Cinema – Crítica: Uma Vida ao Teu Lado (2015)

uma vida ao teu ladoCaro Nicholas Sparks,
Lembro-me da primeira vez que vi um livro teu. O meu pai, muito provavelmente sem saber, ofereceu à minha mãe o romance “The Rescue”. Um livro misterioso, que, para mim, alguém ainda sem o conhecimento de qualquer tipo de literatura, parecia ser algo sério, profundo e realista. Literatura conceituada. 
Mas o tempo passou e com ele passaram os livros e as aventuras cinematográficas, entre elas encontrei títulos inspiradores como The Notebook, The Last Song, The Lucky One e The Best of Me.
Confesso que não vi nenhum deles e por isso peço desculpa, mas não consegui deixar escapar este mais recente trabalho – “Uma Vida ao Teu Lado” (que era exactamente o que eu gostaria de ter) devido à minha paixão por rodeos, e tudo o que esteja relacionado com o Scott Eastwood.

Naturalmente que fiquei entusiasmado com a história de Luke Collins (Eastwood), bull rider e lenda viva da Carolina do Norte que depois de uma grave lesão decide voltar e acidentalmente encontra o amor da sua vida em Sophie Danko (Britt Robertson) – e os dois conseguem pouco tempo depois encontrar o sub-plot das suas vidas ao salvar Ira Levinson (Alan Alda) e a sua caixa com o seu irmão siamês (não, são mesmo cartas de amor lá dentro).  E assim começa uma amizade entre Ira e Sophie que se desenvolve através da leitura de cartas que nos levam a vários flashbacks com Jack Huston no papel de Ira e Oona Chaplin no papel de Ruth – o seu grande amor.

A história, no entanto, tem potencial para ser um marco da ficção científica e funcionaria perfeitamente como uma das atracções principais de Delos – o parque de Michael Crichton em Westworld, como uma interpretação realista de 2115 do estado da Carolina da Norte em 2014. É assim tão inventiva, fiel e original! E, aqui entra também a minha confissão de adolescente em que digo não ter odiado as vezes em que o filme voltava atrás no tempo para contar a história de Ira – sim, tudo gritava Nicholas Sparks, mas não ao ponto de recriar o final do Raiders of the Lost Ark.

  Cinema: crítica - Bem-vindos a África

O elenco contém alguns apelidos familiares. Eastwood. Huston. Chaplin. A linhagem é forte neste filme, diria o mestre Yoda (ou talvez não). Infelizmente nem ele conseguiria despertar qualquer faísca entre Scott Eastwood e Britt Robertson (ambos em excelente forma física) que devem ser o par mais credível desde J. Howard Marshall e Anna Nicole Smith.
Jack Huston e Oona Chaplin conseguem ter um pouco mais de spark e interesse, enquanto o capitão Benjamin “Hawkeye” Frankin recebe o seu cheque com dignidade.
Mas este é o The Nicholas Sparks Show e aqui não há espaço para nenhuma tour de force nem personagens complexas (ou que não tenham sido esculpidas pelo próprio Miguel Ângelo).

A equipa por detrás das câmaras não é menos interessante do que o elenco. O realizador George Tillman Jr. realizou em 2010 um dos filmes de acção mais cool e subvalorizados dos últimos anos com Faster e o argumentista Craig Bollotin assinou o argumento de Black Rain – uma trip completa pelo grande machismo americano dos anos 80. Portanto que outro lugar para se encontrarem do que neste filme? Mas, hey, temos rodeos em slow motion! (perfeito para ter sido o primeiro filme de Sparks a utilizar Smell-O-Vision e 3D…talvez para a próxima).

Este é daqueles filmes que será completamente critic proof e com razão. Os fãs de Sparks irão ver o filme e muito provavelmente sairão satisfeitos sem terem a necessidade de lerem alguma crítica. Muito menos esta, de tipos como eu que gostariam de convidar o Padre Karras cada vez que ouvem o nome Nicholas Sparks.

Mas só para ter a certeza que é a última vez que me encontro com o dito cujo, aqui vai: “Klaatu… verata… n… Necktie. Nectar. Nickel. Noodle.”

Oops.

stars

PS: Obviamente que as estrelas pouco significam neste caso.

Tiago Laranjo

You may also like...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *