Cinema: Crítica – Toy Story 5
Toy Story 5 traz de volta ao grande ecrã os brinquedos favoritos de todo o cinema, numa missão contra a tecnologia que vem mudar a forma que as crianças brincam.
Quando Toy Story estreou, em 1995, foi considerado uma maravilha tecnológica pela sua animação, que muito contribuiu para moldar o futuro do cinema de animação nas décadas seguintes. Com uma história comovente e muito fácil de acompanhar, as sequelas foram abordando diferentes antagonistas dos brinquedos. Em Toy Story 5, o filme declara uma guerra irónica contra a tecnologia criada para crianças, deixando no ar a importância dos brinquedos e o sentido de brincar.
Bonnie tem dificuldades em fazer amigos. A criança, com uma imaginação fértil, é, de alguma forma, a única que ainda mexe nos seus brinquedos. Estranhando a situação, Jessie e Buzz acabam por descobrir que as crianças passam agora o seu tempo em frente aos ecrãs e abandonaram os objectos físicos por recompensas virtuais. Entretanto, Bonnie também recebe o seu primeiro tablet, Lilypad, que a atira para um caminho de socialização moderna, mas que deixa os brinquedos na missão de lhe relembrar da sua relevância como fieis companheiros, e de lhe encontrar um amigo que brinque com ela.
De entre as entradas principais, este quinto filme da série de Toy Story parece ter reunido uma história que efectivamente reflecte a actualidade e a critica de uma forma perfeitamente razoável – os relatórios anuais de vendas de brinquedos não mentem. Podendo, por vezes, dramatizar um extremo, é com muito entretenimento que vemos a missão de Jessie, Woody e Buzz em tentar relembrar Bonnie de que ainda estão presentes para ela e de que brincar continua a fazer parte do seu mundo.
Mas não deixa de ser irónico que a própria agenda contra a qual o filme luta seja a mesma que este filme – como tantos outros no ano presente em que nos encontramos – promove, através de inúmeras campanhas nas redes sociais e em aplicações, bem como de um produto oficial que recria o tablet maléfico Lilypad, repleto de jogos educativos, ainda que, felizmente, não seja um tablet com as funcionalidades ditas habituais. Uma obra que tanto grita, num tom apocalíptico, pelo fim dos brinquedos vende os mesmos produtos que os tornam irrelevantes aos olhos das mesmas crianças. Assim, fica difícil.
No entanto, estamos perante uma narrativa sólida, ainda que não propriamente a mais inovadora, introduzindo de forma equilibrada novas personagens e o grupo actual que, ao longo de duas décadas, foi juntando novos membros ao clube. Para melhor ou para pior, as novas personagens vão ganhando mais tempo de ecrã, enquanto as mais antigas aparentam ter entrado num estado de legado, servindo o seu propósito existencial de uma forma mais nostálgica. Não estando perante uma situação d’Os Vingadores da Marvel, o filme serve-se apenas de quem é absolutamente necessário para cumprir a sua narrativa.
O elenco de vozes originais traz de volta Tim Allen, Tom Hanks, Joan Cusack, entre outras vozes conhecidas, e introduz Greta Lee – do filme Homem-Aranha: No Aranhaverso – como Lilypad. Na sua versão dobrada, continuamos com Miguel Ângelo como Woody e Carmen Santos como Jessie, mas agora com João Brás como Buzz – após o falecimento do eterno Paulo B. – e Diana Nicolau como Lilypad.
Assim, Toy Story 5 continua a fase de celebração de uma série que começou de forma brilhante e que se foi esforçando, com sucesso, por trazer algo verdadeiramente diferente e com perspectiva, à medida que o mundo se foi adaptando e mudando, tal como os hábitos daqueles que cresceram com Jessie, Woody, Buzz e os restantes membros da família dos brinquedos. Mas, hoje, essa mesma série pertence muito mais a outra faixa etária, como deverá ser. Apenas gostávamos que tivesse a mesma magia de outrora…
Nota Final: 6/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.





