Cinema: Análise – O Capitão (2018)

A história de um desertor chega ao grande ecrã em O Capitão…mas será que também devemos fugir das salas de cinemas? O Central Comics já foi ver e deixa aqui a surpresa cinematográfica com que foi recebido.

O Capitão

O Capitão (Der Hauptmann, em alemão) traz-nos a história de um desertor que encontra o fato de um capitão nazi perdido e decide encarnar essa figura. Eventualmente torna-se num verdadeiro capitão e faz o melhor possível para o seu segredo não ser descoberto. É-nos mostrado esta história em forma de documentário, sendo que o filme alemão é a preto e branco e a personagem principal é referida como um caso verídico.

Isto suscita logo uma grande curiosidade para a forma como o enredo foi desenvolvido, existindo seguramente cenas que foram inventadas para melhorar e cativar esta história. No entanto, o filme traz-nos constantemente temas fortes e apesar da personagem principal ser apoiante do nazismo, o espetador cria facilmente uma relação emocional com este. Isto deve-se sobretudo à forma como o protagonista nos é apresentado, nomeadamente como um desertor. Por consequência, este torna-se num dos maiores capitães nazis, atuando em nome de Hitler, e uma das figuras mais horrorosas da humanidade, por vezes não por opção voluntária, mas sim pela sua própria sobrevivência. A descoberta do seu segredo iria levar ao fim da sua vida. O filme destaca-se pela forma como consegue apresentar um protagonista cruel, mas que acaba por ser o herói da sua própria história.

O Capitão

O outro ponto mais importante é a sua fotografia, ao ser a preto e branco consegue trazer imagens verdadeiramente sinistras da Segunda Guerra Mundial, criando o belo através da destruição. Ao abordar um tema bastante forte e conhecido pela população mundial, o filme tenta trazer-nos o lado oposto desta guerra, nomeadamente a dos capitães. A presença e sentimento dos judeus e opositores do nazismo está também presente, mas o foco principal é de facto nestas figuras superiores.

Capitão

Por fim, o único aquém do filme é quando tenta fazer uma sátira ao mundo moderno através de uma cena durante os créditos em que as personagens estão inseridas no nosso mundo e obrigam a população a mostrar o seu cartão de identidade. Isto não faz de facto parte do enredo, mas teria funcionado melhor como blooper de forma a não aliviar a tensão criada ao longo do filme.

O Capitão é uma obra que vale a pena observar no grande ecrã pela forma como aborda a Segunda Guerra Mundial criando um filme único através das suas interpretações, música e fotografia única.

  • O Capitão estreia dia 23 de março nos cinemas.

Classificação: 4/5

Tiago Ferreira

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Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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