Cinema: Crítica – O Caderno Negro (2018)

Percorre a Europa no romance/drama de O Caderno Negro. Estreou a 11 de outubro nos cinemas.

O Caderno Negro, realizado por Valeria Sarmiento e produzido por Paulo Branco, é passado no século XVIII e aborda a história de uma ama que se apaixona loucamente por um fidalgo enquanto toma conta de um pequeno orfão. É um filme que cruza romance e drama e decorre em vários países da Europa, como Itália, França e Inglaterra.

É uma trama com um enredo semelhante a novelas e previsibilidades do género, nomeadamente a pequena jovem pobre e desconhecida que descobre segredos genealógicos que mudarão a sua vida, momentos românticos com figuras de elite ou figuras próximas de si afastam-se e voltarão com planos cruéis e violentos. A nível da história, o filme foca-se principalmente em Laura (Lou de Laâge), uma personagem fácil de nos conectarmos pois é a mais próxima da normalidade. A enorme paixão que sente por um homem irá ser a sua perdição, o que a coloca numa fase doentia durante determinada fase do enredo. Além disto, o pequeno órfão de quem Laura toma conta também tem o seu destaque e serve sobretudo de ponto temporal para nos apercebermos da rapidez com que a história se desenvolve.

Quanto aos pontos positivos, Laura, a personagem principal já mencionada, cria uma rápida ligação com o espetador, pois demonstra-nos o duro trabalho de uma ama para que tudo corra bem às figuras nobres. As cenas íntimas estão executadas brilhantemente e assemelham-se aos belíssimos quadros eróticos da época, levando-nos à questão da fotografia. As imagens do filme são autênticas pinturas, com um décor recheado de quadros e uma mise-en-scène focada na cor da paixão, vermelho, e nas áreas na literatura e arte, que são altamente importantes na época. Além disto, o enredo permite-nos observar vários tipos de decorações e línguas de países distintos, tornando-se numa viagem temporal pelo mundo, acompanhada por uma música clássica de boa qualidade.

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Todavia, o filme contém alguns problemas deploráveis: existem várias personagens expostas que não possuem qualquer desenvolvimento, o seu nome é revelado provavelmente uma única vez enquanto estão no ecrã, o que torna um pouco confuso quando são mencionadas em diálogos; alguns assassinatos ocorrem à volta de um grande número de pessoas, no entanto, ninguém repara nesse acontecimento, mesmo quando as personagens caem e produzem um som elevado; o rapaz órfão desaparece do enredo durante vários minutos e perde-se um pouco a sua importância no seu regresso; as transições entre cenas estão constantemente editadas em fade out e criam um corte no fluxo da história e obra geral. Por fim, o título do filme. O Caderno Negro quase não é mencionado, deixando em dúvida o porquê deste título misterioso quando não há necessidade para tal.

O Caderno Negro é um filme que irá dividir a audiência, no entanto, possui as suas qualidades como filme de época.

  • O Caderno Negro estreou a 11 de outubro 2018 nos cinemas

4/10

Tiago Ferreira

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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