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Crítica | Uma Outra Mãe: Terror à espreita com Jessica Chastain

Em Uma Outra Mãe, o cineasta britânico Rob Savage traz Jessica Chastain num papel duplo altamente aterrador, num filme perfeito para o Halloween.

Rob Savage é um dos cineastas cuja notoriedade ainda parece estar por definir. Depois do grande sucesso de Host, durante a pandemia, os seus dois filmes seguintes – Dashcam e The Boogeyman -, embora altamente imaginativos, não o estabeleceram como um nome de referência no género. Com Uma Outra Mãe, o realizador britânico parece estar a abrir caminho para se posicionar como um dos grandes nomes do cinema de terror desta década.

O medo atrás da porta onde está Uma Outra Mãe

Seguimos a vida de Bela (Arabella Olivia Clark), uma criança que vive com os pais, Russ (Jay Duplass) e Ursula (Jessica Chastain). Porém, o quarto de Bela esconde uma entidade sobrenatural chamada Other Mommy, que assume também a forma de Jessica Chastain. Quando os pais descobrem a sua existência, tentam encontrar uma forma de se livrarem da maldição, custe o que custar, com o futuro da família em risco.

Adaptado do livro Incidents Around the House, de Josh Malerman – também autor de Bird Box, obra que inspirou o filme homónimo da Netflix -, Uma Outra Mãe é uma espécie de conto que poderia facilmente ter saído de um episódio clássico de A Quinta Dimensão, embora seja bastante mais assustador. Não sendo um conceito inteiramente novo no terror ou na ficção científica, a sua execução contemporânea permite-lhe ser mais impactante e visceral, explorando com maior liberdade os detalhes físicos e emocionais que uma ideia desta natureza exige.

Uma actriz, dois papéis em lados opostos do espectro

Transformar as páginas em realidade não é, de todo, uma tarefa fácil, mas Chastain faz parecer simples a encarnação dos dois extremos do espectro: por um lado, a mãe preocupada e determinada a proteger a família; por outro, a entidade sobrenatural, dotada de uma aura maquiavélica e sombria. A actriz demonstra, mais uma vez, porque continua a ser uma das melhores intérpretes da actualidade, capaz de se entregar a um filme de género com uma naturalidade tão convincente como aquela que revela noutros registos. Clark também carrega grande parte do espírito do filme enquanto Bela, uma criança assustada que faz tudo o que pode para sobreviver à presença deste mal.

Por outro lado, Savage parece estar agora mais à vontade na sua jornada pelo cinema de terror, recorrendo aqui a uma estrutura mais tradicional. Apesar de The Boogeyman não ter superado as expectativas, e de a estranheza de Dashcam não ter sido para todos, é positivo ver aquilo de que o realizador é capaz nestas circunstâncias, novamente apoiado pela Blumhouse. A tensão sobe nos momentos certos, enquanto os visuais acompanham tanto o medo provocado pelo perigo à espreita como a criatividade demonstrada ao provar que esta entidade não é como nenhuma outra que já conhecemos.

Assim, Uma Outra Mãe é um filme que propõe alguns sustos intensos, com uma narrativa familiar – o seu maior pecado -, mas que ainda assim aborda os seus elementos de uma forma curiosa e aterradora, com criatividade pelo meio. Os fãs de terror poderão encontrar aqui uma boa escolha para o Halloween, enquanto a obra pode também servir como uma introdução acessível ao género para aqueles que ainda têm tendência para tapar os olhos durante as cenas mais assustadoras.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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