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Análise – Ataque dos Titãs (Attack on Titan) Vol. 10 

O volume 10 lança a 104.ª Divisão da Tropa de Exploração numa situação desesperada: com a Muralha Rose violada, os soldados evacuam os civis e procuram um abrigo seguro. A fuga leva-os ao Castelo de Utgard, acreditando ser um refúgio… mas esse abrigo transforma-se num pesadelo. Por razões incompreendidas até aqui, os Titãs atacam à noite, pondo fim à crença (e ao conforto do leitor) de que a escuridão era um porto-seguro contra essas criaturas.

Este volume representa uma viragem crucial na saga clássica de Isayama. Ao explorar o horror do inesperado com um ataque noturno que quebranta as regras não escritas do próprio universo, o autor reafirma a sensação de impotência e caos que caracteriza a série. Não há heróis imunes nem táticas que garantam vantagem: sobrevivência é o tema central, e a narrativa militar estrita torna-se rapidamente uma história de desespero visceral.

Ataque dos Titãs Vol. 10 | Fortaleza de Sangue

Enquanto alguns volumes anteriores equilibravam mistério e ação, o #10 mergulha o leitor numa verdadeira sensação de claustrofobia narrativa; soldados sem equipamento, civis indefesos e a constante ameaça dos Titãs transformam cada página num turbilhão de tensão. É aqui que o horror se distancia do simples combate para se tornar uma crítica implícita à própria guerra: sem regras, sem garantias e com um custo emocional enorme para cada personagem que sobrevive, ou sequer tenta.

O ritmo é sempre tenso, sem alívio desnecessário, e cada capítulo impulsiona o leitor para a frente. Há um uso inteligente de silêncio e perigo iminente para amplificar o terror. Posso tecer a crítica de que o mangá pode parecer repetitivo para quem espera grandes “reviravoltas” ao estilo shōnen tradicional, mas aqui há mais clima do que revelações massivas.

Em suma, este é um volume que solidifica o tom sombrio da saga: não é apenas sobre monstros, é sobre a falibilidade humana quando confinada a escolhas desesperadas e mortes inevitáveis. Destaco este volume como um dos melhores até ao momento, se bem que não me recordo de nenhum ser “fraquinho”; esta série é realmente fenomenal e entendo o sucesso global, quer do mangá quer do anime.

Ataque dos Titãs Vol. 10 | Fortaleza de Sangue

Carlos Maciel

O Carlos gosta tanto de banda desenhada que, se a Marvel, a DC, os mangas, fummeti, comic americano e Franco-Belga fundissem uma religião, ele era o primeiro mártir. Provavelmente morria esmagado por uma pilha de livros do Astérix e novelas gráficas 😞 Dizem que cada um tem um superpoder; o dele é saber distinguir um balão de pensamento de um balão de fala às três da manhã, depois de seis copos de vinho e um debate entre o Alan Moore e o Kentaro Miura num café existencial em Bruxelas onde um brinde traria um eclipse tão negro quanto dramático, mas em que a conta era paga pelo Bruce Wayne enquanto o Tony Stark vai mudar a água às azeitonas.

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