Jogos: Tales of Xillia Remastered – Análise
Tales of Xillia Remastered traz de volta o adorado clássico JRPG, agora com visuais mais nítidos e combates mais fluidos.
Jogo: Tales of Xillia Remastered
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Bandai Namco
Editora: Bandai Namco
Quando Tales of Xillia foi lançado pela primeira vez na PlayStation 3, em 2011, sentiu-se como uma celebração, uma carta de amor aos fãs da longa série da Bandai Namco. Agora, mais de uma década depois, Tales of Xillia Remastered chega como parte do “Tales of 30th Anniversary Remastered Project”, com o objetivo não de reinventar, mas de refinar. E, nesse sentido, cumpre o seu propósito: é uma recriação respeitosa de um título querido pelos fãs, que pode já não deslumbrar como um JRPG moderno, mas continua a cativar pelo coração, pelo elenco e pelo sistema de combate.
O mundo de Rieze Maxia mantém-se tão fascinante como sempre, um lugar onde humanos e espíritos coexistem, as suas vidas entrelaçadas pela mana e pela política. Os dois protagonistas, Jude Mathis e Milla Maxwell, oferecem duas perspetivas sobre este mundo: Jude, o estudante de medicina de olhos curiosos, e Milla, a encarnação estoica de uma entidade divina. O jogador escolhe um no início, mas a verdade é que ambos os caminhos contam essencialmente a mesma história, uma experiência ousada para a época que hoje se sente mais como uma pequena bifurcação do que como uma verdadeira divergência. Ainda assim, a rota de Jude continua a ser a melhor porta de entrada para novos jogadores, enquanto os veteranos poderão apreciar o ponto de vista mais distante e analítico de Milla.
Narrativamente, Xillia joga pelo seguro. A sua história de fé versus ciência e a ligação entre a humanidade e os espíritos é competente, por vezes profunda, mas frequentemente subdesenvolvida. O que a salva, tanto antes como agora, é o seu elenco. As personagens coloridas, desde o astuto mercenário Alvin (brilhantemente interpretado por Matthew Mercer) até à adorável Elize e a sua boneca falante, sustentam o peso emocional da narrativa. E, claro, os “skits”, essas pequenas conversas emblemáticas da série, continuam tão encantadores como sempre. Injetam humor, calor e contexto essencial no mundo, ainda que os ligeiros atrasos no seu disparo nesta remasterização possam pôr a paciência à prova.
O combate continua a ser a joia da coroa. O Dual Raid Linear Motion Battle System mantém-se vibrante, fluido, rápido e construído em torno da engenhosa mecânica de ligação, que transforma as batalhas em duetos dinâmicos. A inteligência artificial dos companheiros é, em geral, competente, encadeando Link Artes de forma quase perfeita, embora por vezes tenha falhas ocasionais. Os combates regulares podem tornar-se repetitivos depois de dominar o ritmo, e alguns chefes prolongam as lutas com barras de vida inflacionadas e armaduras excessivas. Ainda assim, poucos JRPGs daquela era transmitem tanta energia em movimento, e o desempenho estável a 60 FPS nas consolas modernas ajuda-o a brilhar.
Enquanto remasterização, trata-se mais de um polimento fiel do que de uma transformação. Modelos mais definidos, animações mais suaves e um punhado de melhorias de qualidade de vida, como o marcador dourado de missões, a opção de ativar ou evitar encontros aleatórios e o acesso antecipado à Grade Shop, tornam a experiência bem mais acessível. No entanto, a idade nota-se: a geometria dos ambientes é simples e algumas animações faciais roçam o estranho (desculpa, Alvin). A banda sonora, porém, continua intemporal, e os temas orquestrais de Sakuraba soam mais ricos do que nunca.
No fim, Tales of Xillia Remastered não é uma redescoberta, é uma homenagem. É o passado da série tornado acessível, uma oportunidade de revisitar uma das suas aventuras mais cativantes com o conforto moderno.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






