pergunta idiota. “O que está ela a fazer aqui?” Já se tinha tornado óbvio que aquilo era o Inferno que eu e os restantes merecíamos estar ali. Eu nunca fui um santo, é bem verdade. "Suicidou-se. Mas, isso, já  devias saber." A resposta do tal Cérbero não fez sentido.
   "Não foi ele.", disse a miudinha. “Tens a certeza?", perguntou-lhe. A miudinha acenou que sim. “Parece que houve um engano, meu amigo.”, disse o rosto sorridente, num tom de gozo. Dizer que houve um engano pareceu-me um eufemismo bem idiota. Eu estava morto e, pelos vistos, tinha-me calhado o Inferno numa rifa que não era minha.
   "Vais ficar aqui na margem enquanto resolvo o engano.", disse o rosto inexpressivo. E eu fiquei. Fiquei naquela margem a ver o tipo das três cabeças a arrastar pessoas pelo tornozelo vezes sem conta. O tempo fez-nos amigos.
    Conversámos acerca de eu ter sido assassinado pelo pai de uma miudinha que pensou que fui eu que a raptei e abusei dela. O rosto inexpressivo disse que compreendia o aborrecimento que isso podia representar para alguém inocente, mas que nem o Inferno estava livre da burocracia e que essas coisas levavam o seu tempo. Ao fim daquilo que devem ter sido uns cem anos, ou isso, o engano foi desfeito e, como espécie de indemnização, devolveram-me à vida. Quando parti, o rosto da esquerda ficou ainda mais triste. Hoje, ainda recordo tudo isso, mas é uma memória que já quase não existe.»
 
FIM

Parece que a amizade pode mesmo quebrar todas as barreiras (ou será o amor?).  Grin
« Última modificação: 07 de Fevereiro de 2010, 23:34 por Man. » Registado

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« Responder #7 em: 15 de Fevereiro de 2010, 19:39 »

"A maionese passou do prazo e tenho convidados a chegar em 20 minutos"
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« Responder #8 em: 03 de Maro de 2010, 19:28 »

Olá X!

Bons olhos te vejam por aqui.

Já que estás num fórum de BD, porque não tentas aliar as tuas palavras a imagens e fazes BDs?

Aposto que não terás problemas em arranjar talentosos para te ajudarem na tarefa.

Se tivesse mais disponibilidade oferecia-me mas já tenho o tempo todo contadinho. Lingua

Boa inspiração.

Rui Ramos
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« Responder #9 em: 09 de Maro de 2010, 23:45 »

pc13, aqui tens uma receita com uma pitada de insanidade.  Grin

"A maionese passou do prazo e tenho convidados a chegar em 20 minutos"

    «Interessante. Não nego a excitação que esta pequena atrapalhação me provoca. Pareço um idiotazinho franzino com medo de não impressionar a namoradinha parva com a cabeça cheia de posters de gajos da música e do cinema. É uma espécie de preliminares já sabendo, à partida, que não haverá sexo depois.
    Foi uma ideia imbecil convidá-los para jantar. Pronto, precipitei-me. Há que admitir. Ainda não estou preparado. Não sou o sacana do Hannibal. Lá isso não sou. Mas, também, o gajo é só uma personagem de papel. Eu cá, sou mais carne. Muito carnal que eu sou. hehe. Essa foi boa! Ou nem por isso. Fazer piadas e trocadilhos é uma maneira civilizada de lidar com esta ferrugem humana que me come por baixo da pintura social. Não quero nada disso. Quero que a tinta estale, descasque e desapareça de vez. Quero o monstro a sair-me da pele. Serei um monstro sagrado da nouvelle cuisine. hehe. Talvez um pouco de humor não seja assim tão mau quanto isso.
    Que merda! Eu podia perfeitamente ter temperado uns belos bifes da perna. Tinha logo de me armar em chef e cozinhar mioleira. Não sei o que raio me passou pela cabeça. Certo. Acabou-se o humor. Já começo a irritar-me a mim mesmo com estes trocadilhos idiotas.
    Devia ter preparado tudo ontem. Agora não andava para aqui à pressa. Demorou-me mais tempo do que pensava a lavar a mioleira. Retirar as peles e as cartilagens não é tão simples como parecia. Não é, não. O sacana do Hannibal fez a coisa com muito mais classe.
    Acho que já se deve ter tomado bem do tempero. Uns dentinhos de alho, salsa arrancada do ramo, umas pedrinhas de sal grosso, um copito de vinho branco e umas gotas de vinagre. Já está a marinar desde manhã.
    O azeite já está quente. Ora deixa cá ver outra vez a receita... hum... deitar a cebola, deixar refugar... sim, sim, refugar parece-me bem, coisa de cozinheiro entendido... sou um ás da cozinha, mas que raio! hehe. Agora, junta-se a marinada e é deixar cozer.
    Pronto. Ora vamos lá à salada indiana. Tudo o que era para cozer já está cozido. Como é que se mistura essa porcaria…? Deixa cá ver… sim, sim, misturar as sultanas, bananas às rodelas, sim, sim… certo…mais fruta, endívia às tiras, sumo de limão... envolver tudo em maionese com caril. Que chatice! Ainda tenho de preparar a maionese. Muito bem, deixa cá ver… caril (claro!), natas, pimenta e limão. Tudo certinho. É só juntar à… mas que grande merda! Fora de prazo?! Que grandessíssima merda! Não me vou agora pôr para aqui a fazer maionese caseira.
    Não olhes para mim com esses olhos parados no infinito, cabra! Detesto olhares de gente morta em cima de mim. Devia mesmo ter-te tirado três bifes da perna e estava o assunto resolvido! Mas nãããoooo…. eu tinha de me armar em cozinheiro. Assim, de repente, já não me está a parecer tão divertido ter convidado os teus pais para jantar e servir-lhes os miolos da filha com uma saladinha exótica a acompanhar.
    Que real merda! O melhor mesmo é enfiar-te na arca congeladora. Depois desmancho-te como deve ser e faço um bifezinho só para mim quando puser os teus pais a andar.
    Hum... que cheirinho bom! A mioleira está quase pronta. Tenho de pensar rapidamente num acompanhamento alternativo. A maionese passou do prazo e tenho convidados a chegar em 20 minutos.»

 Grin

Rui, já tenho dotes artísticos à disposição aqui: http://www.centralcomics.com/forum/index.php?topic=219.0  Wink
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« Responder #10 em: 10 de Maro de 2010, 15:27 »

Gostei imenso deste ultimo ! Só acho que podias ter metimo mais suspance, porque com aquela conversa do Hanibal percebi logo onde ia dar! Mas gostei bastante na mesma  Lingua!
Tens jeito para isto pá!
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« Responder #11 em: 10 de Maro de 2010, 19:49 »

A coisa mete miolos e canibalismo... o que há para não gostar?  Grin

Quanto ao suspense, bem, o texto está confinado a uma página A4; como eu sabia, à partida, que não havia espaço para arrastar a narração decidi enveredar por uma espécie de monólogo mental da personagem. Uma vez que ele sabia perfeitamente o que estava a fazer, e eu quis passar essa ideia introduzindo o leitor na cabeça dele, não havia razão para estar com grandes mistérios. Mas sim, se o texto fosse mais extenso, provavelmente, eu só faria a menção simbólica ao Hannibal após revelar a presença da mulher morta.  Wink

Já agora, para quem tiver curiosidade, podem encontrar os resultados de um tópico idêntico que criei em outro fórum, aqui: http://bang.saidadeemergencia.com/index.php?topic=1364.0  Sorridente
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