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Os Grandes Realizadores no Fantasporto 2024

O Fantasporto é, internacionalmente, um dos mais, se não o mais respeitado, festival em Portugal. A sua longevidade e a rede de contactos com as maiores produtoras em todo o mundo que foi construindo ao longo de 4 décadas fazem com que  um filme que seja convidado, acaba sempre por integrar a programação.

Nesta 44ª edição do Fantasporto há nomes importantes do cinema que enviaram filmes para competição, alguns que no passado nos trouxeram as suas primeiras obras, como é o caso do japonês Shinya Tsukamoto, conhecido pelos “Tetsuo”. Agora é um cineasta reconhecido e premiado no Festival de Veneza. No Fantas 2024 apresenta em competição “Shadow of Fire”. 

Também o holandês Ate de Jong, agora a trabalhar na América, vai apresentar em Antestreia Mundial, “Heart Strings”, ele que já foi em 2017 Prémio de Carreira do Fantasporto. Traz com ele os protagonistas, cantores profissionais de música “country, e o produtor e co-argumentista do filme Steven Gaydos, um dos grandes nomes da Bíblia do Cinema, a revista Variety e um argumentista/ jornalista cujos textos ainda são, fundamentais para a indústria cinematográfica.  

Mas Steven Gaydos vem também com mais do que todo o seu conhecimento e influência. Traz-nos um filme em que foi assistente de produção, “Cockfighter”, já considerado como de culto, da responsabilidade de dois dos nomes mais conhecidos da época de ouro do cinema independente norte-americano, o realizador Monte Hellman e o produtor Roger Corman, protagonizado por Warren Oates e Harry Dean Stanton. Mais, para se ver bem a importância deste filme, a ex-mulher e colaboradora de Hellman, Emma Webster, acompanham a exibição do filme, celebrando os 50 anos da sua estreia

 Notável também o primeiro filme do realizador Loïc Tanson, “The Last Ashes”, um épico passado no século XIX, e que foi a escolha do seu país para a nomeação aos Óscares.

Também Denys Arcand, um dos maiores nomes do cinema canadiano do Quebec, premiado em Cannes e nomeado para os Óscares, cujo filme “Testament” tem honras de abertura do festival no dia 1 de Março. Trata-se de mais um exemplo da excepcional visão deste cineasta.

Igualmente, Hideo Nakata, um dos realizadores japoneses mais celebrados e imitados do cinema de terror, que obteve fama mundial devido à sua obra-prima, “The Ring”, exibe no festival o seu mais recente filme, “The Forbidden Play”.

Um especial privilégio é também a exibição a concurso de “Bucky F*ucking Dent” de David Duchovny, cuja fama internacional se deveu sobretudo à série “X-Files”. Neste seu novo filme, Duchovny também desempenha, magistralmente, o papel principal.

David Duchovny

Atenção ao filme, “A Normal Family” da Coreia do Sul, cujo realizador, Jin-Ho Hur, é um dos mais influentes actualmente, sobretudo depois deste filme, um enorme êxito de bilheteira no seu país.  Veja-se também o filme brasileiro “Strange Path/Estranho Caminho” que fala dos problemas decorrentes da pandemia de Covid em Portugal e no Brasil.  O seu realizador, Guto Parente, tem tido presença nos festivais de San Sebastian e Roterdão.

Para descobrir no Fantasporto a cinematografia do Cazaquistão e o realizador Adilkhan Yerzhanov, um nome muito conhecido nos principais festivais mundiais. O seu “Goliath” é, sem dúvida, um exemplo da qualidade deste cinema habitual em Locarno, por exemplo, e cuja narrativa foi baseada em Maquiavel.

Homenageado nesta edição do festival e um das vozes mais actuais do Cinema belga, e vencedor da Secção Oficial Cinema Fantástico do Fantasporto no ano passado, o realizador Karim Ouelhaj traz ao festival “Parabola”, “Megalomaniac”, “Le Repas du Singe”, “L’Oeil Silencieux”, “Une Realité par Seconde”, retratos de um horror citadino. Vem acompanhado pela produtora dos seus filmes, Florence Saadi. O realizador  e a produtora vai participar numa Movie Talk no bar do BCC, sobre o “Novo Horror”.

Mais um nomeado para Óscares, o realizador húngaro Lajos Koltai, manda ao Fantasporto o seu recente “Semmelweiss”, uma grande produção  que serve uma história sobre um dos momentos capitais da medicina. O filme faz parte da retrospectiva “Visões do Cinema Hungaro” que é formada por filmes premiados já no Fantasporto, a rever numa oportunidade única e recentíssimas  produções. Também integrando esta retrospectiva o multipremiadoveterano realizador Árpad Sopsits apresenta dois filmes, um deles “Supporting Actors” em competição na Semana dos Realizadores e o premiado “Strangled”.   

Para descobrir a cinematografia chinesa de grande orçamento, este ano presente em força no Festival. Entre os filmes a não perder, com o Prémio do Melhor filme Chinês do ano, está “Creation of the Gods I: Kingdom of Storms”, exibido no fecho do Fantasporto, dia 10 de Março, uma superprodução que rivaliza em meios e efeitos especiais com os melhores filmes ocidentais. Também da China, dois magníficos thrillers,

Lost in the Stars” de Cui Rui e Liu Xiang e “Within” de Dalu Guo, ambos em competição na Semana dos Realizadores. Estes realizadores fazem parte da nova geração de cineastas. Chineses.

Mas não fiquemos por aqui. A Índia tem uma tradição de cinema muito forte, muito para além dos musicais. Um dos expoentes  mais seguros é Dr Bijukumar Damodaran, 3 vezes Prémio Nacional do seu país, com 23 prémios internacionais, um cineasta que já tinha surpreendido no Fantasporto com o premiado “Painting Life”, e que agora volta com “Invisible Windows”. E se há filme que levanta os problemas da industrialização e da instabilidade mundial actual é este. Está a concurso na Semana dos Realizadores e irá surpreender.

O festival vai apresentar 28 filmes em Antestreia Mundial, Internacional e Europeia. Recebeu ofertas de filmes de 68 países. Desses, 30 países estarão presentes na edição de 2024.

Aqui ficam as referências biográficas mais relevantes dos nomes citados:

Monte Hellman e “Cockfighter” 

Monte Hellman nasceu em 1929 em Nova York, mas cresceu em Los Angeles. Estudou Drama na Universidade de Stanford e Cinema na UCLA. Depois de trabalhar como encenador, ligou-se a Roger Corman no final dos anos 50 que lhe financiou a produção “À Espera de Godot”, a primeira vez que a peça de Samuel Becket foi apresentada em Los Angeles. O seu primeiro filme foi “Beast from Haunted Cave” (1959) e realizou algumas cenas no filme de Corman “The terror” (1963). Ligou-se ainda a Jack Nicholson em dois filmes, “Back Door To hell” (1964) e “Flight to Fury” (1964). Segue-se uma carreira em que foi aclamado pela crítica, sobretudo, “Road to Nowhere (2010) que ganhou o Leão de Ouro e outro pela Carreira do realizador no Festival de Veneza. É considerado por Quentin Tarantino um dos realizadores que mais o influenciou e o convidou para o seu primeiro filme “Reservoir Dogs”, de que é produtor executivo. “Cockfighter” conta com o muito popular Warren Oates (de “The Wild Bunch” de Sam Peckinpah e de “Badlands” de Terrence Malick) e Harry Dean Stanton, com mais de 200 filmes e que faria o seu melhor papel em “Paris Texas” de Wim Wenders.

 Denys Arcand e “Testament “(Parece que Estou a Mais)

 Um dos mais proeminentes cineastas canadianos, nascido no Quebec com mais de 40 prémios internacionais, foi nomeado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com “Les Invasions Barbares” em 2004. Este filme acumulou outros prémios como César de Melhor Filme e Melhor Realização, e filme vencedor do Melhor Argumento no Festival de Cannes 2003. O realizador é também conhecido por filmes marcantes como “Jésus de Montreal” (1989), Prémio Especial do Juri no Festival de Cannes entre outros, ou “The Decline of the American Empire” (1986). “Testament” (2023) é a sua longa-metragem mais recente. A fama que precede Denys Arcand, cineasta canadiano do Quebec, e o seu olhar crítico e satírico sobre os males do mundo moderno estão bem claros nesta longa-metragem.

 Hideo Nakata e “The Forbidden Play “

Um dos mais famosos realizadores japoneses do horror, realizou “The Ring” (1998), considerado pelo The Guardian um dos melhores 100 Filmes de Todos os Tempos, vencedor dos Festivais de Bruxelas e de Sitges, e de que foi feito “remake” pelos Americanos. Realizou ainda “Ring 2” (1999) e “Dark Water” (2002), que foi Silver Raven no Festival de Bruxelas. Em Cannes apresentou “Chatroom” em 2010. Já com 11 prémios internacionais, os seus filmes foram ainda premiados em Chicago, Gérardemer, Fantasia no Canadá, e Puchon na Coreia de Sul.

David Duchovny e “Bucky F*cking Dent”

David Duchovny nasceu em 1960 em Nova Iorque e estudou nas Universidades de Princeton e Yale, licenciando-se em Literatura Inglesa. A sua carreira inicia-se como actor em “New Year’s Day” (1989) e “Bad Influence” (1990). Foi na televisão que alcançou fama, primeiro com “Twin Peaks” onde interpretou o agente Dennis Bryson e sobretudo em “The X-Files” onde obteve sucesso internacional como o agente Fox Mulder. Realizou alguns episódios desta série e depois a série “Californication” (2008-2014). “Bucky F*cking Dent” (2023) é a sua segunda longa-metragem para cinema.

Shinya Tsukamoto e “Shadow Of Fire”

Um dos “enfants terribles” do cinema japonês, Shin’ya Tsukamoto veio ao Porto em 1992 e fez tremer o público do Fantasporto com a sua saga “Tetsuo”. Agora, anos mais tarde e com grande reconhecimento internacional, volta num registo totalmente diferente.

Este realizador japonês já apresentou cerca de uma dezena dos seus filmes no Fantasporto, entre os quais “Tetsuo: the Iron Man” (1989), “Tetsuo: Body Hammer” (1992) , na presença do realizador, “Ichi the Killer” (2001), “Vital” (2004) e “A Snake of June”( Prémio de Melhor Actriz e Juri em 2003). Também conhecido por “Tetsuo: The Bullet Man” (2009), “Killing” (2018), “Fires on the Plain” (2014) e “Kotoko”. “Shadow of Fire” fez parte da seleção do Festival de Veneza 2023.

 

Jin-Ho Hur  e “A Normal Family”

Realizador nascido em 1963, concluiu o curso na Academy of Film Arts. A sua primeira curta-metragem, “For Kochal”, foi selecionada para o Vancouver Film Festival. Com um tema recorrente, o Amor, e já com 16 prémios internacionais, realizou entre outras, as longas-metragens “Christmas in August” (1998), que foi exibida na Semana de Crítica de Cannes, selecionado para o Chicago Film Festival e vencedor do Prémio da FIPRESCI em Pusan. Seguiu-se “One Fine Spring” (2001), “April Snow” (2005) e “Good Rain Knows” (2009).

Loïc Tanson e “The Last Ashes”

Este filme é o candidato aos Oscares pelo Luxemburgo. O realizador conhecido pelo documentário “Eldorado” ( 2016) e a curta-metragem “Sur Le Fil” (2017). Trabalhou ainda para televisão como realizador de “Come Back” (2013) e “Routwaïssgro! (2015-2018). “The Last Ashes” (2023) é a sua primeira longa-metragem de ficção.

Ate de Jong e “Heart Strings”

Ate de Jong nasceu em 1953 em Aardenburg, Zeeland, nos Países Baixos. Realizador e argumentista conhecido por “Drop Dead Fred” (1991), “The Rotterdam Bombing” (2012), vencedor do Stony Brook Film Festival, “Highway to Hell” (1991) , hoje considerado já um filme de ciluto, e “Love is Thicker than Water” (2016) entre outros. Foi Prémio Carreira do Fantasporto 2017. “Heart Strings” é a sua nona longa-metragem e tem Antestreia Mundial no Fantasporto 2024.

Guto Parenter e “Strange Path / Estranho Caminho

Guto Parente é um realizador brasileiro nascido em 1983, é presença habitual nos maiores festivais do mundo, entre eles San Sebastián e Roterdão. É conhecido, entre outras, pela suas longas-metragens, “Road to Ithaca” (2010), “O Estranho Caso de Ezequiel” (2016), “My Own Private Hell / Inferninho” (2018), sendo a já muito premiada “Estranho Caminho” (2023) a sua sétima longa-metragem. Foi selecção dos festivais de Nashville, San Sebastián, Varsóvia e Tribeca de Nova Iorque, onde recebeu 4 prémios, entre os quais Melhor Argumento e Melhor Actor.

Adilkhan Yerzhanov e  “Goliath”

Este realizador multipremiado traz -nos um filme que esteve na seleção do Festival de Veneza. Nasceu em 1982, realizador e argumentista, já venceu 13 prémios internacionais e é presença regular no Festival de Veneza onde já apresentou este “Goliath”   e “Yellow Cat” (2020). É ainda conhecido por “The Plague of Karatas Village” (2016), premiado no Festival de Roterdão, e “A Dark, Dark Man” (2020), entre outros. Os seus filmes são apresentados em grandes festivais como San Sebastian, Cannes, Montréal, Tallinn ou Veneza.

Karim Ouelhaj e “Parabola”, Megalomaniac”, “Le Repas du Singe”, “L’Oeil Silencieux”,  “Une Realité par Seconde”

Homenageado no Fantasporto 2024, este realizador, escritor e produtor belga. A sua primeira longa-metragem “Parabola”, foi seleccionada para o Festival de Veneza na secção oficial Giornatti degli Autori Venice Days. Este filme venceu ainda o Prémio Federico Fellini em 2006 nos EUA, entre outros galardões. Foi a primeira longa-metragem de um tríptico dedicado à sociedade, e que incluiu “La Repas du Singe” (2013), Melhor Actriz no Festival de Roma, e “Une Realité para Seconde” (2015). Em 2016, a sua curta-metragem fantástico “L’Oeil Silencieux” venceu o Grande Prémio e o Méliès D’Argent no Festival de Bruxelas e foi seleccionado, e premiado, em inúmeros festivais. “Megalomaniac” (2022), a sua quarta longa-metragem, inspirada na história verdadeira do Carniceiro de Mons, obteve mais de 20 prémios internacionais, incluindo Melhor Filme no Fantasia (Canadá), Melhor Filme de Horror no Macabro Film Festival (México) e Melhor Filme, Realização e Actriz no Fantasporto 2023. Vem acompanhado pela sua produtora habitual, Florence Saadi.

Lajos Koltai  e “Semmelweiss”

Entre outros prémios prestigiados, o realizador Lajos Koltai foi nomeado para um Oscar como director de fotografia por “Malena” (2000) e venceu um Prémio do Cinema Europeu com “Sunshine” (realizado pelo vencedor do Oscar István Szabó em 1999). Foi também responsável pela fotografia de outros films nomeados para o Oscar como “Colonel Redl” (1985) e “Hanussen” (1988), e o vencedor do Oscar “Mephisto” (1981). SEMMELWEIS é o seu 3º filme como realizador que sucedeu a “Evening” (2007) com Vanessa Redgrave, Natasha Richardson e Claire Danes.

Árpad Sopsits  e “Supporting Actors”

O premiado realizador Árpád Sopsits estudou na Academia de Teatro e Cinema. A sua primeira longa-metragem foi “Shooting Gallery” (1989) que teve estreia na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes onde foi premiada. Seguiram-se outras, como “Videoblues” (1992) e “Abandoned” (2000) igualmente premiadas. Depois vieram, entre outros filmes, “The Seventh Circle” em 2009, Melhor Filme do Festival de Amsterdão, e “Strangled” (2016) que integra esta Retrospectiva Húngara. Em competição na Semana dos Realizadores do Fantas 2024.

Dr Bijukumar Damodaran e “Invisible Windows “

Realizador três vezes vencedor do Prémio Nacional de Cinema da Índia e selecionador para os Óscares em 2015, apresentou o seu primeiro filme, “Saira” em 2007 no Festival de Cannes. Seguiram-se outros filmes que receberam inúmeros galardões por todo o mundo, nomeadamente no Festival de Shanghai, Cannes, Moscovo, Chicago, Tallin e também no Fantasporto com “Painting Life” (2018) onde foi Prémio da Crítica. Com 23 prémios internacionais, é, entre outros, conhecido também por “Birds with Large Wings” (2015), “Sound of Silence” (2017), vencedor do Festival de Cincinatti, e “Trees Under the Sun” (2019), premiado como Melhor Filme em Toulouse.

Wuershan e “Creation of the Gods1: Kingdom of the Storms”

Nasceu em 1972 na Mongólia. Estudou na Academia Central de Belas Artes e depois na Academia de Cinema de Beijing. Em 2004 produziu e realizou “Soap Opera” que ganhou o Prémio FIPRESCI no Festival de Busan. Seguiu-se “The Butcher, the Chef and the Swordsman” (2011) que venceu o Golden Horse de Realização e de Argumento. Seguiu-se uma premiada carreira com “Mijin: The Lost Legend” (2015), o segundo maior êxito de bilheteira na China. “Creation of the Gods I: Kingdom of Storms” (2023) é a sua mais recente super-produção, vencedora do Prémio de Melhor Filme Chinês do Ano.

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