Crítica | A Queda da Baleia: a sobrevivência dentro da besta
Austin Abrams e Josh Brolin protagonizam A Queda da Baleia, um thriller de sobrevivência, que leva ao limite este cenário aterrador.
Há cenários que levam muitas pessoas a perguntar-se o que fariam se estivessem nessa situação. A Queda da Baleia, o mais recente filme realizado por Brian Duffield, adaptado da obra de Daniel Kraus, oferece-nos um exemplo de como alguém poderia reagir se fosse engolido por uma baleia.

Pai e filho em memória para a sobrevivência
Acompanhamos Jay (Austin Abrams), um jovem que perdeu o seu pai, Mitt (Josh Brolin), e que volta à sua terra natal para assinalar, junto da família, o primeiro aniversário da sua morte. Mas quando decide mergulhar em busca dos restos mortais do pai, Jay acaba por ser engolido por uma baleia, com apenas uma hora para conseguir escapar.
Ao longo das suas quase duas horas, A Queda da Baleia equilibra duas vertentes narrativas que correm em paralelo: a relação entre Jay e Mitt, marcada pelo laço que ambos têm com o mar, e a luta pela sobrevivência de Jay, que enfrenta uma situação tão desconhecida quanto urgente, com o tempo disponível para escapar a diminuir a cada segundo. O filme consegue articular estas duas vertentes relativamente bem: a primeira estabelece a dimensão emocional das personagens e proporciona um contraponto bem-vindo aos momentos de silêncio e escuridão no interior da baleia.
Aliás, todo o tempo que passamos dentro da baleia com Jay aproxima o filme tanto do terror claustrofóbico como de uma demonstração de biologia marinha, numa versão muito mais gráfica e realista do que recordamos de A Carrinha Mágica. À medida que o tempo vai passando e Jay procura uma saída, este vê-se obrigado a usar de forma criativa os poucos recursos de que dispõe, enquanto viajamos pelo interior de uma das criaturas mais fascinantes que habitam os oceanos.

Austin Abrams revela-se novamente com um protagonista imperdível
Grande parte da eficácia do filme assenta na interpretação de Abrams, que se compromete inteiramente com a sua personagem e com o desafio de sobrevivência proposto; conseguindo fazer de Jay alguém por quem verdadeiramente torcemos e que queremos ver escapar, sobretudo nos momentos de maior risco, quando estão em jogo decisões de vida ou de morte. Num filme tão dependente de uma única personagem confinada a um espaço, Abrams oferece uma interpretação que nos mantém envolvidos.
Por outro lado, a narrativa paralela tem os seus momentos de carga emocional, desenvolvendo uma dimensão igualmente importante do protagonista. Acontece que esta é menos consistente na forma como é contada: reserva as revelações de maior impacto para os momentos que mais lhe convêm, enquanto o restante desenvolvimento segue um rumo competente, mas bastante previsível.

Assim, A Queda da Baleia é um filme de sobrevivência que vale sobretudo pela interpretação de Austin Abrams, que reforça o seu estatuto de actor em ascensão após a sua aparição em Resident Evil. O cenário é profundamente aterrador e tecnicamente imersivo, enquanto a narrativa paralela oferece uma base emocional menos complexa, funcionando mais como um complemento à acção principal.
Nota Final: 6/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.
