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Cinema: Crítica – Ice Cream Man

Eli Roth regressa aos cinemas com Ice Cream Man, um filme de terror que é uma carta de amor para George A. Romero e Stephen King, e a violência extrema de Terrifier.

Eli Roth é já considerado um dos grandes mestres do terror moderno, tendo uma filmografia bastante completa, sobretudo focada em filmes de terror extremos e adjacentes; mais notavelmente, duas das três entradas da saga Hostel, contribuindo para um lado extremo do género, acabando por enveredar por outros géneros, com um grau de sucesso bastante misto – é difícil esquecer o que raio foi Borderlands. Com uma espécie de regresso às origens, Roth escreve e realiza Ice Cream Man, inspirado pelo clássico de baixo orçamento de 1995.

Jared (Charlie Zeltzer) é uma criança que vive numa pacata vila norte-americana, prestes a entrar de férias após o final do ano letivo. Acontece que a vila descende à loucura quando um misterioso vendedor de gelados acaba por tornar as crianças no seu instrumento mortal, causando dor e morte pelas ruas.

Eis que sucede um regresso a um género do qual o cineasta é altamente apaixonado, e isso é demonstrado exactamente num filme divertido, inspirado pelo amor por George A. Romero e Stephen King, junto com o sangue e as tripas vindos de um lugar altamente violento, após ter aplaudido o sucesso da popular saga de terror extremo Terrifier, e como este tipo de filme ainda é capaz de encontrar o seu lugar nos cinemas.

Roth envereda aqui por um caminho onde o fator choque reside, sobretudo, no facto de serem as crianças a causar a violência que empurra os limites como os conhecemos, e certamente não será do agrado de todos, até mesmo dos mais fanáticos. A obra bem tenta tornar-se algo acessível, dentro do possível, mas cabe ao espectador definir até onde é capaz de levar o caos a sério e quantos litros de sangue são precisos para chegar ao limite.

Se Feriado Sangrento era um filme de terror mais tradicional, Ice Cream Man procura também ser algo mais para além do que demonstra graficamente, sem pudor, encontrando uma espécie de fio narrativo que nos vai guiando à medida que tudo é revelado. Considerando que a obra dura menos de hora e meia, esta faz uso da sua duração para propor uma viagem bastante sólida, ainda que caia frequentemente na repetição da violência e procure mais formas de chocar o espectador para além. É um desafio que ele aceita de bom grado, mas que, com um maior equilíbrio e mais direcção, poderia ter resultado num filme que não ficasse apenas nos seus visuais extremos.

Assim, Ice Cream Man é o terror do verão que irá fazer com que se arrependam de ter trazido pipocas para a sala de cinema, mas é um aceno respeitoso aos grandes mestres que Roth admira e com os quais aqui se diverte a fazer algo que tem tanta leveza quantos litros de sangue.

Nota Final: 5/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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