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Cinema: Crítica – Supergirl

Supergirl conta-nos a história de Kara Zor-El, prima de Kal-El, o Super-Homem de Metrópolis.

Perdida e magoada, em eterno luto pela família e pelo mundo que perdeu, Kara afoga as mágoas em álcool, abrindo mão dos seus poderes no processo. Contudo, é ao conhecer Ruthye, uma órfã a navegar o seu próprio luto e vingança, que Kara embarca numa aventura interplanetária.

O filme é realizado por Craig Gillespie e escrito por Ana Nogueira, mas traz consigo muito do ADN dos projetos de Gunn. Pela natureza de “viagem espacial”, pela banda sonora, pelos diálogos, pelos designs dos extra-terrestres e pelas respetivas personalidades, fiquei surpreso por não ver Gunn creditado. Realmente, a produção fez o TPC e retirou dos filmes do “arquiteto” (principalmente da série Guardiões da Galáxia) aquilo que considerou essencial para este filme.

Supergirl

Contudo, a comparação é uma faca de dois gumes: a pouca variedade do elenco, o pacing aos soluços e a ocasional falta de foco na nossa protagonista mostram que este filme é mais fraco não só do que o seu predecessor, mas também do que aquilo que Gunn esteve a fazer no estúdio da concorrência.

Sim, Lobo está genial pela mão de Momoa, sim, Alcock vai crescer bem com este papel, sim, Eve Ridley surpreende pela positiva nesta sua estreia no cinema, mas falta coesão no projeto. Faltaram mais umas revisões no argumento e esses fatores são o que impedem este filme de alcançar o seu potencial.

A verdade é que alguns vão tecer comentários com mérito: é o nosso segundo filme da Supergirl, sai após uma série televisiva que teve algum sucesso e conta uma história completamente ao lado do que o comum fã de cinema espera. Existe toda uma perceção cultural de quem a Kara é para o público geral, e este filme escolheu adaptar (fielmente) o excecional Supergirl: Mulher do Futuro, pela mão de Tom King.

Supergirl: Mulher do Futuro

No entanto, este é o problema das adaptações: na mudança de meio tem de haver uma mudança de formatação e estrutura, e sinto que houve algumas falhas nessa transposição da obra.

Existem tantos pontos altos para lá dos previamente mencionados. Os efeitos visuais estão fantásticos, há sequências visualmente deslumbrantes ao longo do filme e torna-se bastante fácil simpatizar com a Supergirl de Milly Alcock. Contudo, isso não chega num panorama de cinema em que o público começa a olhar para estes filmes como “mais um”, como o fast-food da sétima arte. Numa fase em que o futuro do cinema de super-heróis (e do cinema em geral, convenhamos) está incerto, um “suficiente” já não passa no teste.


Supergirl

Eu queria um filme melhor do que o que tive, mas, ao mesmo tempo, não duvido que possa vir a ser um predileto de muita gente.

Pelo entretenimento que deu e pelo gosto que mostrou pelo material original, Supergirl é, sem sombra de dúvida, um esforço digno de visita, nem que seja em streaming.

Classisicação: 7/10

Supergirl

Henrique Correia

Jovem dos 7 ofícios com uma paixão enorme por tudo o que lhe ocupe tempo.
Jedi aos fins-de-semana!

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