Dez Mil Elefantes é o terceiro volume da colecção Novela Gráfica 2026
Depois de explorar o Irão dos ayatollahs e a Rússia de Dostoiévski, a colecção Novela Gráfica prossegue a sua viagem por diferentes realidades históricas e culturais com Dez Mil Elefantes, uma obra assinada por Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé. Este terceiro volume transporta os leitores para a Guiné Equatorial durante o período da colonização espanhola, através de uma narrativa profundamente marcada pela memória, pela identidade e pela herança colonial.
Publicado pela Levoir e pelo Público, Dez Mil Elefantes é uma impressionante banda desenhada que aborda um dos capítulos menos conhecidos da história colonial espanhola em África. A obra foi distinguida com o prémio Baudet d’Or pelo argumento de Pere Ortín, tendo já sido editada na Alemanha e contando também com publicação prevista em França pela editora Dupuis.
Jornalista, escritor e argumentista espanhol, Pere Ortín possui uma vasta experiência em reportagem internacional, especialmente em países africanos. O contacto com a história que inspirou esta obra aconteceu durante uma das suas primeiras visitas à Guiné Equatorial, na década de 1990.
Anos mais tarde, Ortín viria a conhecer o cineasta Manuel Hernández Sanjuán, recebendo os negativos de todo o material produzido durante uma expedição realizada no território africano. A partir desse momento, iniciou um extenso trabalho de investigação que culminaria na adaptação desta história para banda desenhada, em colaboração com Nzé Esono Ebalé.
Nzé Esono Ebalé é ilustrador, artista multidisciplinar e activista da Guiné Equatorial. Ao longo da sua carreira, assinou trabalhos sob diferentes pseudónimos, incluindo Ramón Esono e Jamón y Queso. A sua obra tem sido apresentada em exposições realizadas em vários países.
O artista ganhou projeção internacional em 2017, quando foi detido durante seis meses sob acusações relacionadas com a publicação da banda desenhada La Pesadilla de Obi, uma obra crítica do regime de Teodoro Obiang. O caso gerou uma forte mobilização internacional por parte de organizações de defesa dos direitos humanos, que exigiram a sua libertação.
Entre 1944 e 1946, durante a ditadura de Francisco Franco, o cineasta madrileno Manuel Hernández Sanjuán e a sua equipa viajaram até à Guiné Equatorial com o objetivo de retratar a vida colonial espanhola naquele território africano.
Em Dez Mil Elefantes, a narrativa é conduzida por Ngono Mbá, um dos carregadores que participou nessa peculiar expedição. Através do seu olhar, o leitor acompanha uma viagem concebida para documentar e legitimar as versões da realidade promovidas pelo regime franquista, revelando as contradições e os silêncios que continuam a marcar a memória colonial espanhola.
A obra apresenta assim uma reflexão profunda sobre um passado frequentemente esquecido, expondo as narrativas oficiais e as suas consequências históricas.
Um dos elementos mais distintivos de Dez Mil Elefantes reside na sua componente artística. Todo o livro foi desenhado com caneta esferográfica, uma opção pouco convencional que confere à obra uma identidade visual singular.
Segundo o autor, esta escolha está ligada às suas experiências de infância, período em que a caneta era um dos poucos materiais de desenho ao seu alcance. O resultado traduz-se em páginas visualmente marcantes, onde a sensibilidade africana se manifesta de forma evidente, incluindo na representação das personagens e dos diferentes tons de pele.
Para além da reflexão histórica e política, a obra assume também uma dimensão pessoal, funcionando como uma homenagem do artista à sua mãe.
- Preço: 16,90 €
- Número de páginas: 144
- Encadernação: Capa dura
- Impressão: Cor
- Formato: 170 x 240 mm
- Tradução: Gonçalo Neves e Inês Neves
Dário é um fã de cultura pop em geral mas de banda desenhada e cinema em particular. Orgulha-se de não se ter rendido (ainda) às redes sociais.




