Cinema: Crítica – Réplicas (2019)

Keanu Reevus já se afirmou como um dos melhores atores de ação da atualidade pelo seu papel em John Wick. Mas será que o seu charme prevalece quando é dirigido por outros realizadores? “Réplicas” já nos cinemas.

Em Réplicas, William Foster (Keanu Reeves) é um neurocientista genial que está prestes a conseguir transferir a mente de um ser humano para um computador, possibilitando uma segunda vida aos seres humanos. No entanto, ao perder a sua mulher, Mona (Alice Eve) e os seus três filhos, num trágico acidente rodoviário, decide conservar rapidamente as suas consciências com a ajuda do seu colega Ed Whittle (Thomas Middleditch). Os problemas começam quando se apercebe que só estão disponíveis três “cabines” de clonagem, mas precisa de ressuscitar os seus quatro familiares.

Realizado por Jeffrey Nachmanoff e escrito por Chad St. John e Stephen Hamel (Sibéria), Réplicas possui uma premissa intrigante que cativa facilmente a atenção dos espetadores. Contudo, está construído de um modo bastante amador, principalmente devido ao seu fraquíssimo diálogo que procura uma dramatização e suspense forte, mas culmina numa performance embaraçosa de todos os atores. A causa disto só poderá ser a direção dada aos mesmos, pois todos já apresentaram trabalhos de qualidade previamente. Além disto, existe ainda o robot criado pelo protagonista, William, que possui uma animação entre 2D e 3D bastante inconsistente em que a única sensação que nos fornece é de estarmos a visualizar uma paródia ou filme amador devido ao péssimo trabalho de dobragem e animação.

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Em relação ao enredo, o filme altera entre clonagem, ou seja réplicas, e a transferência da mente humana para um robot. Talvez tivesse sido mais consistente se somente um desses tópicos fosse o centro da história. Por consequência, a maioria dos twists são previsíveis ou pouco criativos, indo numa demanda desesperada por surpreender o espetador com um final sem qualquer desenvolvimento lógico.

Todavia, nem tudo é uma desilusão, pois apesar do diálogo inexperiente e embaraçoso, é visível o esforço de Keanu Reeves na sua função de protagonista. William é um homem com uma mente brilhante que procura salvar o futuro do ser humano, no entanto, acabou de perder a sua família. É uma personagem que aborda tópicos sensíveis e a única razão pela qual o espetador poderá querer terminar o seu visionamento.

Em suma, Réplicas é um filme ambicioso mas sem a capacidade de atingir uma narrativa futurística consistente, resultando numa obra fraca tanto a nível técnico como narrativo.

  • Réplicas estreou a 14 de março nos cinemas

3/10

Tiago Ferreira

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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