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Análise: Cadernos Moura BD Nº 11 – José Ruy

Se há autor já com lugar garantido no panteão dos autores da banda desenhada portuguesa, esse autor é José Ruy e que podem descobrir em Cadernos Moura BD Nº 11.

Aos 92 anos, o mais produtivo criador de banda desenhada em Portugal, vai ter uma merecida exposição na Feira de S. Mateus em Viseu a partir de dia 4 de Agosto até 21 de Setembro, exposição essa inaugurada pelo Presidente da República, Dr. Marcelo Rebelo de Sousa.

O tema da exposição é “José Ruy: Literatura e Banda Desenhada”, e a mesma já tinha sido apresentada no passado mês de Maio na Feira do Livro de Moura, altura em que também foi publicado o Nº 11 dos Cadernos Moura BD, dedicado a José Ruy.

Sendo um autor da idade de ouro da BD portuguesa, Ruy começou a trabalhar com um sentimento transversal a todas as revistas juvenis e infantis dessa altura. Para além das aventuras criadas pelos diversos autores, havia um sentimento em toda a Europa que a banda desenhada devia servir para criar aos mais novos o interesse pelos clássicos da literatura. Assim são muitos os exemplos de adaptações das mais diversas obras literárias, feitas por autores de BD de Portugal, Itália, Espanha, França e Bélgica.

Tendo trabalhado no Mosquito e no Cavaleiro Andante, neste último com base nos conceitos de Simões Muller, José Ruy emprestou o seu traço para despertar o interesse dos jovens leitores para várias obras fundamentais no conhecimento literário dos mesmos.

Alguns desses exemplos vão estar expostos em Viseu e no Nº 11 dos Cadernos Moura BD podemos encontrar a adaptação de um conto escrito em 1963 por Alves Redol, escritor neorrealista português.

Cadernos Moura BD Nº 11 - José Ruy

Ruy é um autor que atravessou várias épocas e estilos, desde os quadrinhos com texto por debaixo, o aparecimento dos balões nas vinhetas, a aplicação das sete cores, e até a utilização do computador. No seu estilo já bem conhecido, dominando os jogos gráficos do claro-escuro e do espaço das próprias vinhetas, José Ruy apresenta-nos aqui uma adaptação com bastante rigor, onde a leitura é interessante e com uma dinâmica muito boa, despertando o interesse na descoberta de outras obras do escritor.

No mesmo fanzine podemos ainda descobrir outra obra de Ruy, mas num registo diferente.
Fazendo uma homenagem ao seu mestre Eduardo Teixeira Coelho, José Ruy apresenta-nos uma pequena história passada em África, sem qualquer texto, sobre a sobrevivência na selva.

Cadernos Moura BD Nº 11 - José Ruy

A dinâmica da história é tal que o texto é realmente desnecessário, e o autor mostra aqui o resultado de muitas tardes passadas a desenhar com ETC no Jardim Zoológico de Lisboa, ao longo de vários anos. Uma bonita homenagem.

Livro em capa mole agrafado, com páginas em papel baço de boa qualidade e com boa impressão.

Tempo de leitura:

  • Cadernos Moura BD Nº 11 – aproximadamente 22 minutos
Cadernos Moura BD Nº 11 - José Ruy

Uma  leitura bem interessante e aconselhada para todos os aspirantes a autores de banda desenhada, para descobrirem e analisarem dois tipos diferentes de criação.

CADERNOS MOURA BD Nº 11 – JOSÉ RUY

JOSÉ RUY

Editora: Câmara Municipal de Moura

Livro em capa mole com 24 páginas a preto e branco nas dimensões de 21 x 30 cm

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