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Deathstalker – O reimaginar de um clássico de género

Exibido na 20ª edição do MOTELX, Deathstalker vê o cineasta Steven Kostanski a reimaginar o clássico produzido por Roger Corman, repleto de fantasia, acção, e uma banda sonora incrível.

Há filmes de culto que nos passam ao lado e que, de repente, mudam o curso das nossas vidas. Parece ter sido o caso de Steven Kostanski, que nunca viu Deathstalker – O Guerreiro Invencível, a obra original de 1983, produzida pelo lendário Roger Corman, tendo apenas ouvido relatos de outros fãs, que falavam do filme de uma forma muito carinhosa. Quando finalmente se sentou para ver o filme como adulto, achou que as memórias que tinham do filme eram mais poderosas que a realidade; assim, o estatuto de “filme lendário” não correspondeu às expectativas da sua experiência. Foi a partir deste sentimento e dessa reputação que decidiu reimaginar Deathstalker, à sua maneira e no seu próprio estilo.

Um guerreiro amaldiçoado em busca de salvação

Seguimos a aventura de Deathstalker (Daniel Bernhardt), um cavaleiro exilado do reino, transformado num guerreiro que passa os seus dias a pilhar os mortos nos campos de batalha. Quando encontra um amuleto amaldiçoado, Deathstalker é forçado a juntar-se a Doodad (na voz de Patton Oswalt), um feiticeiro, e a Brisbayne (Christina Orjalo), uma ladra nata, enquanto fogem de Nekromemnon e das suas hordas para, no fim, impedir um ritual apocalíptico.

Todas as inspirações dos filmes de género dos anos 80, desde Excalibur (1981), Conan, o Bárbaro (1982) e até Duna (1984), estão presentes de formas muito distintas, colorindo um universo que Kostanski eleva, sobretudo no lado da violência extrema e grotesca, repleta de sangue e outros fluídos nojentos não identificáveis. Isso, sim, é o sinal de que estamos perante um filme feito com amor, por um cineasta que quis apenas experimentar fazer um filme de género, com o imaginário que tinha, e o conseguiu com sucesso.

Quando o visual e a música se unem para uma experiência como nenhuma outra em Deathstalker

Kostanski já tinha estabelecido o seu talento em The Void, um filme cuja impressão perdura nas memórias dos fãs. Já Psycho Goreman acabou por ser um passo de entrada no cinema de monstros, mas passou ao lado de muitos, por ser tão diferente do seu filme anterior. Na verdade, Deathstalker acaba por ser uma consolidação de tudo aquilo que sabe fazer, e uma espécie de reboot na sua carreira: um filme repleto de ideias clássicas, aplicadas com as técnicas atuais de efeitos práticos, tornando-se na derradeira homenagem a um nicho do cinema muito adorado.

Ainda que Bernhardt seja mais conhecido pelo seu trabalho nas artes marciais, demonstra ser o protagonista perfeito, com uma personagem cínica, mas motivada a cumprir a missão e sem receios de recorrer à violência perante aqueles que estão no seu caminho. Da mesma forma, Orjalo dá vida a uma personagem feminina com outras camadas e profundidade moral, que noutra era seria retratada mais pelo seu físico e como aquela que é salva pelo mal; o que constitui aqui um enorme benefício para a narrativa.

Naturalmente, não poderia faltar uma banda sonora icónica, composta pelo trio Blitz//Berlin, enquanto o tema principal conta com a composição de Slash (Guns N’ Roses), Bear McCreary e Chuck Cirino, assentando que nem uma luva na obra.

Assim, é possível que Deathstalker seja o filme que volte a abrir portas para o regresso de um género há muito perdido, numa homenagem criada com uma intenção verdadeira de se definir como um novo filme de culto. Quem sabe se, daqui a várias décadas, não será esta a obra a inspirar o próximo Kostanski, que, ao ter ouvido esta versão a ser falada com tanto carinho, veja as suas expectativas do cinema do futuro não corresponderem à realidade.

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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