Cinema: Crítica – Lords of Chaos (2018)

São raras as pessoas que se apercebem de como são capazes de mudar o mundo, para melhor ou pior, deixando uma marca permanente que irá servir de propósito para aqueles que se inspiraram pelos seus feitos. É o caso de Øystein “Euronymous” Aarseth, membro fundador dos Mayhem, a primeira banda de black metal Norueguesa de sempre. Como seria esperado, liderar um movimento deste género não seria sem acontecimentos trágicos, que de certa forma, acabaram por definir um preconceito para sobre este movimento.

Baseado em “factos verídicos, mentiras e coisas que realmente aconteceram”, Lords of Chaos é a história de origem duma das mais prolíficas bandas de metal a sair da escandinava. Euronymous (Rory Culkin), acaba por estar ligado a uma série de acontecimentos brutais, entre um suicídio, dezenas de igrejas ardidas, entre outros crimes, juntamente com o caótico Varg (Emory Cohen). Esta é a sua história.

Jonas Åkerlund não é estranho nestas andanças, já que o realizador, conhecido pelos inúmeros vídeos musicais que realizou e uma mão cheia de filmes, entre os quais o recente Polar da Netflix; também foi membro da banda de metal Bathory, ainda que por um curto período de tempo. Isto faz dele o criativo perfeito para trazer à vida o livro de 1998, escrito por Michael Moynihan e Didrik Søderlind, relatando esta história ao pormenor.

Há que admirar a capacidade com que Åkerlund trouxe à vida todos estes acontecimentos, de forma grotesca, nunca se contendo nos momentos de violência extrema com muito gore e sangue. Nos primeiros 20 minutos, esse extremo é atingido com uma facilidade estúpida, por vezes roçando perto do desnecessário e gratuito. Não obstante, esta mostra apenas contribui para o sentimento assustador que passa uma mensagem sobre o lado mais negro da amizade.

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Existe uma certa perversidade que nós como espectadores temos de ter para tolerar as quase duas horas de filme de Lords of Chaos, sendo que, tendo em mente que muitas destas coisas aconteceram, é um conto completamente surreal que nos cativa e nos mantém por perto. Talvez seja esse o ponto forte deste filme, deixando-nos atentos ao que vai acontecer a seguir.

Do outro lado, o que começa como uma história assustadora sobre um grupo de rapazes com intenções obscuras, acaba por se tornar num drama entre duas pessoas com visões diferentes, onde a intolerância culmina sob inúmeros outros crimes hediondos. Ainda assim, e ao contrário de muitos outros filmes do género, sentimos que aprendemos algo de novo e interessante sobre o terrível mundo que nos rodeia, deixando um sabor agridoce na boca.

Assim, Lords of Chaos, apesar de não mostrar estes acontecimentos de forma desnecessariamente glamourosa, consegue criar mais do que o suficiente para nos deixar curiosos em saber mais sobre como tudo aconteceu, pintando uma fascinante imagem negra, que com certeza vai ser tema de conversa durante algum tempo.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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