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Análise jogos: Train Valley (Switch)

Todos a bordo! Constrói carris, gere os teus comboios e evita acidentes num frenético jogo de quebra-cabeças. Train Valley chega à Nintendo Switch a 27 de julho.

Embora tenha sido lançado para PC em 2015 pela Flazm e pela META Publishing, o jogo premiado de Alexey Davydov, Sergei Dovoynikov e Timofey Shargoroskiy acaba de ser lançado para a Nintendo Switch, a 27 de julho de 2022, e a Central Comics decidiu revisitar este clássico ferroviário.

Train Valley apresenta-se como um videojogo casual de quebra-cabeças e gestão de recursos em que o nosso objetivo é irmos completando níveis ao construirmos linhas ferroviárias entre estações de modo a que uma série de comboios que vão aparecendo chegue ao seu destino. Durante cada missão, vão surgindo uma série de desafios que temos de resolver depressa para evitarmos acidentes e prejuízos.

O jogo disponibiliza vários modos, incluindo uma campanha que nos leva de 1830 a 2020, com vários contextos históricos, além de mapas, carruagens e locomotivas adequados a cada época.

À partida, a proposta de Train Valley parece ser bastante simples: levar os comboios de cor X a uma estação da cor idêntica através de linhas que vamos construindo. Mas não é bem assim. Em cada nível, temos de enfrentar um conjunto de desafios que torna a experiência frenética e alucinante. Que fazer quando uma linha tem de se sobrepor a outra? E se houver obstáculos físicos? O dinheiro chega para tudo? Tenho de avançar este comboio, mas, para isso, tenho de parar aquele, mas, se parar aquele, fico com prejuízo… Já estão a ver a ideia, não é? É possível parar o jogo para coçar a carola e pensar que raios devemos fazer a seguir, mas vá lá… somos gamers ou não?

Apesar de o jogo ser muitas vezes encaixado no género de estratégia e de gestão de recursos, pessoalmente, não concordo muito com tal posicionamento. Para mim, Train Valley é um jogo de quebra-cabeças ao mais puro nível. Não me parece absolutamente nada que este jogo esteja na mesma categoria que Railway Empire (ou Transport Tycoon, para os da minha geração). Parece-me um par bem mais adequado para Mini Metro (ou até o velhinho Pipe Mania).

No que toca à jogabilidade em si, a diversão assenta muito na rápida tomada de decisões e na capacidade de resolver problemas. Os níveis começam com um ou dois comboios e pistas que temos de controlar e construir, mas estes rapidamente se começam a multiplicar, e damos por nós com a cabeça a mil enquanto tentamos perceber como nos vamos desenrascar daquela embrulhada. Mas o sentimento de frustração é equilibrado com o sentimento de recompensa quando terminamos um nível.

Train Valley é um jogo já conhecido (até já tem sequela: Train Valley 2) que se insere num género bem familiar. Então afinal que fazemos aqui? Pois é! O jogo foi lançado para a Nintendo Switch a 27 de julho de 2022. Como será a experiência na consola?

Perdoem-me os fãs incondicionais de consolas, mas terei de ser muito honesto neste artigo. O jogo perde muito, mas mesmo muito em consola. A fluidez do jogo quebra, os controlos são trapalhões e não encontrei nada de novo ou melhorado em relação à versão para PC. A minha experiência com Train Valley na Nintendo Switch foi muito distinta da versão para PC e foi, no mínimo, uma desilusão. O que acima descrevo como sendo a principal característica do jogo (ritmo frenético e alucinante) perde-se quase completamente nesta versão. Ganhei, isso sim, todo um novo nível de frustração ao tentar acertar no sítio certo para construir os carris. E nem me façam falar de controlar os comboios. A única forma que consegui encontrar para jogar foi mesmo ir parando o jogo, não para pensar, mas para conseguir executar. Enfim, chega de bater no ceguinho.

Uma boa forma de elogiar Train Valley para a Nintendo Switch seria pegar mais no que a própria consola oferece do que o próprio jogo, sendo que temos de esquecer que existe uma versão (muito superior) para PC. Ou seja, este é um jogo ideal para toda a família. Os pequenotes, ou até os graúdos, quando querem apenas relaxar sem terem de investir muito esforço mental num jogo, podem desfrutar de Train Valley na sua vertente de para, executa, recomeça. Os gráficos são bonitos, há sempre a recompensa (embora muito menor) de vermos um quebra-cabeças a ser resolvido, mesmo com soluções, e, sejamos sinceros, os controlos acabam por se dominar, é uma questão de tempo e hábito.

Mas o descrito acima não invalida as desvantagens da versão Switch em relação à versão PC. Existindo opção de escolha, não hesitaria. Na minha humilde opinião, o sentimento de frustração devido à má colocação de peças, não ao quebra-cabeças em si, e a quebra de ritmo ‘matam’ Train Valley para a Nintendo Switch.

Classificação: 5/10

É impossível dar nota negativa a um título como Train Valley. Mas digo sem rodeios: a sua aplicação em Nintendo Switch fica muito abaixo das expetativas. Se procuram um título de quebra-cabeças que vos desafie e envolva profundamente na jogabilidade, ou vos disseram que Train Valley é um bom jogo, comprem a versão para PC. Se apenas procuram um jogo que todos podem jogar de forma descontraída, sem ligar muito ao aspeto da jogabilidade, então, a cerca de 12,00 € (tenho poucas dúvidas de que o jogo será incluído em várias promoções em breve) também não perdem nada.

Para terminar, fica a dica indispensável: às vezes, até nem se trata de dinheiro e o mais importante é andar tudo na linha!

Trailer Train Valley:

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