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Cinema: Crítica – A Mulher (2018)

Há actores que passam uma carreira inteira a dar o seu melhor e a serem constantemente louvados por isso. Glenn Close regressa em A Mulher dia 18 de outubro nos cinemas.

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Glenn Close já interpretou papéis memoráveis em Atracção Fatal, a versão live-action de 101 Dálmatas e a série de televisão premiada Sem Escrúpulos, só para dar alguns exemplos. Mas suspeita-se que o seu protagonismo no mais recente filme do realizador sueco Björn Runge, em A Mulher, consiga superar esses todos.

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Ao fim de quase quarenta anos de casados, Joan (Glenn Close) e Joe Castleman (Jonathan Pryce) veem o seu casamento na linha, após Joe ter sido galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. O casal, mais o seu filho David (Max Irons), viajam até à capital europeia de Estocolmo, onde a vida de cada um jamais será a mesma.

Através de vários flashbacks, acompanhamos a vida de Joan quando conheceu Joe em 1956, altura em que ele era seu professor na faculdade. Joan era uma aspirante autora, com os seus textos a serem apenas reconhecidos localmente. Entretanto, Joe também era um homem casado, que trocou a sua mulher pela jovem na esperança de melhores dias.
Passadas quatro décadas, vemos que Joe é um homem narcisista e aparentemente, impulsivo, já que é revelado que teve casos com outras mulheres.

À medida que conhecemos a dinâmica familiar, percebemos que eles são tão humanos quanto nós: têm defeitos, passam por momentos tanto bons como maus, mas sobretudo, sofrem com as decisões de um do outro. É na reflexão da relação como um “nós” que o espectador empatiza com as personagens, com Glenn Close humanizar de forma perfeita a vida de Joan e toda a experiência acumulada durante o seu casamento.

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Se, por outro lado, vemos influências externas a causarem turbulência, como o autor Nathaniel Bone (Christian Slater) insistindo em querer ser o biógrafo de Joe mas que bate sempre com o nariz na porta, apercebemos-nos que a vida nunca é tão simples quanto a fantasia de ter a vida perfeita retratada nos filmes de romance.

É por isso que Björn Runge, apostando em mostrar o lado mais genuíno duma relação com problemas comuns, prova que a realidade será sempre mais intrigante que a imaginação e que de facto, todas as ações têm uma reação oposta e em momento nenhum o filme altera o seu ritmo para ser mais fácil de encarar.

Com um argumento quase perfeito, uma realização focada e um elenco que traz para fora o que serão certamente actuações duma vida, A Mulher é um filme para olharmos e percebermos que mesmo quando tudo está a cair à nossa volta, há sempre algo para termos esperança em nós mesmos, custe o que custar.

  • A Mulher estreia a 18 outubro 2018 nos cinemas

Nota Final: 8/10

Ricardo du Toit

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