Cinema: Análise – Batalha do Pacífico: A Revolta (2018)

O confronto entre Jaegers e Kaijus está de volta, dando lugar a John Boyega no papel principal! Irá Batalha do Pacífico: A Revolta erguer um novo franchise?

Gipsy Danger, o Jaeger principal de Batalha do Pacífico

Gipsy Danger, o Jaeger principal de Batalha do Pacífico


Batalha do Pacífico: A Revolta é a sequela de Batalha do Pacífico (2013), um filme de Guillermo del Toro que renovou o género, mas neste o realizador ficou-se pela produção. A sequela conta-nos a história de Jake Pentecost (John Boyega), filho do herói que fechou a fenda dos Kaijus, Stacker Pentecost (Idris Elba), mas que decide ir por outro caminho. Jake larga o exército e torna-se num delinquente vendedor de objectos raros. Por consequência, conhece Amara (Cailee Spaeny) e o seu Jaeger ilegal e são capturados pelas forças policiais. Mako (Rinko Kikuchi), meia-irmã de Jake, sugere-lhe que se volte a alistar no exército, não para cadete mas como treinador de uma nova geração de pilotos, na qual Amara acabaria por entrar. Uma nova ameaça acaba por surgir no planeta e esta força jovem será a única salvação.

John Boyega é o protagonista de Batalha do Pacífico: A Revolta

John Boyega é o protagonista de Batalha do Pacífico: A Revolta


Como já foi visto nos recentes episódios de Star Wars, John Boyega tem uma capacidade enorme de captar a atenção. A sua presença no ecrã destaca-se entre as outras personagens, melhorando diálogos que por si não têm muita originalidade, trazendo-nos ainda um discurso épico comum neste franchise. Ao seu lado, a jovem Cailee Spaeny, faz também um ótimo trabalho com uma personagem segura, inteligente, capaz de construir o seu próprio Jaeger. Os dois médicos/cientistas fanáticos por kaijus, Dr.Hermann (Burn Gorman) e Dr.Newton (Charlie Day), estão de volta e trazem os momentos mais cómicos e por vezes importantes do filme. Apesar de algumas excepções, o resto das personagens são pouco memoráveis, tendo uma presença pequena ou por vezes em demasia, criando momentos previsíveis e embaraçosos que enfraquecem o filme.

John Boyega é o treinador da nova geração de pilotos Jaeger

John Boyega é o treinador da nova geração de pilotos Jaeger


É sem dúvida um filme que entretém bastante, principalmente a fãs do género pois o número destes live-actions de orçamento elevado é muito reduzido. Contém cenas de ação muito bem executadas, os planos contra-picados continuam a ser utilizados, conciliados por vezes por câmara lenta, deixam-nos sentir a dimensão enorme destes Jaegers e Kaijus. Além disto, contém vários planos gerais que nos fornecem uma visão clara da ação a decorrer. Os efeitos especiais trazidos possuem uma enorme inovação, mostrando-nos detalhes e momentos nunca antes vistos em live-action. Tal como se pode ver no poster, o filme está recheado de cores vivas, contrariamente ao primeiro filme de Del Toro em que as cenas se passavam quase todas durante a noite. Isto deve-se sobretudo à forma como o realizador trabalha com as cores frias, escuras, semelhantes aos seus filmes sinistros. Deste modo, dá para ver que Batalha do Pacífico: a Revolta tentou aumentar o seu público alvo, afastando-se um pouco da sua origem e procurando um público ainda mais novo.

Batalha do Pacífico: A Revolta

Batalha do Pacífico: A Revolta


Por consequência, o enredo simples apresenta vários problemas. Após tantos anos como é que é possível que estes jovens, recém-chegados ao exército, sejam a nossa única salvação? Porque é dizem constantemente a Jake que ele era o melhor piloto e não devia ter desistido se quase nem esteve no exército? Só por ser filho da personagem de Idris Elba? O que aconteceu ao protagonista anterior Raleigh? Isto é somente uma fracção dos problemas do enredo, surgindo eventualmente muitos mais ao longo do filme. Os diálogos fracos acabam também por baixar a qualidade elevada nas cenas de ação. Salientando ainda a necessidade desnecessária que Hollywood tem tido por introduzir momentos cómicos em cenas dramáticas. Apesar disto, o filme consegue ter um plot-twist aceitável e inesperado, introduzido logo na primeira metade, enriquecendo a história geral.

Kaiju, o monstro que quer destruir o nosso mundo

Kaiju, o monstro que quer destruir o nosso mundo


Uma enorme falha do filme é a utilização da banda-sonora. Batalha no Pacífico: A Revolta deixa de lado o tema musical, de Ramin Djawadi (Game of Thrones & Westworld) que tornou momentos do primeiro filme épicos com a sua mistura entre guitarra elétrica e orquestra, conseguindo transportar-nos para um universo futurístico. Neste, é somente usado uma vez durante uma típica montagem antes de um combate, mas nem sequer na sua forma original, dando-nos uma mera mistura rápida de hip-hop com clássico. No decorrer do filme, é utilizado um tema simples e eficiente mas completamente esquecível, trazendo de volta o tema clássico original só para os créditos, decepcionando um pouco os fãs originais.Batalha do Pacifico: A Revolta é um filme recheado de ação que irá certamente agradar aos fãs do género. Teria resultado melhor de outras formas, mas está ciente do que quer trazer. Foca-se pouco em criar um enredo lógico para nos trazer momentos visualmente espetaculares de ação.

  • Batalha no Pacífico: A Revolta estreia dia 5 de abril nos cinemas.

Classificação: 2,5/5

Tiago Ferreira

  Cinema: Crítica - Freaks

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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