Jogos: Tomb Raider 4-6 Remastered – Análise
Será que Tomb Raider 4-6 Remastered é um tesouro ou apenas uma relíquia cheia de pó?
Jogo: Tomb Raider 4-6 Remastered
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedor: Aspyr
Editora: Aspyr
Desenterrar a história dos videojogos pode ser tão emocionante quanto as expedições de Lara Croft. A trilogia remasterizada dos três primeiros Tomb Raider foi um sucesso, e agora a Aspyr voltou ao passado para recuperar os três títulos seguintes: The Last Revelation, Chronicles e The Angel of Darkness.
A joia da coroa desta coleção é, sem dúvida, Tomb Raider IV: The Last Revelation. Lançado originalmente em 1999, foi criticado na altura por não inovar o suficiente, mas a perspetiva muda com o tempo. Na verdade, The Last Revelation representa o auge do Tomb Raider clássico, refinando tudo o que tornou a série lendária.
Situado nas ruínas do antigo Egito, o jogo oferece uma experiência atmosférica e puzzles complexos que recompensam os jogadores atentos. Os níveis são amplos e bem concebidos, tornando a exploração ainda mais envolvente. Existem também momentos memoráveis para os fãs de longa data, como finalmente descobrir a origem da icónica mochila de couro de Lara (embora não se explique como ela consegue carregar um pequeno arsenal lá dentro). Há algumas frustrações—os balanços nas cordas são um pesadelo, e o cenário egípcio pode tornar-se repetitivo. Mas comparado com o que vem a seguir, este jogo é uma verdadeira aula de Tomb Raider clássico.
Quando Tomb Raider: Chronicles foi lançado em 2000, a Core Design já estava a mostrar sinais de cansaço. Era o quinto Tomb Raider em cinco anos, e isso transparece. Não é um desastre, mas falta-lhe alma. O design dos níveis perdeu o sentido de mistério e aventura das edições anteriores, e a narrativa—contada através de flashbacks após Lara ser dada como morta—sente-se desconexa.
E então há The Angel of Darkness, a infame tentativa de 2003 de reinventar Tomb Raider para a era da PlayStation 2. Em vez de plataformas ágeis e resolução de puzzles, temos um controlo pesado, saltos desajeitados e um sistema de resistência que torna Lara mais fraca do que nunca. A tentativa de criar um mundo semiaberto e diálogos ao estilo RPG era ambiciosa, mas ficou a meio caminho, resultando numa experiência frustrante e inacabada.
Embora a remasterização tenha melhorado os controlos e restaurado algum conteúdo cortado, a experiência base continua a mesma. Por muito que se tente, Angel of Darkness continua a ser um jogo estruturalmente falhado.
A remasterização faz o essencial: garante que estes jogos antigos correm suavemente em hardware moderno. Mas enquanto The Last Revelation tira proveito disso, Chronicles e Angel of Darkness continuam medianos, na melhor das hipóteses.
Os visuais atualizados têm altos e baixos. Alguns cenários estão mais nítidos, mas outros perdem o charme original. As cores muitas vezes parecem mais apagadas, e as sombras profundas podem obscurecer detalhes importantes. O esquema de controlo modernizado também entra em conflito com os níveis originalmente concebidos para controlos estilo tanque, levando a momentos frustrantes.
Resta concluir que, a coleção Tomb Raider 4-6 Remastered é um misto de qualidade. The Last Revelation continua a ser um jogo fantástico, e tê-lo acessível nas plataformas modernas é uma mais-valia. Chronicles e Angel of Darkness, por outro lado, servem mais como peças de curiosidade histórica do que como títulos essenciais. Para os fãs de longa data, esta coleção é um pedaço fascinante da história dos videojogos. Mas para quem está a descobrir a série agora, a primeira trilogia remasterizada continua a ser a melhor porta de entrada.
Nota: 5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






