Cinema: Crítica – Slender Man (2018)

Lembram-se do famoso Slender-Man? Parece que teve finalmente direito ao seu próprio filme! Estreia a 23 de agosto nos cinemas.

slender-man 23 agosto 2018Hollywood chegou um pouco tarde à famosa creepypasta de Slender Man, no entanto, o tema ainda possui um certo fascínio e talvez resulte como fator nostálgico. Neste filme, um grupo de raparigas adolescentes, Wren (Joey King, de The Conjuring), Hallie (Julia Goldani Telles), Chloe (Jaz Sinclair) e Katie (Annalise Basso), decidem invocar o Slender man. Assistem a um vídeo estilo The Ring e começam a enlouquecer ao longo dos dias. Katie é a primeira a desaparecer e as suas amigas farão o seu melhor para a encontrar enquanto desvendam segredos sobre esta figura misteriosa.

Slender Man é um filme com uma premissa bastante clara e comum no género de terror. Existe o risco de se focar demasiado nas personagens humanas, o que não seria qualquer problema se estas tivessem o mínimo de desenvolvimento psicológico e ligação com o espetador. Ao contrário de filmes como IT cujo fez um excelente trabalho com o seu vasto elenco, em Slender Man deparamo-nos somente com quatro personagens relevantes, mas nenhuma delas consegue tornar esta narrativa cativante. Os seus atos e falas são constantemente irritantes ou demasiado infantis, seja por culpa das personagens ou das próprias atrizes. Infelizmente, a primeira a desaparecer é a que contém um passado mais interessante e acabamos por ficar o resto do filme com uma cética, uma rebelde e uma bem-comportada que desaparece subitamente, mas as suas amigas só a visitam uns dias depois apesar de estarem conscientes dos problemas que lhe estavam a ocorrer. Além disto, as suas atitudes mudam constantemente e cortam a personalidade ou decisões previamente apresentadas. [SPOILER] Numa cena final uma das raparigas decide entregar-se ao slender-man para salvar a sua irmã mas acaba por fugir mal ele aparece…[FIM DE SPOILER] Em relação aos adultos, estes estão desaparecidos o que faz parecer que estas raparigas vivem todas sozinhas nas suas casas.

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Um detalhe positivo a destacar é efetivamente a qualidade com que o filme apresenta alguém a enlouquecer através da sua fotografia, edição e montagem. No seu decorrer, vamos observando imagens e sons sombrios e vários locais isolados, como uma biblioteca, casas e principalmente a floresta na qual ouvimos constantemente o barulho de árvores/braços do slender e conseguimos sentir a força com esta figura se apodera da mente dos indivíduos. No entanto, não basta apresentar imagens assustadoras, o filme acaba por reunir um conjunto de clichés do género, como raparigas que se “esquecem “ subitamente de correr, a ideia de que som alto e jumpscares equalizam a medo (algo completamente irritante), alguns romances desnecessários, etc. De facto, o filme consegue criar algum fascínio pelo Slender Man cujo vemos na sua totalidade no decorrer do filme, no entanto, a ausência de personagens e narrativa interessante arruína-o completamente. A previsibilidade de certos atos é tao alta que o filme torna-se por vezes o contrário do que quer ser, uma comédia ao invés de terror/suspense.

slender-man 23 agosto 2018

Por fim, o filme ainda toca em alguns pontos controversos como violação, negligência, rapto ou o youtube.  Sim, a conclusão do filme é completamente ridícula e torna-se basicamente uma analogia ao que os youtubers provocam nos espetadores. Finaliza sem concluir vários detalhes acerca do Slender e sem nos mostrar o seu mundo oculto.

  • Slender Man estreia a 23 agosto 2018 nos cinemas

3/10

Tiago Ferreira

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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