Jogos: Análise – The Eternal Castle [REMASTERED]

The Eternal Castle chega à Nintendo Switch! O aguardado remaster deste clássico dos anos ’80 acaba de se juntar ao catálogo Nintendo.

The Eternal Castle

 Excepto que não é aguardado, nem é um remaster, nem é um clássico.

Num golpe de génio, The Eternal Castle elegeu combater o resto do mercado retro-moderno ao inventar uma mirabolante história de um jogo que nunca existiu, o tal The Eternal Castle original de 1987.

A narrativa é simples. Somos postos nos pés de Adam ou Eve, pilotos do ambíguo futuro que aterram num planeta Terra dizimado pela guerra e a radiação. Cabe-nos sobreviver, reconstruir a nossa nave, e salvar uma mulher que por alguma razão nos é importante.

A ambiguidade não contribui para o jogo, mas a apresentação gráfica mais que compensa. Todas as paletes são limitadas a quatro cores: Preto, Branco e duas variantes de Vermelho ou Azul. O choque visual é ajudado por fluídas animações e soberbos mapas, é verdadeiramente difícil resistir à tentação de encher a memória da Switch com capturas de imagem ou capturas de Vídeo.

The Eternal Castle

Não surpreendo ninguém quando digo que The Eternal Castle é uma homenagem, um preservar do legado dos side-scrollers cinemáticos. As semelhanças com Prince of Persia são demasiadas para ignorar, mas isso não traz só coisas boas.

O gameplay têm alguns altos e baixos; tanto nos pode ser oferecido um divertido puzzle, como uma injusta horda de adversários. Esta inconsistência na dificuldade poderia ser atribuída à geração semi-procedimental de mapas, mas não me cabe falar a respeito de características que não experimentei, ou se experimentei não dei conta. Asseguram-se assim os dissabores a cada game over, sejam eles causados por saltos de dificuldade, atrasos de input (aparentemente propositados), ou pelo sentimento de impotência durante as animações de certos movimentos e ataques.

Isto para não falar dos bugs com os quais me cruzei, muito menos dos problemas sonoros. Ao início temi que os meus auscultadores estivessem estragados, logo a seguir o receio virou medo existencial que o processamento sonoro da minha Switch tivesse sido comprometido por algum mau uso ou problema técnico. Estava à procura de papeladas da garantia quando percebi que tinha outros jogos na consola. Uma rápida visita à minha ilha no New Horizons acalmou o meu pobre coração e despoletou em mim um misto de fúria e pena atroz.

Dever-se-á a codecs ou outras “digitalisses” que tal? As análises na página de Steam do Jogo omitem defeitos do áudio, no entanto, as críticas à versão para Nintendo Switch são vocais neste aspeto. Uma pena, porque a banda sonora é grande parte do apelo do jogo.

  Crítica - Yummy (2020)

The Eternal Castle

Com isto, a dificuldade tem momentos em que se torna uma montanha-russa, a banda sonora vai de genial para o limiar da dor mais rápido que o Lucky Luke alveja a própria sombra, os bugs a certo ponto aparecem com tanta frequência quanto as moscas numa tarde de Verão, o jogo responde aos inputs como aquela preguiça engraçada do Zootrópolis, a do meme.

E contudo, é um deleite para os olhos, com mecânicas minimamente curiosas e, no pior dos casos, despacha-se numa tarde.

Não sei até que ponto recomendaria a versão Switch no lugar das versões PC, Mac ou Linux. Embora o jogo corra de forma competente em modo handheld (pelo menos ao início), não escondo o desgosto de não me ser permitido jogar com os Joy-Con separados da unidade, algo que impossibilitou a experiência multiplayer local durante o período de análise.

É me difícil explicar o quão antinatural é não poder jogar um modo multijogador na Nintendo Switch com recurso aos Joy-Con. É para esse mesmo efeito que eles se separam da consola, foram desenvolvidos para funcionarem como comandos individuais!

Ter um jogo na Switch que rejeite esta sua mecânica, para não dizer filosofia, principal magoa-me profundamente, tanto mais quando sei que teria tido uma experiência muito mais positiva caso tivesse jogado The Eternal Castle com companhia. A minha frustração é inconsolável, esta mudança mínima teria enaltecido imensamente a versão para Nintendo Switch. Resta esperar que a compatibilidade com os Joy-Con venha num futuro update. Enfim, é da forma que não regresso ao jogo tão cedo. A menos, claro, que alguém queira trazer um Pro Controller, mas nesse caso mais vale ir logo para o Smash.

Convém ainda mencionar que há high scores e modo online, não tive coragem de ver o primeiro nem de experimentar o segundo. Honestamente, nem sei se estas features já estão implementadas, sendo que, aquando a escrita desta análise, o jogo ainda não estava disponível para compra.

The Eternal Castle

É uma experiência surreal, tanto no bom como no mau sentido. The Eternal Castle encontrará o seu lugar nos pódios de públicos de nicho, mas o jogador casual menos investido nos platformers clássicos dificilmente irá acabar esta aventura, por muito breve que seja.

Não é uma questão de dificuldade, mas sim de paciência.

Sem dúvida vale a pena ver este jogo, mas para isso um playthrough no YouTube chega.

Classificação: 4/10

The Eternal Castle [REMASTERED] está disponível no Nintendo Switch (Américas e Europa) por 14,99 USD / EUR, e no Windows PC através da Steam (19.87 BRL / 5.99 EUR) e Utomik.

Henrique Correia

Jovem dos 7 ofícios com uma paixão enorme por tudo o que lhe ocupe tempo. Jedi aos fins-de-semana!

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