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Coyote vs. Acme (2026) – Vai um recurso?

Coyote vs. Acme tem provavelmente uma das histórias de produção mais inesperadas dos últimos tempos. Quando o estúdio decidiu revogar subitamente o lançamento de um filme já terminado para obter abatimentos fiscais, gerou-se um burburinho vastamente alimentado pela equipa técnica, o elenco e até o público.

Passados dois anos de incerteza em torno desta adaptação do famoso artigo humorístico da The New Yorker, a história em que uma das personagens mais icónicas dos Looney Tunes processa a empresa fabricante dos seus artigos defeituosos finalmente estreou, recebendo um acolhimento avassalador.

Abertas as hostes do costume, há que desviar os despojos da festa e tentar perceber se sempre vamos apreciar o bolo ou se acabamos por levar com ele na cara. Trata-se de uma tarefa nada fácil, na medida em que o simples facto de a obra ter chegado aos ecrãs cativa em nós um saudável espírito de sedição contra o punho opressor do veto corporativo. Fosse aquela um marco ao nível do primeiro Space Jam ou uma desilusão equivalente à sua sequela, muitos de nós estaríamos – e estivemos – a aplaudir a forma como a produtora independente Ketchup Entertainment entrou em jogo para lhe financiar a distribuição, bem como estamos agora a promover o seu sucesso de bilheteria.

Não obstante, importa constatar que, entre várias ideias engraçadas e um conceito ironicamente próximo da realidade, a execução cambaleia entre tudo o que quer fazer e o que não faz mas devia. No final do dia, rir com personagens que nos são tão queridas apenas consegue carregar a narrativa até um certo ponto, mesmo com todos os pormenores e referências que a polvilham. Talvez por isso se estranhe tanto a entrega ligeiramente coxa dos protagonistas humanos e se acabe a pedi mais do dispositivo catalisador prometido pelo título. Num universo em que pessoas e desenhos animados convivem, não são apenas os últimos que se assemelham a caricaturas.

Resta, por isso, agarrarmo-nos aos acenos, às insinuações provocadoras e ao humor de caráter físico que as embalam e nos fazem aproveitar um bom bocado. “As placas são limitadas”. Contudo, pelo menos, bastam.

Classificação: 6/10

Fascinado por cinema desde cedo, começou pelas cassetes VHS de casa da avó e acabou a colecionar figuras de clássicos dos anos 80. Hoje, vê cada filme com a mesma curiosidade de então.

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