Crítica | Verity: Mais uma adaptação de Colleen Hoover para a estante
Colleen Hoover vê mais um dos seus romances adaptados ao grande ecrã, com o misterioso Verity, protagonizado por Anne Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett.
As obras de Colleen Hoover têm sido adaptadas em filmes de grande sucesso de bilheteira, ainda que não estejam isentas de controvérsia. De Tudo Me Lembra de Ti a Isto Acaba Aqui, os romances ocupam sempre um lugar central nestas histórias. Agora, Verity, considerado o seu livro mais aterrador, chega ao grande ecrã num filme protagonizado por Anne Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett.

A autora, o marido, e a substituta
Conhecemos Lowen (Johnson), uma autora à procura de trabalho, que é contactada por Jeremy Crawford (Hartnett), marido da célebre escritora Verity Crawford (Hathaway). Na sequência de um acidente misterioso, Verity torna-se incapaz de concluir a sua popular série de livros. Cabe, por isso, a Lowen continuar o trabalho, recorrendo a notas, manuscritos e outros materiais deixados pela autora. No entanto, à medida que se aprofunda no universo de Verity, Lowen começa a questionar não só o estado psicológico da escritora, mas também a verdade por detrás da sua reputação e da própria família Crawford.
Ao olhar para as várias adaptações de Hoover, percebe-se que Verity é aquela que mais se afasta dos romances impossíveis e melodramáticos, trocando-os por uma dose de violência gráfica, mistério e um thriller mais erótico do que os restantes. Naturalmente, o cinema é um meio próprio, com regras e limitações diferentes das da literatura: alguns detalhes têm inevitavelmente de ser deixados de fora, enquanto outros são introduzidos para tornar a narrativa mais directa e acessível. O problema é que, neste caso, essas escolhas parecem excessivamente selectivas e raramente servem a história. O resultado é um filme completamente insonso, que desperdiça inúmeras oportunidades para se destacar de outros títulos do género, quando tinha tudo no material de origem.

Uma adaptação de Verity que exigia muito mais
Esta nova vaga de adaptações surgiu, em grande medida, devido à procura dos fãs que querem ver estas histórias representadas no cinema e na televisão. Ao mesmo tempo, os autores procuram transformar espectadores em leitores, beneficiando de uma relação de promoção mútua entre livros e produções audiovisuais. Mas esta adaptação de Verity parece mais preocupada em cumprir uma data de estreia e em funcionar como uma tentativa de lucro rápido; oferecendo um filme aborrecido, que desafia constantemente a lógica com que os acontecimentos se desenrolam e suga qualquer vestígio de alma que pudesse existir desde o início.
Infelizmente, nem este incrível trio de actores consegue carregar a adaptação às costas e salvá-la da mediocridade. Johnson parece regressar ao registo que marcou o lançamento da sua carreira em As Cinquenta Sombras de Grey, enquanto Hathaway mantém a sua forte presença no grande ecrã ao longo de 2026, num papel onde finge que é assustadora. Hartnett, por sua vez, continua na sua tentativa de recuperar o charme que fez dele uma jovem promessa, com resultados mais consistentes do que o próprio filme merece. Todos mereciam melhor.

Assim, Verity é talvez a maior desilusão do ano. De todos os romances de Colleen Hoover, era aquele com a reputação que era o que mais se distinguia dos restantes e que demonstrava verdadeiro potencial para se tornar num filme de terror genuinamente perturbador. Bastaria que se comprometesse com a essência do seu material de origem, em vez de a diluir numa versão previsível e excessivamente polida. Nem a presença da própria autora como produtora foi suficiente para salvar aquilo que o filme poderia ter sido. Numa altura em que parece existir uma verdadeira batalha entre adaptações ao longo do ano, exigia-se mais. Muito, muito mais.
Nota Final: 3/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.
