Cinema: Crítica – Bird Box (2018 Netflix)

A Netflix, na sua missão de lançar diversos filmes e séries que acabam por se tornarem sensação entre os seus subscritores, lança agora um filme pela realizadora dinamarquesa Susanne Bier. Mais conhecida pelo seu brilhante trabalho na mini-série O Gerente da Noite, Bier traz novamente uma experiência única, ao qual se junta a veterana Sandra Bullock, em Bird Box.

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Passado num futuro próximo, esta história pós-apocalíptica inspirada pelo livro com autoria de Josh Malerman conta a história de Malorie (Bullock), uma mulher grávida que se vê numa situação complicada quando entidades paranormais invisíveis invadem o mundo, tomando a forma dos piores medos da pessoas e forçando-as a cometerem suicídio, sendo que a única forma de sobreviver é fechar os olhos.

Num ambiente sombrio, Malorie refugia-se numa casa com outras pessoas, entre as quais Tom (Trevante Rhodes), Douglas (John Malkovich) e Olympia (Danielle Macdonald), a sobreviverem juntos. Adicionalmente, Olympia também está grávida, acabando ela por ser alguém que Malorie se poderá relacionar. Isto até que conhecem Gary (Tom Hollander), um homem em fuga dum gang que parece ser imune ao destino criado pelas criaturas.

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Contado no passado e no presente, 5 anos depois dos acontecimentos, Bird Box mostra-nos como Malorie está a tomar conta de duas crianças, ao qual ela chama apenas Boy e Girl, a caminho dum acampamento onde possam viver seguramente, mas sem antes passarem por diversos obstáculos, onde um erro pode ditar a vida ou a morte.

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Bastam 5 minutos para percebermos exactamente qual será o ritmo do filme, com um sentido de urgência apurado, algo que vai sendo consistente durante a hora e meia de filme. Não existindo propriamente uma explicação lógica da aparição das criaturas fatais, aceitamos com alguma facilidade a forma que as personagens terão que lidar com elas, numa descoberta que é feita ao mesmo tempo com o espectador.

A criação de suspense é mais impactada pelo facto destas criaturas serem apenas sombras e saliências no ar, cujas apenas vemos uma amostra via terceiros como câmaras de vigilância e sensores dum automóvel, nunca o encarando frente-a-frente. É com certeza uma abordagem diferente, mas nunca deixa na dúvida a veracidade da sua existência.

Por outro lado, as regras estabelecidas para a reacção perante tais entidades parece ser individual, sem que as suas vítimas se tornem um perigo para outros. Isto fora os psicopatas fugitivos duma prisão psiquiátrica que não são afectados, cujo objectivo é continuar o seu reino de caos. É uma reviravolta interessante, já que os que são criminalmente loucos conseguem viver mesmo vendo o seu pior medo e não serem levados ao suicídio, como as outras pessoas.

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É impossível não comparar certos aspectos de Bird Box a outro grande hit de terror deste ano, Um Lugar Silencioso, sobretudo no que toca a criaturas que exploram o poder dos sentidos humanos. Mas é indo em direcção ao perigo onde Bird Box se destaca mais, com Susanne Bier a agarrar a frieza da cinematografia dinamarquesa e a aplicá-la num contexto mais Hollywoodesco.

Assim, Bird Box é uma aventura meio futurista que cria situações aterradoras e de grande adrenalina, que nos deixa à beira do assento a sofrer de ansiedade. Ainda que sejam raras as vezes que explora o enorme potencial que tem, quando o faz, é capaz de se sobressair grande parte das vezes, e com muita emoção.

  • Bird Box está disponível no Netflix.

Nota Final: 7/10

Ricardo du Toit

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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