Crítica: Deuses Americanos vol. 1 – Sombras

Apesar de já ter saído em Setembro do ano passado só há pouco tempo é que tive o livro e pude ler Deuses Americanos, a adaptação para banda desenhada de romance homónimo de Neil Gaiman, pelo próprio com arte de P. Craig Russel e Scott Hampton.

Confesso que estava muito reticente em ler este álbum porque, e deixem-me começar já por aqui, tem um aspecto medonho, tudo graças à balonagem e legendagem. Já vi coisas más na minha vida, mas neste momento não consigo pensar em banda desenhada traduzida com uma legendagem tão má como esta. Está tudo errado nela: a fonte, a falta de critérios. O facto de ser legendado com letras maiúsculas, mas as frases começarem com uma letra ainda “mais maiúscula” que as outras; a falta de equilíbrio e sensibilidade; texto a tocar as bermas dos balões. Enfim. tudo péssimo. Mas a balonagem original não é muito melhor. Os balões já de si são feios, as caudas são mal apontadas e a disposição nas vinhetas muito mal distribuidas.

Passando para a arte, cujos esboços estão a cargo do multipremiado P. Craig Russel e arte de Scott Hampton, é no mínimo uma desilusão. Esperava bem mais destes dois artistas. As pranchas estão demasiado cheias de vinhetas e com layouts confusos. A sobrecarga de balões (e feios, ainda para mais), não ajuda nada. Além disso, conta com uma colorização estranha, onde uma arte bem pintada contrasta com cores planas ou degrades manhosos. Basicamente, esteticamente, é um livro feio.

  BEEP BOOP #3 - Lançamento

Mas ainda falta a escrita, e isso, meus amigos, é um festim. O livro está maravilhosamente bem escrito e é o que salva tudo. Foi a única coisa que me fez aguentar até ao fim. Sabem aquela sensação de estar a ler um romance e estamos a imaginar um filme? Neste caso é praticamente o inverso. Estamos a ler uma banda desenhada, mas imaginamos estar a ler o romance em prosa. E, portanto, chego à conclusão, que o melhor mesmo, seria ler o romance original.

Conclusão: O livro salva-se pela história e pela escrita, por isso só aconselho a lerem a versão em banda desenhada, quem não gosta de ler “sem bonecos”, ou para aqueles que querem conhecer a história de uma forma mais rápida, visto que o romance original é bem volumoso.

 Argumento: Neil Gaiman
Arte: P. Craig Russel e Scott Hampton
Editor: Saída de Emergência
Argumento: 10
Arte: 6
Legendagem: 1
Encadernação: 8
Veredito Final: 6


Amadora BD 2019: Entrevistas a Polvo e Arte de Autor

Hugo Jesus

Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.

You may also like...

2 Responses

  1. killer comics diz:

    a legendagem está boa, quem não está bem és tu que nem sabes escrever, só nesta frase há logo dois erros de quem só lê BD de merda:

    «letra maiúsculas, mas as frases começarem com uma letra ainda “mais maiuscula”»

    gostarias de os ter como clientes mas é!

  2. Hugo Jesus diz:

    Boa tarde. Não preciso de os ter como clientes, já tenho muito trabalho – de momento, até me seria difícil encaixar mais nos meus já muito atarefados dias, mas muito obrigado pela sugestão, faça-a também à editora.
    O amigo, no entanto, sendo tão bom a “apanhar gralhas”, candidate-se a revisor. Tenho ideia que, não tendo achado melhor actividade para um Sábado à tarde do que tentar corrigir-me, estará com tempo de sobra. Aconselho-o é a ter algum critério, porque corrigir texto alheio e não saber escrever correctamente fica-lhe mal. Parabéns pela original escolha do nome de utilizador, desta vez!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *