Cinema: Crítica – Parque Mayer (2018)

Antes do ano acabar não poderia faltar o regresso de António-Pedro Vasconcelos, com Parque Mayer, na sua quinta colaboração com o argumentista Tiago R. Santos.

2018 tem sido um ano interessante para o cinema português, desde Raiva de Sérgio Tréfaut, à abordagem diferente em contar uma história de Pedro e Inês, passando por seja o que for que o Linhas de Sangue foi. Mas antes do ano acabar, não poderia faltar o regresso de António-Pedro Vasconcelos, com Parque Mayer, na sua quinta colaboração com o argumentista Tiago R. Santos.

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Lisboa, 1933. Salazar estava no poder e o lema de “tudo pela nação, nada contra a nação” era algo a ter em mente quando os portugueses andavam na rua. Felizmente, havia um sítio onde as artes performativas populares tinham lugar em Lisboa, nomeadamente o Parque Mayer. A revista portuguesa já vem de uma tradição teatral desde 1850. Muito não parece ter mudado, continuando as peças de sátira e crítica política. Somente em 1933, as coisas eram feitas doutra forma e teriam que ser devidamente aprovadas, onde eram censuradas quando o representante governamental achasse apropriado.

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No meio disto, está Mário (Francisco Froes), um brilhante escritor teatral, com um talento nato para escrever sátira que incomoda profundamente aqueles em poder, tudo para a nova revista que está prestes a estrear no Maria Vitória. No casting aparece Deolinda (Daniela Melchior), uma jovem actriz que vem de Fátima à procura do sonho de ser actriz, ao qual é oferecido o papel principal. Finalmente, o macho engatatão Eduardo (Diogo Morgado), constantemente à procura das coisas mais divertidas da vida, sobretudo o sexo e o álcool.

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Existem vários pontos positivos neste Parque Mayer, como um balanço pessoal entre as personagens, que funcionam à volta duma narrativa que permite mostrar as suas diversas facetas com facilidade. Temos aqui um elenco bem escolhido, com uma química que os liga aos papéis que encara. Há uma naturalidade inigualável na interacção entre Mário e Deolinda, que se tornam bons amigos, deixando os espectadores com um sorriso na cara a ver a sua cumplicidade.

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O argumento de Tiago R. Santos vai para além do que apenas uma mera homenagem às actuações no mítico Parque Mayer, com uma história original que aborda de forma séria diversos tópicos actuais, como a homossexualidade e a violência doméstica, no contexto político ditatorial do Estado Novo.

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Assim, a mais recente entrada de António-Pedro Vasconcelos mantém um registo em se fazer cinema nacional de forma acessível a vários públicos, continuando a pôr de parte todos os estereótipos que o cinema português está frequentemente associado, criando um mundo tridimensional com personagens tridimensionais. O que é mais que se pode dizer de alguns filmes que por aí andam…

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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