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Séries: Análise — A League of Their Own

Um clássico dos anos 90 regressa em formato de série e com uma história bem mais próxima da realidade que a inspirou. Com estreia agendada para 12 de agosto A League of Their Own é um título a não perder na Amazon Prime.

A Segunda Guerra Mundial mudou o mundo a todos os níveis e serviu de catalisador para revoluções sociais profundas que definem a forma como hoje vivemos. A história de A League of Their Own decorre nesta época transformadora. Baseada no filme epónimo de 1992 (Liga de Mulheres, em Portugal) que acabou por se tornar um clássico do cinema, com um elenco recheado de estrelas que incluiu nomes como Tom Hanks, Geena Davies e Madonna, a série segue a formação e o percurso de uma equipa da liga feminina norte-americana de basebol e das jogadoras que a compõem. Com o conflito global a exigir soldados sem fim para combater, os homens tiveram de deixar o país e cabe às mulheres vestir as calças, arregaçar as mangas e desempenhar funções previamente vedadas ao sexo feminino o desporto não é exceção.

Os factos históricos são sobejamente conhecidos, mas A League of Their Own conta-nos a parte menos ‘idílica’ da história e baseia o enredo nas enormes vicissitudes que as mulheres e a comunidade negra tiveram de enfrentar para conseguirem moldar a sociedade que hoje pensamos ter por garantida. A história da série diverge completamente da do filme original. Se bem que mantém o humor ‘atrevido’ do clássico, vai mais além e revela-nos vários arcos pessoais repletos de drama, sofrimento, resiliência e superação, que fazem da história da série criada por Will Graham e Aby Jacobson bem mais completa.

Sinopse: um grupo eclético de mulheres forma uma equipa de basebol que acaba por se tornar a sua família. Entre dramas, alegrias e desafios sem fim ao seu estatuto social, estas mulheres provam que a determinação e o amor têm o poder de transformar mundos. Resta saber qual será o preço a pagar.

Recordo-me bem de A Liga da Mulheres, o clássico dos anos 90. Para mim, é um daqueles filmes que pairam na memória e que me provocam um ligeiro sorriso quando começam a passar os créditos finais: «Ah! Estas senhoras são umas verdadeiras heroínas. Até tiveram algumas dificuldades, mas de peito cheio e sorriso rasgado, ultrapassaram as dificuldades e venceram. Tudo está bem e a vida é boa». Mais recentemente, vi um documentário revelador que lançou algumas sombras sobre a perspetiva alegre que tinha do filme original. É verdade que a história do filme é fictícia, mas não deixa de ter inspiração na realidade. Percebi que o filme não contou a história principal: uma história de amor.

A série A League of Their Own não é assim. Embora bem conseguido, o humor aqui serve apenas de comic relief. Esta história é bem mais parecida com o que sabemos ser a realidade. É uma história de amor. Há muitas coisas que estão mal. Há muita injustiça. Na parte dos créditos finais de cada episódio, não dou por mim a esboçar um sorriso, mas sim a cerrar os dentes.

A League of Their Own é uma obra bem mais completa, na minha opinião, do que o clássico do cinema. Seja pela história de amor de Shaw e Greta, pelo calvário de Max ou os conflitos internos de Lupe, todos os arcos pessoais das personagens me parecem bem conseguidos e perfeitamente complementares ao enredo geral. Num contexto de transformações sociais marcadas por xenofobia, misoginia e racismo, as histórias individuais de cada uma destas mulheres inspiram sem a necessidade de ligeirezas cinematográficas anestesiantes. Shaw e Greta vivem um amor proibido sob ameaça de prisão, Max não baixa os braços face à constante primazia do preconceito sobre a competência, e Lupe define o conceito de resiliência. Estas, e outras, mulheres são verdadeiras heroínas. Não porque ultrapassam dificuldades com sorrisos rasgados, mas sim porque vencem e perdem entre sangue suor e lágrimas. Esta é uma história de meados do século XX, mas que continua atual no início do século XXI.

A League of Their Own é, por si só, uma excelente série dramática. O enredo prende-nos ao ecrã, o desempenho do elenco é irrepreensível e a temática é interessante. Mas este é um daqueles casos em que me parece que não podemos desconsiderar a base que lhe serviu de inspiração. Considero apenas justo mencionar como aspeto positivo que a série A League of Their Own não se limita a criar uma nova versão de A Liga das Mulheres, mas sim uma versão bem mais completa e que faz bem mais justiça às heroínas daquela época.

Não penso que existam pontos negativos a realçar ou que sejam evidentes. Talvez a série não perdesse se explorasse mais as personagens individualmente e não apenas as relações entre si. Mas os episódios não têm tempo ilimitado e diria que se adivinham outras temporadas no horizonte que o façam.

Classificação: 7,5/10

A League of Their Own é uma série comicodramática sobre uma temática tão relevante atualmente como nunca. Seja pela ficção cativante ou pela história socialmente relevante, os espetadores encontrarão em A League of Their Own um título que promete bons serões em frente ao ecrã. Não sendo exatamente uma série inovadora, é, se ponderarmos a melhoria em relação ao filme original, um verdadeiro ‘homerun’!

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