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Cinema: Crítica – Óculos Escuros (2022)

O mestre do cinema italiano, e sobretudo do terror, Dario Argento, está de regresso com um giallo, um estilo que o mesmo popularizou há mais de quatro décadas. No seu primeiro filme em dez anos, Óculos Escuros é um regresso à forma, aplicando uma fórmula tradicional de um sub-género muito querido, aos tempos modernos.

Diana (Ilenia Pastorelli) é uma prostituta que se vê perseguida por um assassino em massa, com uma reputação de matar mais mulheres da mesma profissão. Após um dos encontros deixar Diana cega, e ter morto os pais do jovem Chin (Xinyu Zhang), esta terá que encarar a vida sem visão e manter-se a salvo de quem a quer matar.

É muito curioso como Argento estrutura a narrativa de uma forma simples e directa, compartimentalizando cada cena de forma contida, colando tudo para criar uma história sem distrações, e um foco soberbo. De repente, estamos perante a ideia de o que é hoje o cinema para o realizador, que ainda não introduza nenhum tema que já não tenha abordado anteriormente, mantém as ideias frescas e relevantes.

Diz-se que o diabo está nos detalhes, tal como o suspense que nos mantém interessados a ver o que virá a seguir. São raros os momentos de intensidade, mas a intenção de ser uma obra diferente dentro do cinema moderno é muito apreciada. Há sangue, mortes, eclipses solares e cobras de água, tudo elementos que decoram a história com um propósito claro de entreter. Mesmo gravada por um meio digital, a edição recria algum do charme da película, dando uma dimensão extra a um filme merecedor de tal.

As personagens sofrem algum desenvolvimento, mas são sobretudo vítimas das suas próprias acções e do argumento que lhes guia o caminho para o destino. Mas é igualmente importante perceber que este não é um filme comum aos que vemos estrear nos dias de hoje, desenhados para o máximo divertimento do público e trazer receitas.

Óculos Escuros é principalmente uma demonstração de como Argento ainda sabe fazer filmes competentes aos 82 anos, conseguindo ser superiores a supostos talentos com três vezes menos que a sua idade. É verdade que esta obra certamente não estará sequer perto dos melhores que já fez, muito menos que ele tenha tido uma carreira perfeita. Mas temos que reconhecer o feito e aplaudir pelo esforço, algo que raros cineastas mais novos serão capazes de apreciar.

Com o apoio da sua filha, Asia Argento, na produção e na interpretação, recomenda-se este filme para quem procura reviver os tais bons velhos tempos, no meio da artificialidade dos filmes norte-americanos de hoje, no que poderá – esperemos que não – ser o último filme deste mestre do terror.

Nota Final: 7/10

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