Cinema: Crítica – Maria, Rainha dos Escoceses (2019)

Num mundo governado por homens, Saoirse Ronan e Margot Robbie retratam a vida de duas mulheres que se encontram numa posição de muito poder. Maria, Rainha dos Escoceses estreia a 17 de janeiro nos cinemas.

Crítica de Jonas Canelo

Maria, Rainha dos Escoceses (Mary Queen of Scots) é um filme de época (séc XVI), que retrata a vida de duas mulheres que se encontram numa posição de muito poder, num mundo governado apenas por homens. Este drama histórico é marcado por conflitos permanentes, por divisões e alianças que formam uma teia de intrigas que Josie Rourke (uma estreia no mundo do cinema) tenta desenlear ao longo do filme.

Mary Stuart, interpretada por Saoirse Ronan (Lady Bird, 2017)) é uma rainha descrita por características extremas: uma beleza imensurável, uma bondade inigualável e uma astúcia merecedora do título de rainha. Acabada de desembarcar na sua cidade natal, após a morte do seu marido na França, chega à Escócia para se deparar com um castelo, governado pelo seu meio-irmão, despido de qualquer adereço, vazio e frio. Uma analogia, talvez, ao abandono da vontade Escocesa de se querer proclamar como reino soberano que vem ser reavivada pela ambição da rainha.

Um drama que começa pelo fim e que aos poucos nos dá a conhecer a história de uma mulher que aborda o tema do feminismo num tempo alheio ao conceito. Dá-nos também a conhecer o conflito entre o catolicismo escocês e o protestantismo inglês. Mary, legítima herdeira ao trono dos dois países, vem enfrentar não só a Rainha Elizabeth I, interpretada por Margot Robbie (I, Tonya, 2017) – rainha atual de Inglaterra, como todos os homens que por dinastia sempre fizeram parte da côrte e cuja influência não deixará que Mary governe à sua vontade. O poder é a peça chave deste drama, seja pela religião ou pelo género, seja pela dinastia ou pela pátria. Uma mulher escocesa católica apresenta-se como a desafiadora de todos os dogmas, terá de arcar com as consequências da mudança e lutar contra tudo e todos para deixar o seu legado.

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Com um argumento baseado na obra biográfica do Historiador John Guy, este é um filme que é fiel ao detalhe e à veracidade. Toda a intriga política em volta das duas Rainhas que desafiam o ataque constante ao seu poder, não podia estar melhor afinada. O enredo literalmente digno de um filme, traições e alianças inesperadas, amor e sexualidade provocante, sangue derramado por quem menos se espera. Contudo, o filme peca por não aproveitar a cinematografia que estas cenas poderiam oferecer. Com uma narrativa tão rica em drama e desfechos inesperados, é desanimador que todo o filme seja tratado a meio gás. Para além dos saltos temporais onde se passam décadas e não se nota o envelhecimento de nenhuma personagem, o filme conta com um elenco de luxo ao qual não dá o uso merecido. Duas atrizes, já nomeadas para prémios da academia, Saoirse e Margot, têm pouco mais do que uma faísca de representação ao longo do filme e apenas quando realmente contracenam é que conseguimos ver todo o potencial desperdiçado do filme, porque até a fotografia, que tantas oportunidades desperdiçou, se esmera numa cena única e efémera.

Dia 17 de Janeiro estreia em Portugal Maria, Rainha dos Escoceses de Josie Rourke, um filme que vale a pena ver pelo simples facto de se tratar de uma história de duas mulheres inspiradoras que ficaram para a história.

Classificação (2/5)

Jonas Canelo

 

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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