Cinema: Crítica – O Caminho de Volta (2020)

Ben Affleck é um bom actor muitas vezes ignorado. Ao longo da carreira protagonizou uma grande diversidade de filmes, desde comédias a thrillers e uma breve presença no mundo dos superheróis. É fácil esquecermos-nos o quão humano uma pessoa pode ser. É por isso que O Caminho de Volta, o mais recente filme de Gavin O’Conner, que tem na sua segunda colaboração com Affleck um dos filmes mais pessoais vistos em cinema. Neste caso a ficção imita a realidade após uma altura recente em que o actor esteve na reabilitação, devido a vários problemas relacionados com o alcoolismo.

Jack Cunningham (Affleck) é um homem simples, que de dia trabalha na construção civil e passa a noite num bar a beber, criando um ciclo vicioso entre a bebida e o seu trabalho. Um dia, Jack recebe uma chamada do director do seu antigo liceu, onde fora outrora considerado um campeão de basquetebol, tendo este lhe oferecido uma oportunidade de treinar a equipa actual e uma chance de redimir-se das suas escolhas de vida.

Existe uma grande empatia por Jack, ao descobrirmos as razões que motivam o seu ser miserável e as decisões em como lida com a sua vida, como também a sua percepção do mundo em geral, sendo este negativo. Enquanto que a sua reputação de bêbado local é vista por alguns como motivo de chacota, estamos claramente perante um homem disposto a mudar o rumo da sua vida, não só para algo melhor para ele, mas também como alguém capaz de ser um bom exemplo para os miúdos que treina. Tudo isto está envolto numa narrativa, daquelas que se assemelham a outras dentro do mundo do desporto, vistas nos anos ’90 e ’00, com um tom muito diferente ao que estamos habituados.

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Após o tão ecléctico thriller The Accountant – Acerto de Contas, Gavin O’Conner prova novamente a sua versatilidade na cadeira de realizador, contando uma história repleta de emoção, deixando que as suas personagens carreguem e utilizem esse peso najornada de descoberta, podendo nós ver a olhos vistos um crescimento pessoal. Neste filme em especial, apercebemos que estamos a ver Ben Affleck no seu estado mais vulnerável, com breves segundos a considerar se de repente o drama não virou documentário.

Na verdade, independentemente do que possam pensar de O Caminho de Volta, há que reconhecer o seu valor catártico, não apenas para um actor, cujos demónios da vida real se espalharam para a ficçã. Também percebermos que todos cometemos erros e esses têm consequências, onde o que importa é assumirmos e aprendermos a sermos melhores depois disso. Se houver um filme que nos obrigue a uma introspecção, O Caminho de Volta é definitivamente um deles.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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