Cinema: Crítica – O Culpado (2019)

O que fazer quando há uma pessoa em perigo do outro lado e a única arma que tens é um telefone? Essa é a questão que Gustav Möller responde na sua mais recente obra, O Culpado, o filme escolhido para representar a Dinamarca na consideração para Melhor Filme Estrangeiro nos Óscares.

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Asger (Jakob Cedergren) é um agente da polícia que foi atribuído o trabalho de ser um operador de emergências na central do “112”. No que parece ser o seu último dia no trabalho, recebe uma chamada de Iben (Jessica Dinnage), uma mulher em perigo, raptada pelo seu marido, Michael (Johan Olsen). Dispondo apenas de meios telefónicos, Asger tem que coordenar a melhor forma para que a polícia encontre o casal, antes que o pior aconteça.

De inicio percebemos que Asger é uma pessoa que os seus colegas não respeitam inteiramente, por motivos que mais tarde são revelados, como também é alguém que faz muito para além do requerimento do trabalho, fazendo o seguimento de algumas das situações que atende; ao ponto de, por vezes, ser um incómodo para as pessoas com quem trabalha. Nesta situação de alto risco, Asger não consegue conter-se, dedicando a sua atenção ao caso.

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O que mais fascina em O Culpado, é como Möller, na sua estreia nas longas-metragens, é capaz de utilizar o mínimo de recursos possíveis e oferecer durante hora e meia um filme que nos deixa muito nervosos, ao acompanhar em tempo real o desenrolar da narrativa, havendo, naturalmente, reviravoltas que puxam pelo suspense.

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Quando digo o mínimo de recursos, falo deste filme ser literalmente à base de uma personagem principal, um telefone, um escritório, meia dúzia de figurante e algumas vozes fora pela cidade, limitando-nos a este espaço físico. Por outro lado, somos forçados a imaginar a situação, com apenas aquilo que ouvimos, o que utiliza de forma inteligente a percepção individual e como cada um de nós vê o que está a acontecer, sem o filme mostrar.

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Sendo a imaginação algo com um potencial perigoso, são frequentes os momentos onde a tensão está alta e, sem nenhuma referência visual para nos assegurar de algo, somos deixados à mercê duma narrativa que sabe exactamente o impacto que quer causar, e onde a nossa própria suposição é posta em causa.

Assim, O Culpado, é um ensaio em como fazer muito com pouco, e fazê-lo de forma onde o espectador não se sinta do lado de fora, formando uma relação de proximidade com a encarnação da história; sendo certamente um dos thrillers mais interessantes a sair da Dinamarca nos últimos tempos.

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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