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Frontier Scum: More Rulebook – Quando o Velho Oeste Cheira a Pólvora, Suor e Más Decisões

A nova edição More Rulebook, publicada pela Free League Publishing em parceria com a Games Omnivorous, pega no já peculiar Frontier Scum e oferece mais conteúdo sem destruir aquilo que tornou o jogo especial. Continua a ser um RPG de western ácido, estranho, brutal e muitas vezes hilariante, mas agora vem com mais opções para os jogadores e mais ferramentas para os mestres criarem histórias de desgraça memoráveis.

Afinal, o que é Frontier Scum?

Frontier Scum define-se como um “Acid Western”. Se nunca ouviram o termo, não se preocupem. Eu também precisei de pesquisar antes de perceber que isto não era um género em que os cowboys consomem estupefacientes. 

O conceito vem de um subgénero cinematográfico onde o Oeste é apresentado como um lugar decadente, surrealista e existencialista. Aqui não existem xerifes virtuosos nem cavaleiros da justiça. Os protagonistas são ladrões, assassinos, vigaristas, jogadores compulsivos e todo o tipo de indivíduos que nunca ter querias cruzar com eles na rua.

O cenário chama-se Lost Frontier, uma terra onde a ganância, a violência e a má sorte parecem ser recursos naturais mais abundantes do que água potável.

Frontier Scum: More Rulebook

O que traz o More Rulebook?

A nova edição não reinventa o jogo. Em vez disso, faz aquilo que uma boa edição revista deve fazer: acrescenta conteúdo útil sem complicar o sistema.

Entre as novidades encontramos:

  • Novos antecedentes para personagens, aumentando significativamente as possibilidades de criação.
  • Novas tabelas de nomes e geração aleatória.
  • Regras opcionais para combates com armas de fogo.
  • A aventura completa Escape the Organ Rail.
  • Edição em capa dura com um visual ainda mais impressionante.

O sistema continua extremamente leve. As personagens são definidas por quatro atributos simples: Grit, Slick, Wits e Luck. Em poucos minutos estamos prontos para entrar em jogo e começar a tomar decisões que inevitavelmente acabarão por nos colocar numa cova.

Uma das mecânicas mais interessantes continua a ser o facto de as armas de fogo acertarem automaticamente na maioria das situações. Parece estranho à primeira vista, mas muda completamente a forma como encaramos os confrontos. Ninguém fica parado a trocar tiros como se estivesse num videojogo. Quando uma bala pode acertar sem discussão, a cobertura passa imediatamente a ser a melhor amiga de qualquer pistoleiro.

Outra coisa que achei piada é que um chapéu pode literalmente salvar a vida de uma personagem. Achei poético em sobreviver porque uma bala destruiu o chapéu em vez da cabeça. 🙂

Frontier Scum: More Rulebook

Um livro que parece ter vindo de 1880

Frontier Scum continua a ter uma apresentação agridoce.

Enquanto muitos RPGs modernos optam por layouts limpos e organizados, Frontier Scum parece um jornal velho encontrado numa estação abandonada no meio do deserto. Entre anúncios estranhos, ilustrações envelhecidas, rumores e tabelas aleatórias, o livro transforma-se quase num objeto de coleção.

Não é apenas bonito. É temático. Cada página ajuda a vender a ideia daquele mundo decadente e absurdo.

Vale a pena?

Ora bem, o jogo continua a respirar a influência de Mörk Borg, mas já possui identidade suficiente para caminhar sozinho. O sistema é simples, rápido e mortal, mas sem cair na armadilha de ser apenas um exercício de crueldade gratuita. A letalidade existe para criar tensão, não para castigar jogadores.

Também gosto muito da forma como o cenário evita os clichés habituais do Weird West. Não há uma invasão permanente de monstros, zombies ou horrores cósmicos. Quando algo estranho acontece, sente-se realmente estranho. O surreal existe porque contrasta com a realidade daquele mundo miserável.

Outro ponto forte é o humor negro. Quase tudo em Frontier Scum oscila entre o trágico e o ridículo. Um cavalo com hábitos estranhos, um criminoso procurado por razões absurdas ou um duelo que termina porque alguém tropeçou na própria estupidez. O jogo parece compreender que o Velho Oeste é um excelente palco tanto para tragédias como para anedotas.

Frontier Scum: More Rulebook

Nem tudo é perfeito, claro.

O conceito de “Acid Western” pode ser uma barreira para muitos jogadores. É fácil explicar fantasia medieval. É fácil explicar ficção científica. Mas explicar um western existencialista, surreal e ocasionalmente alucinatório pode exigir uma apresentação mais longa do que a própria criação de personagem.

Além disso, quem procura campanhas longas e progressão complexa talvez não encontre aqui aquilo que deseja. Frontier Scum brilha especialmente em campanhas curtas, one-shots e histórias intensas onde o perigo está sempre presente.

E, apesar de ter elogiado todo o visual do livro… sim, é bonito… mas também é algo confuso. Tem muitas partes divididas, recortes, etc, e em várias páginas uma fonte muito pequenina. Um jogo que merece ser jogado à luz de um candeeiro de petróleo, mas que no fundo precisamos de uma boa luz para o poder ler. E o formatinho não ajuda.

Veredicto

Se gostam de westerns estranhos, personagens condenadas desde o primeiro minuto e histórias onde a linha entre o drama e a comédia é tão fina quanto um fio de cabelo preso num revólver, este jogo merece atenção. No fundo, Frontier Scum faz uma promessa simples: vocês não serão heróis. Serão escumalha. E vão divertir-se imenso por causa disso.

Frontier Scum: More Rulebook

Dário Mendes

Dário é um fã de cultura pop em geral mas de banda desenhada e cinema em particular. Orgulha-se de não se ter rendido (ainda) às redes sociais.

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