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Viagem à criação de Squid Game/Round 6

Squid Game (Round 6 no Brasil), uma série original da Netflix produzida na Coreia do Sul, é um fenómeno da plataforma de streaming. Disponibilizada a 17 de setembro, em apenas duas semanas a série tornou-se no título da Netflix mais assistido em 76 países, incluindo os EUA, Austrália e Coreia do Sul.

Ao longo de nove episódios, pessoas desesperadas e envolvidas em dívidas participam voluntariamente numa sequência de seis jogos de sobrevivência sádicos e mortais. O prémio para o vencedor é de 46,5 bilhões de won (cerca de 50 milhões de dólares). No início, os 456 participantes não sabem que há uma reviravolta. Só pode haver um vencedor – e os restantes participantes morrem no percurso.

A adaptação brutal de jogos infantis no centro de Squid Game capturou claramente a imaginação dos espectadores e também oferece uma metáfora surpreendentemente evocativa para a desigualdade socioeconómica, com a Coreia do Sul a ser frequentemente retratada como uma sociedade profundamente desigual e violenta.
Curiosamente, Parasitas (2019),  o filme vencedor dos Oscars de Bong Joon-Ho, já chamava a atenção para a desigualdade sócioeconómica da Coreia do Sul.



Uma análise à produção da série viral de sucesso


Squid Game tomou o mundo de assalto com a sua empolgante história de pessoas desesperadas que aceitam participar em misteriosos jogos para crianças, na esperança de ganharem um avultado prémio em dinheiro. Embora a série pareça estar a desfrutar de um sucesso instantâneo, o seu processo de criação foi longo e árduo para Hwang Dong-hyuk, o seu criador e realizador. Espreite agora os bastidores e veja como Squid Game ganhou vida.

Os primórdios


O realizador Hwang Dong-hyuk concebeu a ideia e começou a escrevê-la em 2008. Nas palavras do próprio, «o ano de 2008 foi também o da minha estreia. Nessa altura, frequentava muito as lojas de banda desenhada. Li muitas, comecei a pensar em criar algo como uma história de banda desenhada passada na Coreia e concluí o guião em 2009». Enquanto realizador, Hwang Dong-hyuk idealizou Squid Game inicialmente como filme.

Uma viagem árdua


Apesar de ter concluído o guião de Squid Game em 2009, Hwang Dong-hyuk teve de guardar a ideia na gaveta para trabalhar nos seus êxitos de cinema Silenced (2011), Miss Granny (2014) e The Fortress (2017), antes de poder criar a série. Tal como o próprio revela, «na altura, o conceito era demasiado estranho e violento. Houve pessoas que o acharam demasiado complexo e pouco comercial. Não consegui investimento suficiente, e as audições não foram fáceis. Fui tentando ao longo de um ano, mas acabei por ter de pôr a ideia de parte».

Dez anos mais tarde


Volvidos uns 10 anos desde a conceção de Squid Game, Hwang Dong-hyuk foi finalmente capaz de a atualizar e começar a trabalhar nela. Ele afirmou: «graças à Netflix, não houve quaisquer restrições, e foi-me dada a liberdade criativa para trabalhar como bem entendesse». Graças a esta oportunidade, o realizador expandiu a história em forma da série que agora cativa espetadores de todo o mundo.

A intenção por detrás da arte


Um dos aspetos visualmente mais notáveis da série é a sua estética única e colorida, que faz com que ela se destaque das demais histórias sobre sobrevivência. O diretor artístico Chae Kyoung-sun disse: «Criámos os locais e expositores com o intuito de fazer o espetador refletir connosco acerca das intenções ocultas de Squid Game». Os cenários em grande escala e as cores vibrantes transportam quem vê a série para um mundo realista, mas fantástico.

Meros jogos de crianças


O realizador Hwang Dong-hyuk escolheu deliberadamente jogos de crianças de que todos se lembram e que são fáceis de entender. No entanto, os detalhes por detrás deles mostram bem o planeamento meticuloso de cada ronda. Por exemplo, o primeiro jogo é uma partida de Jogo das Estátuas, que quase todos conhecemos. O robô foi feito à semelhança de uma rapariga dos livros didáticos, tornando a cena mais chocante ainda ao fazer de diversão infantil uma perturbadora luta pela sobrevivência.

Retratar emoções realistas


Os cenários enormes ajudaram às emoções realistas transmitidas pelos atores. O realizador Hwang Dong-hyuk disse: «Tentei simular a atmosfera de parques infantis, de forma a que os atores pudessem sentir que estavam realmente lá. Achei que este tipo de sets podia ajudar a tornar a atuação dos atores mais realista». A justaposição da urgência da sobrevivência num parque infantil inocente tem grande impacto emocional.

Criar nostalgia


Um dos sets mais difíceis de criar foi a réplica de típicos becos de bairro coreano dos anos 70 e 80. O ator Park Hae-soo comentou: «Parecia tão real, tal como os becos do passado. Era como se estivéssemos diante de verdadeiras casas do passado. Aquilo trazia uma estranha sensação de nostalgia e uma tensão muito peculiar». O ator Heo Sung-tae também louvou a equipa artística pela sua atenção ao detalhe, ao ponto de espalharem terra em várias partes dos becos.

Tornar a série universal e coreana


Juntos, todos estes aspetos criaram uma história que tem tanto de universal como de coreano. A maior parte dos jogos de crianças não tem grandes diferenças de país para país e alguns são autenticamente coreanos. As emoções humanas e a luta dos personagens vão tocar muitas pessoas, independentemente das suas origens. O realizador Hwang Dong-hyuk comentou que «enquanto jogo de sobrevivência, traz-nos entretenimento e drama humano».

Transmitir uma mensagem tocante


A série examina a natureza humana e a forma como mudamos desde a infância à idade adulta, mostrando-nos adultos que revisitam e jogam jogos de crianças. O realizador Hwang Dong-hyuk partilhou que «quis escrever uma história que fosse uma alegoria ou fábula da sociedade capitalista moderna, algo que retratasse a competição extrema, um pouco à semelhança da competição extrema da própria vida». Mas nem tudo é deprimente, uma vez que vemos os personagens lutarem pela sua humanidade e pela esperança. O comentário à natureza humana e à sociedade dá que pensar.

E agora, uma viagem vídeo aos bastidores:


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