Cinema: Crítica – Gabriel (2019)

Um jovem pugilista aceita um perigoso combate para salvar a vida do seu pai. Conhece ‘Gabriel‘ a 21 de março nos cinemas.

Gabriel, um jovem pugilista cabo-verdiano, vem para Portugal procurar o seu pai, um antigo campeão de boxe. Após a morte da sua mãe, vive agora com a sua tia no bairro dos Olivais onde irá aceitar um combate perigoso para salvar a vida do seu pai. Numa descoberta pessoal, Gabriel terá de decidir o que é melhor para o seu futuro e de quem o ama.

Igor Regalla e Mina Andala

Realizado por Nuno Bernardo, Gabriel é um filme cru e sensível que aborda temas universais como a imigração e racismo, com um protagonista que se liga rapidamente ao espetador. Por consequência, o argumento contém um misto de sensações que nos captam constantemente a atenção, seja a violência deste bairro, o possível romance entre Gabriel (Igor Regalla) e Elisa (Ana Marta Ferreira), a relação frágil com a sua tia Alice (Mina Andala) e o seu primo (Eduardo Lima), a luta intensa com o seu rival Rui (José Condessa), entre outros. Existe uma clara preparação física e psicológica dos atores nos temas que iriam abordar e consequentemente a direção dada aos mesmos durante as filmagens.

José Condessa interpreta Rui em Gabriel

Para além dos protagonistas, cujos são brilhantemente interpretados por este elenco, o bairro também se torna numa personagem onde a violência noturna é constante e a população tem receio de encarar o gangue local, liderado por Jorge (Sérgio Praia), que tem uma presença enorme e sombria sempre que surge no ecrã e é uma das causas do rumo violento que o jovem Rui adquiriu.

Susana Sá e Sérgio Praia

Novamente, é importante realçar as temáticas que o filme toca que nos conseguem surpreender ao serem capazes de as filmar. Deste modo, a maquilhagem, o som e efeitos especiais reúnem-se na dificílima missão de recriar momentos intensos e sangrentos e que cumprem na perfeição. Além disto, existe uma dose equilibrada entre violência e diálogo reflexivo que nos deixam sentir a realidade desta história sem nunca perder a sua credibilidade.

Almeno Gonçalves e Igor Regalla

A nível de edição, ao longo do filme vamos observando os caminhos desta nova vida de Gabriel e alternando com o início da cena final até chegarmos finalmente ao grande combate que é sem dúvida um dos mais bem criados no cinema nacional. Num duelo incrivelmente realista, Nuno Bernardo produz uma cena longa e eficaz com uma enorme intensidade conciliada com uma Direção de Fotografia e trabalho de maquilhagem surpreendentes.

Por fim, resta mencionar a banda-sonora variada de artistas de Hip-Hop que enriquecem as cenas em que estão inseridas, sejam num concerto, como de melancolia ou motivação, contribuindo assim nesta veracidade pretendida.

Ana Marta Ferreira e Igor Regalla

Em suma, Gabriel, apesar de previsível, é um filme consistente e com interpretações plausíveis de todo o elenco, num formato procurado pelo público e com uma das melhores recriações na temática do pugilismo no cinema nacional. Gabriel não é somente um filme de combate, mas sim uma obra que deixará os espetadores a reflectirem melhor acerca das suas decisões de vida e relação que têm com os outros.

  • Gabriel estreia a 21 de março nos cinemas.

7/10

Tiago Ferreira

  Sem velocidade para a liderança

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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1 Response

  1. miguel diz:

    onde posso ver o filme?

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