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Cinema: Crítica – Seduz-me Se És Capaz (2019)

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Comecemos com um facto curioso: Seduz-Me Se És Capaz é a primeira comédia romântica de Charlize Theron, e apenas com isso já está a fazer história no cinema. Jonathan Levine tem feito uma carreira em comédias numa inteligência emocional adaptada aos tempos modernos, onde o riso vem de situações empáticas, mesmo em contextos fantasiosos, como foi o caso de Sangue Quente.

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De volta à vida real, conhecemos Fred (Seth Rogen), um jornalista liberal que vê a sua vida dar uma reviravolta quando é despedido, após o jornal onde trabalhava ter sido comprado por um aglomerado de media, conhecido por criar campanhas de propaganda de fake news. Felizmente o universo tem destas coisas e Fred reencontra-se com a sua babysitter de quando era mais novo, Charlotte Field (Charlize Theron), que é agora uma das mulheres mais importantes dos Estados Unidos e prestes a concorrer à presidência e que oferece Fred a oportunidade de escrever os seus discursos.

Com o novo emprego, Fred acaba por passar muito tempo com Charlotte, trazendo ao de cima vários sentimentos que os levam a ter uma relação pouco improvável, onde pelos vistos, os opostos realmente se atraem quando revelam as suas verdadeiras intenções.

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Não é surpresa que as obras de Levine têm sido menos cómicas, algo relativamente surpreendente, já que foi o mesmo que realizou duas das melhores comédias dramáticas desta década, com 50/50 e Sangue Quente, ambos em lados opostos no que toca a temática. É por isso que o envolvimento de Seth Rogen, por mais que a sua comédia seja icónica, acabe por ser uma reciclagem de outros filmes ao qual teve um envolvimento criativo, como Isto é o Fim! e A Entrevista, reduzindo muito da premissa num conjunto de piadas políticas, sexuais e com fluídos corporais, atingindo um absurdo que é apenas comparável ao estado político norte-americano.

Não se limitando pela sua capacidade de tomar um rumo do esperado, arrisca muito em mostrar que somos todos iguais, vulneráveis a necessidades básicas do ser humano, por baixo esconde-se uma crítica social de um mundo paralelo, onde a aceitação das nossas diferenças acabam por fazer um mundo melhor. Assim, acaba por ser mais interessante que esperado ver Theron noutro registo, mostrando a sua veia mais cómica, com um grande apoio de Rogen.

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Dito isto, Seduz-Me Se És Capaz é uma comédia romântica para os tempos de hoje, provando que a tolice do mundo real não difere assim tanto da ficção, reforçando que por mais estúpidas sejam as piadas, mais tarde ou mais cedo vamos acabar por nos rirmos.

Nota Final: 6/10

  • Seduz-me Se És Capaz estreou a 1 de maio nos cinemas

Ricardo du Toit

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