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Cinema: Crítica – Eternals (Eternos) – Sem Spoilers!

Os Eternos finalmente chegaram aos cinemas e o Central Comics já os foi conhecer. Como se portaram os emissários de Arishem neste novo filme do Universo Cinematográfico da Marvel?

Há infinitas gerações atrás, incumbidos de proteger a humanidade e assegurar o seu desenvolvimento, os Eternos, chegaram à Terra. Com o passar do Tempo viram impérios nascer e morrer, até chegarmos aos dias de hoje. Separados, espalhados, perdidos, cabe agora aos Eternos voltar a salvar a humanidade dos malévolos Deviants, criaturas que sabem apenas destruir.

Ao contrário de outras personagens e panteões no mundo da BD, não há termos de comparação para os Eternos. Têm os seus fãs, vivem as suas aventuras, mas estão longe da “Série A” das fileiras do heroísmo. A sua relevância à escala universal, a sua importante missão, a sua peculiar genealogia, é tudo muito Kirby sem dúvida, mas pecam pela sua distância ao restante universo que integram, especialmente neste MCU, e principalmente da sua ausência em aventuras passadas.

Eternos, Neil Gaiman, John Romita Jr.

O nosso primeiro “cheirinho” dos Celestiais, pela mão dos Guardiões da Galáxia, omitiu por completo estes heróis, que retroativamente se envolveram numa mão-cheia de relevantes acontecimentos para a vida na terra.

Um aparte, antes de continuar. Na banda desenhada em Portugal, recordamos que em 2016, saiu um volume da Coleção Oficial de Graphic Novels da Salvat, dedicado aos Eternos, escrito por Neil Gaiman e com arte de John Romita Jr. e que podem recordar aqui os detalhes.

Estes semi-deuses (de “D” minúsculo, nas palavras de Ego),  são-nos apresentados inicialmente como uma equipa em missão. Eficientes e inalcançáveis, imediatamente dispostos a auxiliar a humanidade na sua evolução. Pelo filme fora, no entanto, vamos percebendo que são mais humanos do que esperávamos, mais humanos do que eles próprios pensariam ser. Chloé Zhao leva-nos numa aventura pelo mundo e pelo tempo enquanto nos apresenta um novo tipo de herói no universo Marvel, e, embora divertidíssimo, o filme peca pelo status quo que tenta quebrar.

Ikaris (Richard Madden) é o nosso “Super-Individuo legalmente distinto”. Tal como Homelander em “The Boys”, Ikaris é uma aproximação do magnum opus de Shuster e Siegel com pequenas diferenças que acabam por torná-lo único. Isso faria dele uma personagem diferente e divertida, mas nesta cultura audiovisual recheada de remakes e reinvenções de super-heróis, acaba por parecer um reboot de mil e uma paródias.

O restante elenco safa-se bem melhor, nomeadamente Sersi (Gemma Chan) e Kingo (Kumail Nanjiani). Todos os outros Eternos, por menos tempo que passem no ecrã ou menor papel que sirvam, acabam por fazer toda a falta.

Ainda por cima dão que falar, infelizmente fazê-lo sem spoilers é complicado. O que posso resumir é: Thena (Angelina Jolie), Phastos (Brian Tyree Henry), Druig (Barry Keoghan) e Kingo, pelo filme fora, criam momentos de reflexão para o público, e isso humaniza-os imensamente. Foi com pena, no entanto, que pouco ou nada vimos de Makkari (Lauren Ridloff), fora as set pieces de acção, claro.

Há muita coisa boa neste filme, e o esforço de interligação com o restante MCU, pelo quão limitado e conservador que é, acaba por dar a esta longa-metragem uma forte conotação de “stand-alone” que já tínhamos sentido em “Shang-Chi”. Metaforicamente falando, estes filmes não são mais uma mão-cheia de personagens a entrar na sala de exposições que já conhecemos, são essas mesmas personagens a abrirem-nos as portas para novas salas neste museu da Marvel.

Claro que serão mencionados no futuro, com as suas novas aventuras e todas as outras que cruzem caminhos, mas por agora, é um capítulo inteiramente distinto e bem-vindo.

O guarda-roupa repete a proeza de modernizar e incluir os designs exagerados numa linguagem visual constante, mas é pena os Eternos não parecerem mais “divinos”. Vestem-se como uma equipa de super-heróis modernos, e não os deuses guardiões ancestrais que são. Em termos de design, há muita oportunidade perdida em prol da homogeneidade e contraste (ou neste caso, falta dele) com os restantes ícones do MCU.

Os efeitos especiais, especialmente das criaturas, deixam um tanto a desejar. Não é exagero dizer que a identidade visual desta longa-metragem é principalmente definida pela fotografia. Os monstros, tecnologia, poderes e heróis são, na sua vasta maioria, pouco desafiantes. Alguns até mal conseguidos, por sinal.

Contudo, não deixa de ser um filme da Marvel. Competente, peculiarmente pontuado por comédia (embora bastante menos frequente e melhor conseguida do que aquilo que temos visto em alguns exemplos anteriores), e devidamente interligado com projetos passados e futuros. Uma boa escolha para uma visita ao cinema, sem dúvida, mas está longe de ser o mais interessante filme para os fãs da Marvel. E sendo lançado contra Dune, Venom e James Bond, pode também não resultar tão bem quan to a casa do Rato Mickey gostaria.

Com tudo isso assente, sobra apenas sugerir-vos que, caso suscite o vosso interesse, visitem os Eternos na vossa sala de cinema predileta!

Classificação: 6/10


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