Análise Manga: Tower of God Volume 3
Tower of God Volume 3 aprofunda a jornada de Bam através de estratégia, mistério e ação, provando que o épico webtoon de SIU continua a escalar cada vez mais alto.
A Presença Comics continua a encantar os leitores portugueses ao trazer Tower of God para o formato físico, em glorioso colorido integral e com a apresentação cuidada de um verdadeiro romance gráfico. Com quase 300 páginas de pura tensão, o Volume 3 não se limita a prosseguir a escalada de Bam pela misteriosa Torre, eleva também as apostas, o impacto visual e o envolvimento emocional do leitor.
Nesta fase, a obra de SIU já é um nome bem conhecido entre os fãs de manhwa, mas vê-la em formato impresso continua a ter um sabor especial. A edição física capta o charme do webtoon original, acrescentando-lhe aquele toque de colecionador, algo entre uma novela gráfica e uma edição de prestígio. E sejamos sinceros, folhear estas páginas é muito mais envolvente do que deslizar o ecrã do telemóvel.
Este volume centra-se num dos arcos mais icónicos da série, o Jogo da Coroa. Quando Bam e a sua equipa entram nesta prova brutal, as regras parecem simples no papel, mas são mortais na prática. As equipas lutam pelo controlo de uma única coroa, e o prémio? Uma passagem garantida para o piso seguinte. O problema? Todos a querem, e ninguém joga limpo na Torre.
A narrativa de SIU, aqui, mostra os dentes. O que começa como um teste transforma-se rapidamente em guerra psicológica, estratégia, traição e explosões repentinas de poder bruto dominam a arena. E depois surge aquela reviravolta, uma figura familiar aparece e desequilibra completamente o jogo. É um daqueles momentos em que piscas os olhos, voltas atrás umas páginas e percebes que estiveste sem respirar durante três páginas seguidas.
Visualmente, a evolução da arte é fascinante. Ainda estamos nos primeiros capítulos e, sim, há aquele toque ligeiramente amador, mas é precisamente isso que lhe dá charme. Quase se sente o crescimento de SIU como artista, painel a painel. O traço é confiante, a energia explosiva. As cenas de ação são onde tudo encaixa: cinéticas, legíveis e, acima de tudo, empolgantes.
Bam começa aqui a ganhar contornos mais definidos. As suas motivações, antes envoltas em mistério, começam a tomar forma. Começamos a perceber porque é que ele entrou na Torre, e embora as respostas continuem a escapar-nos, o tom emocional muda. Há anseio, dúvida e a perceção crescente de que a sua jornada não será apenas física, mas profundamente pessoal.
Khun, por seu lado, continua a roubar cenas com a sua brilhante mistura de intelecto e arrogância. A sua mente estratégica domina este volume, especialmente durante o Jogo da Coroa. Se Bam é o coração da história, Khun é o cérebro frio e calculista, e juntos formam uma dupla irresistível. Os fãs do anime lembrar-se-ão bem de como estas sequências são icónicas, mas no papel o impacto é diferente: há mais espaço para respirar, mais subtileza nos diálogos, mais ritmo nas trocas de palavras.
A Presença Comics merece aqui um aplauso especial. Apresentar Tower of God num formato “livro padrão”, totalmente a cores, é uma jogada de mestre. Consegue unir leitores de webtoon e colecionadores de manga. A encadernação é sólida, a impressão nítida e a reprodução de cores viva, sem exageros. É daquelas edições que se exibem com orgulho na estante.
E o ritmo, que espetáculo. SIU constrói a tensão como um maestro a dirigir uma orquestra. Cada capítulo flui naturalmente para o seguinte, até que o cliffhanger cai, no momento perfeito, deixando-nos ansiosos pelo Volume 4. É aquela combinação rara de suspense emocional e tensão estratégica que torna Tower of God tão viciante.
Em última análise, o Volume 3 marca um ponto de viragem. É aqui que Bam começa a evoluir de mero observador silencioso para participante ativo na hierarquia impiedosa da Torre. A arte ganha ritmo, a ação explode e o enredo aprofunda-se.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






