Cinema: Crítica – A Educadora de Infância (2018)

Somos constantemente confrontados que as crianças são o nosso futuro e devemos prestar atenção aos seus talentos, na possibilidade de a nossa ser um espécimen raro com algo inigualável. É com base nesta ideia que Sara Colangelo fez o remake norte-americano do filme israelita com o mesmo nome, A Educadora de Infância.

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Lisa (Maggie Gyllenhaal) é uma educadora de infância preocupada com os seus alunos e insatisfeita com alguns aspectos da sua vida monótona, com o amor pelo seu marido a ficar sem chama e com os seus filhos mais crescidos a ignorarem quase por completo. Lisa também assiste a aulas de poesia, dadas por Simon (Gael García Bernal), o qual os seus colegas de turma creem que os seus poemas não são nada especiais.

Como todos os milagres, Lisa percebe que um dos seus alunos, Jimmy (Parker Sevak) recita em voz alta um dos poemas mais bonitos que ela já ouviu, e ela apropria-se do texto dele para apresentar nas suas aulas de poesia. Lisa começa assim a criar uma obsessão por Jimmy e o pelo seu talento, chegando a ter actos menos correctos.

Não existe um grande sentimento de culpa da forma como Lisa literalmente rouba a arte do pequeno Jimmy, desenvolvendo uma relação muito pessoal com ele, ao ponto de meter o número dela no telefone dele sob apenas a letra L para garantir que ele lhe diga sempre quando tem um poema em mente. Ainda que feita duma forma muito discreta, Lisa faz um abuso emocional que naturalmente abre portas a consequências que não sabemos bem como irá lidar, tudo em busca de fazer uma conexão com alguém que compreende a sua paixão.

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Mas há sempre dois lados da história: Jimmy é algo negligenciado pelo pai, que apesar de estar presente na sua vida, prefere que ele tome outros rumos na sua futura carreira, mais práticos e com maiores recompensas financeiras, reforçando a ideia que a arte não poderá dar a vida que ele quer para o seu filho. A relação acaba por ser mais complexa, pois Lisa, devagarinho, torna-se numa perseguidora que acaba por cometer erros dos quais não tem inteiramente a noção daquilo que lhe poderá acontecer.

Se por um lado Sara Colangelo faz um belíssimo trabalho a adaptar o filme original para um ambiente novo, Maggie Gyllenhaal é no fundo a mãe preocupada que nós todos queríamos de ter, mostrando aqui que é um dos maiores papéis da sua carreira.

Existe uma narrativa coesa e algo cativante, mas o filme, por vezes, deixa-se perder em alguns detalhes que tentam criar um benefício da dúvida em relação às intenções de Lisa, acabando no fim por retomar o que todos suspeitávamos.

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A Educadora de Infância é uma obra com algum interesse que vale a pena explorar, sobretudo não sendo ele um drama típico ou previsível, pecando apenas na perda do foco por breves ocasiões, mas compensado depois pela incrível força maternal que é Maggie Gyllenhaal, e com o seu grande desempenho.

A Educadora de Infância estreia a 3 de Janeiro 2018

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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