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Jogos: Dark Quest 4 – Análise

Dark Quest 4 revive o espírito de HeroQuest com masmorras iluminadas por velas, táticas inteligentes e um toque de loucura guiada pelos dados.

Dark Quest 4

Jogo: Dark Quest 4
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Brain Seal Ltd
Editora: Brain Seal Ltd

Dark Quest 4
Há uma linha ténue entre nostalgia e retrocesso, e Dark Quest 4 percorre-a com uma confiança surpreendente. Depois da estrutura experimental e pesada em grind de Dark Quest 3, a mais recente entrada da Brain Seal dá uma reviravolta ousada, abandonando a repetição roguelite em favor de uma homenagem artesanal aos clássicos dos jogos de tabuleiro. Pensa em HeroQuest no ecrã: heróis em miniatura, masmorras de cartão e aquele acolhedor ambiente de “sexta-feira à noite com os amigos”.

Desde o início, Dark Quest 4 assume-se orgulhosamente como old-school. A sua apresentação em estilo jogo de tabuleiro é deslumbrante, com azulejos de diorama com aspeto de pintura a óleo, figuras de heróis com um brilho plástico que tilintam ao mover-se e uma atmosfera iluminada por velas que transborda charme. Os visuais não procuram o realismo, mas sim a autenticidade: parece literalmente uma mesa que poderias tocar. É uma forma inteligente de transformar limitações orçamentais numa identidade visual.

Dark Quest 4

A premissa? Fantasia pulp simples. Um necromante maléfico chamado Gulak anda a raptar aldeões para construir um monte grotesco de carne, e o Imperador convoca heróis para o deter. E pronto. Não esperes uma narrativa épica, Dark Quest 4 sabe bem o que é: uma série de missões curtas, cada uma desenhada como uma sessão única de D&D. O verdadeiro contador de histórias é o Mestre da Masmorra, um narrador teatral e vilanesco que te provoca e goza enquanto descreve cada sala. É hilariante e envolvente quando resulta, cansativo e repetitivo quando não.

A jogabilidade segue à risca o guião da fantasia de tabuleiro: move o teu grupo por masmorras em grelha, lança dados invisíveis para acertar ataques e reza para que o deus do RNG esteja do teu lado. O combate por turnos é deliberado e ágil, mas a aleatoriedade tem o seu preço. Podes perder um turno porque o teu Bárbaro “ficou com medo de um esqueleto”, ou ver a tua equipa inteira ser aniquilada após uma explosão em cadeia de galinhas blindadas (sim, a sério). É uma diversão caótica, até deixar de ser.

Dark Quest 4

Fora do combate, o acampamento central liga tudo. Desbloqueias novas habilidades com Torik, o Treinador, preparas poções com Morga, a Alquimista, e geres a fadiga do grupo, um sistema interessante que incentiva a rotação e a experimentação. Infelizmente, a interface é algo desajeitada e, a meio do jogo, estarás cheio de ouro sem nada de realmente útil em que o gastar.

As falhas estão sobretudo na qualidade de vida. Mover heróis por corredores estreitos pode ser frustrante, a interface às vezes atrapalha mais do que ajuda, e a dedicação do jogo ao “realismo de tabuleiro” por vezes prejudica a jogabilidade. Ainda assim, quando tudo encaixa, especialmente no modo cooperativo para três jogadores, é pura, aconchegante e táctil diversão estratégica.

O trunfo inesperado? O Modo Criador, um editor completo de mapas e missões que permite aos jogadores construir, partilhar e rejogar masmorras personalizadas sem fim. Transforma Dark Quest 4 de uma viagem nostálgica num projeto comunitário vivo.

Dark Quest 4

Resta concluir que Dark Quest 4 não é revolucionário, mas é uma homenagem cuidadosamente feita ao jogo de tabuleiro físico, que troca complexidade por charme.

Nota: 7,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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