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Cinema: Crítica – Sorri (2022)

A história de como Sorri aconteceu é uma das mais curiosas de Hollywood. Correm pelas notícias Parker Finn impressionou aos executivos da Paramount Pictures com a sua curta de 2020, Lauren Hasn’t Slept, sobre uma mulher que não consegue dormir, tendo vários pesadelos, procurando ajuda junto a uma terapeuta. A curta de 11 minutos foi o suficiente para que Finn recebesse quase de imediato uma oferta para fazer a sua primeira longa-metragem, que ainda que esteja sob a alçada de um grande estúdio, seria abordado com um espírito independente. Como muito esforço e dedicação, eis que a sua obra chega aos grande ecrã.

Sorri conta a história de Rose Cotter (Sosie Bacon), uma psiquiatra hospitalar, que tenta ajudar os vários pacientes que passam pelas suas mãos. A certo dia, esta conhece uma jovem desesperada, que lhe diz que sofre de alucinações, cometendo logo depois um macabro suicido enquanto sorri de forma assustadora, assombrando Rose, que procura o motivo de porque está tudo a acontecer.

Misturando as melhores partes do filme de culto Vai Seguir-te, e as piores partes de Verdade ou Consequência, é certamente um filme que leva as suas inspirações a peito, talvez um bocadinho em demasia. Existem jump-scares constantes, como dita o género na sua forma mais primitiva, e há sequências genuinamente assustadoras, mas há um sentimento constante que já tenhamos visto este filme múltiplas vezes nos últimos 20 anos. Tudo isto causa uma certa estranheza, sobretudo no que toca a expectativas.

Numa altura em que a Blumhouse está a dar muitas cartas a novos visionários criativos dentro do género, Finn é um criativo de grande valor, e isso é notável com a sua realização impecável. É alguém que garantidamente mostra o que sabe fazer e que tem uma grande proximidade com o género, sem dúvida. No entanto, é a narrativa que arrasta para baixo o seu talento atrás das câmaras. A abordagem via a investigação em busca de uma resposta poderia ser mais interessante se a mesma não estivesse repleta doutros pedaços doutras obras modernas do terror.

Isto coloca-nos numa posição relativamente caricata, onde admiramos o muito terror que jovem criativo nos propõe, e que nos aterroriza com uma certa eficácia, mas nunca estabelece algo de inovador, numa obra que desesperadamente necessitava de algo diferente, nem que fosse por um mero momento. Por outro lado, é Sosie Bacon que carrega às costas todo o terror que a sua personagem tem que sobreviver, demonstrando-se ser a mais recente scream queen do género.

Assim, Sorri não nos oferece grandes motivos para, efectivamente, sorrir. Mesmo com o potencial visível por Parker Finn na cadeira de realizador, a mescla de filmes dos quais junta e tentar criar algo novo, acabam por parecer imitações menos cativantes dos mesmos. É um infeliz começo para Finn, que se demonstra capaz de realizar, e da qual esperamos melhores coisas vindo dele no futuro.

Nota Final: 5/10

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