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Cinema: Crítica – O Pai Tirano (2022)

Não fede, nem cheira. É a forma como eu descrevo “O Pai Tirano”, o novo filme do produtor José Francisco Gandarez, que apesar de genérico, é bem feito e não carece de qualidades.

O Pai Tirano (2022)

Para um remake este filme inova muito pouco, e apesar de os filmes “de estúdio” portugueses dos anos 40 (como “A Canção de Lisboa” e “O Leão da Estrela”) serem cinematograficamente muito pobres, e portanto uma mudança que desse ao filme uma maior significação fosse muito bem vinda, penso que até é de louvar que este remake não tenha tentado fazer uma roupagem moderna como aconteceu nos remakes anteriores. Não muda grande coisa do original, é certo, mas é melhor do que artificialmente transpor a história para a contemporaneidade e arriscar ficar com um produto pior…

O Pai Tirano (2022)

Portanto, a força do filme não está no que “moderniza”, mas sim no que teria de obrigatoriamente se diferenciar do original: a representação (os atores), e a realização. 

Os atores José Raposo, Miguel Raposo, Jessica Athayde, e Carolina Loureiro, interpretam os personagens Santana, Chico, Tatão, e Graça, com uma sutileza incomum numa comédia. O nível da performance neste filme deve ser realçado também devido ao facto que o filme é, em parte, sobre teatro. é verdadeiramente impressionante, como os vários personagens caricatos (e alguns até clichê) presentes neste filme, terem um fundo de verdade, um realismo que nos apanha desprevenidos. Todavia parte do impacto que sentimos ao ver as atuações no ecrã, é também devido a uma realização discreta, porém muito eficiente. 

Digo isto pois é raro um filme português conseguir um nível tão alto de produção, normalmente devido à limitação de orçamento, mas não só. É visível em todos os fotogramas do filme a qualidade e habilidade da produção do filme.

O Pai Tirano (2022)

O que carece, é o enredo, que já é tão clichê, tão clichê, que mais valia só deixar as personagens todas num espaço a falar. Com a (surpreendente) força que os personagens têm, penso que resultaria daí um filme muito melhor. 

Porém, o facto do enredo do filme ser clichê tem as suas vantagens, como por exemplo, sabemos sempre muito bem o que se está a passar e o que vai acontecer. O filme tenta ainda dar algumas camadas à história, a ver com modernidade etc., todavia o tema não se enquadra bem o suficiente para levar isso em consideração. Existem mesmo certos elementos do filme que são mal explicados, ou não explicados de todo.

Portanto, O Pai Tirano é um filme que nós conseguimos mais ou menos prever nos primeiros cinco minutos, mas que consegue nos divertir e fazer rir durante toda a sua duração. Com pouca profundidade, mas com mais de uma dimensão. 

2.5/4 – Estrelas


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